Laís
Eu não lembro a última vez que fiquei tão ansiosa para dar uma notícia. Eu amava saber que as coisas finalmente estavam dando certo.
Subo os degraus quase correndo, com a pasta pressionada contra o peito. A mansão do Ravelli sempre me pareceu imponente demais, mesmo já acostumada a vir aqui.
Demorou dias. Dias que pareceram semanas, mas finalmente chegou.
Assim que entro na casa, escuto vozes vindo da cozinha.
Quando apareço na porta, encontro Branca e Tamara sentadas à mesa, conversando.
Paro na entrada, cruzo os braços e arqueio uma sobrancelha.
"Ué… achei que a Tamara tinha sido contratada pra trabalhar."
As duas me olham. E caem na risada.
Branca balança a cabeça.
"Ela não é escrava não, Laís. Pode conversar comigo quando eu preciso desabafar. Para de ciúmes besta."
Levo a mão ao peito, fingindo ofensa.
"Então é isso? Fui substituída?"
Tamara revira os olhos.
"Larga de ser dramática."
Nós três acabamos rindo e caminho até elas e puxo as duas para um abraço.
"Eu estava com saudades disso. Temos que marcar para sair pra beber. E, se não sair, temos que beber aqui mesmo. Mas precisamos relaxar." me solto na cadeira ao lado da Branca e coloco a pasta e minha bolsa sobre a mesa.
Por um segundo, tudo parece… leve.
"Mas falando sério", digo me inclinando um pouco. "O que aconteceu pra você estar assim?" Olho para Branca com atenção. "Preciso dar uns t***s no Cássio?"
Ela nega rapidamente, com um pequeno sorriso.
"Não… não é isso. Ele é perfeito..." O sorriso desaparece devagar. "Eu só estou… tensa." Ela respira fundo. "Essa situação do Jonathan… a morte da Glória…"
Seus olhos ficam mais pesados.
"Ele te falou?"
"Sim. Cássio não queria me contar, mas eu sabia que tinha algo errado."
Tamara segura a mão dela por cima da mesa.
"Ele acabou me contando." A voz dela falha um pouco. "E eu fiquei sem chão." Silêncio. "Eu não desejava isso pra ela…" Ela engole em seco. "Mesmo depois do que ela tentou fazer comigo."
Meu coração aperta.
"E agora eu só consigo pensar que foi o Jonathan."
Ela levanta o olhar para mim.
"Eu sei do que ele é capaz. Sei que ele pode ter feito isso para mostrar que ninguém toca em mim, então... o que ele pode fazer com o Cássio?"
Minha expressão endurece.
"Não pense nisso, amiga..."
"E se ele fez isso…" Ela continua, mais baixa: "Ele pode tentar culpar o Cássio. Tentar destruí-lo de uma forma que vai machucar mais do que destruir a carreira dele."
Eu fecho a mão ao lado do corpo.
"Não vai."
Ela respira fundo.
"Mas ele já está sobrecarregado…" Olha para a mesa, pensativa. "Cássio está cada dia mais incomodado de não poder ir para o fórum. Ele quer retomar a vida. Quer ser um exemplo para a Aelyn... " Um sorriso triste surge. "Aquilo é a vida dele."
É aí que eu sorrio. Devagar. Porque finalmente posso.
"Bom…" Pego a pasta e coloco na frente dela. "Essa parte… eu posso ajudar."
Ela franze a testa.

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