Entrar Via

Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 172

Laís

O caminho até o escritório parece mais longo do que deveria, como se cada semáforo insistisse em me fazer pensar mais um pouco sobre o que acabou de acontecer. A voz do André ainda ecoa na minha cabeça, pesada, carregada de uma tensão que eu conheço bem… mas que, dessa vez, veio diferente. Jonathan está solto. E essa simples constatação já é suficiente para fazer meu corpo inteiro entrar em alerta.

Assim que abro a porta da sala, eu paro por um instante.

André está de pé, de costas para mim, com as mãos apoiadas na mesa, os ombros rígidos como se estivesse sustentando um peso grande demais para um só corpo. Eu não preciso ver o rosto dele para saber que algo está errado, mas quando ele se vira… é pior. Muito pior. Há algo nos olhos dele que eu nunca vi antes. Não é só raiva. É frustração, culpa… e uma espécie de fúria contida que parece pronta para explodir a qualquer momento.

"Ele saiu, Laís", ele diz, a voz baixa, mas carregada de algo que aperta o peito.

Eu me aproximo devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse piorar a situação. "Eu sei."

Ele passa a mão pelos cabelos, inquieto, andando de um lado para o outro como se estivesse preso dentro da própria cabeça. "Ele não devia estar lá fora. Eu devia ter impedido isso." A forma como ele diz aquilo me faz sentir o peso que ele está carregando, como se essa falha, que não é dele, estivesse cravada dentro dele como uma culpa pessoal.

Paro na frente dele e seguro seu rosto com cuidado, obrigando-o a me olhar. "Você não podia ter impedido."

"Eu devia." A resposta vem rápida, quase automática, e dessa vez a voz falha um pouco. "Eu falhei."

Meu coração se aperta. Eu conheço esse homem. Sei o quanto ele se cobra, o quanto ele se responsabiliza por tudo… até pelo que está fora do alcance dele. Aproximo meu rosto do dele, mantendo meu olhar firme no seu. "Você não falhou, André. Ele está solto porque o sistema permitiu, não porque você deixou."

Ele fecha os olhos por um segundo, como se tentasse absorver aquilo, mas a tensão ainda está lá, viva, pulsando sob a pele. Quando volta a me olhar, a primeira pergunta vem quase como um reflexo.

"Você contou pra eles?"

Eu balanço a cabeça devagar. "Não."

Ele franze a testa, surpreso. "Por quê?"

Respiro fundo antes de responder, porque sei exatamente o que senti naquele momento. "Porque eu quis dar um pouco de paz pra eles. Eles acabaram de receber a notícia de que estão livres das acusações da Clara… e, pela primeira vez em dias, eu vi a Branca sorrir de verdade. Eu não quis tirar isso dela tão rápido."

O olhar dele muda, suaviza um pouco, como se entendesse exatamente o que eu quis fazer. "A paz durou pouco", ele murmura.

"Durou o suficiente", respondo, com um pequeno sorriso triste. "Às vezes, é só isso que a gente consegue dar."

Ele me puxa para um abraço, forte, apertado, como se precisasse daquele contato para não desmoronar. Eu o envolvo sem hesitar, sentindo a respiração dele ainda irregular contra o meu corpo, e fico ali até perceber que, aos poucos, ele começa a desacelerar.

"Além disso…" a voz dele sai mais baixa, perto do meu ouvido, e eu sinto que vem mais problema.

Eu me afasto o suficiente para olhar para ele. "O que foi?"

"Eu recebi uma mensagem." Ele hesita por um segundo, como se escolhesse as palavras com cuidado. "Da Ana."

Meu corpo fica tenso na mesma hora. "Aquela que ajudou a gente a encontrar o Jonathan?"

Ele confirma com um leve aceno. "Ela disse que o avô dela quer ver a Branca."

Mordo o lábio, sentindo um desconforto imediato subir pelo peito. "Isso é… bom?"

172. Mais problemas 1

172. Mais problemas 2

172. Mais problemas 3

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz