Cássio
Eu sinto o corpo da Branca ainda tenso ao meu lado, mesmo depois de tudo o que ela disse.
Ela foi firme. Mais do que eu imaginava. E isso deveria me deixar tranquilo, mas não deixa.
Porque eu conheço gente como o avô dela. Eles não aceitam perder. Eles não vão embora… sem tentar mais uma vez. E eu não estou errado.
"Branca."
A voz dele corta o ar de novo. Eu fecho a mão automaticamente.
"Precisamos conversar. A sós." Meu corpo enrijece. "Afinal, isso é um assunto de família."
Ele olha diretamente para ela, ignorando completamente a minha presença.
"Não há motivo para esse…" Ele pausa me olhando com desprezo. "Suposto noivo estar aqui." Meu sangue ferve, mas ele não para. "Você é uma Krieger. E vai resolver isso como uma Krieger. Vai voltar para o seu marido agora mesmo."
Sinto a furia me corroer. É assim que ele pensa em intimidá-la? Pensa que pode usar seu poder famíliar para obrigá-la a correr de volta pro inferno só porque ele mandou? Não... não sem antes eu acabar com tudo isso e defender a mulher que eu amo.
Dou mais dois passos à frente, o suficiente para ocupar todo o espaço entre ele e a Branca.
"Você não vai falar com ela assim. E não vai falar com ela a sós." Minha voz sai baixa, mas carregada de um aviso mortal. "Nem agora, nem nunca." Ele me encara, me desafia.
"Isso não diz respeito a você, rapaz."
Eu dou um sorriso sem humor.
"A partir do momento em que ela é minha mulher…" Inclino levemente a cabeça. "Diz respeito a mim, sim." O ar pesa. Eu sinto o André se mover ao meu lado. Pronto para o ataque, assim como eu.
"Agora você vai sair." Minha paciência acabou. "Você e a sua família não pisam mais aqui." Os olhos dele se estreitam. "E se tentarem qualquer tipo de contato com ela…Eu vou usar todos os meios legais para impedir."
Ana se move ao lado do avô e coloca a mão no braço dele.
"Vovô…" Mas ele puxa o braço dela com força.
"Eu estou mandando, Branca. Você me deve obediência."
Ele olha ao redor, como se aquilo ainda fosse território dele.
"Você…" Aponta para ela. "E qualquer um dessa família… me deve obediência."
Eu vejo o corpo da Branca enrijecer. Mas antes que ela diga qualquer coisa, André entra.
"Ninguém aqui te deve obediência."
A voz dele é firme. Sem espaço para discussão.
"Se a Ana quer continuar se curvando a você, isso é problema dela." Ele dá um passo à frente. "Se o Jonathan quer continuar sendo seu reflexo… também é problema dele." Os olhos dele encontram os da Branca por um segundo. "A Branca não pertence mais a vocês. Vocês já destruíram a vida dela o suficiente e não é seu sangue maldito que vai fazer ela se curvar."
Minha mão aperta a dela.
"Ela perdeu um filho por causa de gente como vocês." sinto ela puxar o ar com mais força. "E isso acabou agora. Se continuarem insistindo, isso vira processo. E eu garanto que o Jonathan vai voltar pra cadeia."



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