Laís
André mal falava, ele estava tão tenso com a situação, que eu achava cômico.
"Para com isso, sua mãe não vai me morder." falo segurando a mão dele.
"É como se fosse. Estou preocupado com o que ela vai dizer. Não quero que se magoe com nada disso."
"Não vou. Depois daquela estadia com Cássio, vendo como ela o tratou, sei bem como me defender."
"E vou estar ao seu lado. Não se preocupa, tá?" Concordo, mas isso não ameniza a tensão nos olhos dele.
Cruzo os braços enquanto André estaciona o carro na frente do portão. A casa está toda iluminada. Isso nunca é um bom sinal.
“Ela ainda está acordada”, murmuro.
André solta uma risada curta.
“Minha mãe nunca dorme quando está irritada.”
“Então hoje ela vai virar a noite.”
Ele me olha de lado, divertido.
“Você já está armada para a guerra?”
“Eu não vim para guerra.”
Faço uma pausa.
“Mas também não vim ser bombardeada. Estou em modo defesa.”
Ele ri baixo.
O portão se abre quando André aperta o controle, e entramos na garagem. O silêncio entre nós dura alguns segundos.
Eu respiro fundo antes de sair do carro.
Já enfrentei tribunais lotados. Já enfrentei juízes arrogantes. Já enfrentei promotores que tentaram me esmagar em audiência.
Mas enfrentar sogra… Isso é outro nível.
André pega minha mão antes de chegarmos à porta.
"Eu não vou deixar ela te destratar, tá? Se as coisas saírem do controle, não questione, só me siga."
"Eu vou ficar bem." Aliso o seu rosto e ele concorda.
Caminhamos até a entrada e ele destranca a porta, dando-me passagem e entra logo atrás de mim. Paro assim que ela entra no nosso campo de visão.
Vânia Bayron.
Elegante como sempre. Postura impecável. O cabelo perfeitamente arrumado, como se estivesse esperando uma visita formal e não uma discussão familiar.
Os olhos dela passam primeiro pelo filho.
Depois por mim, parando em uma avalição lenta. Como se só agora ela estivesse reparando verdadeiramente em mim.
“Então é verdade.”
A voz dela é fria.
“Você realmente se casou.”
André suspira.
“Boa noite para você também, mãe.”
Ela ignora completamente o comentário.
Os olhos dela voltam para mim.
“Eu imaginei que era uma história absurda… Mas, vendo com quem se envolveu, consigo entender tudo.”
Cruzo os braços.
“Boa noite, dona Vânia.”
Ela estreita os olhos. Claramente não gostou do tom educado.
Antes que alguém diga mais alguma coisa, uma voz surge da sala. Uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar.
“Ah, o novo casal resolveu dar a honra de sua presença?”
Meu estômago vira. Devagar, viro o rosto.
Emily Morrow está sentada no sofá da sala.
Perfeitamente confortável.
Como se aquela casa fosse dela.
Como se ainda fosse parte da família.
As pernas cruzadas. Um copo de chá nas mãos. Um sorriso pequeno no rosto quando nossos olhos se encontram.
Claro. Isso tinha dedo dela.
André fica imóvel ao meu lado.
“Emily.” A voz dele sai dura. “Você está de brincadeira comigo.”
Ela levanta uma sobrancelha.
“Eu também fiquei surpresa quando soube do seu casamento.”
Os olhos dela passam de mim para ele.
“Foi uma notícia… inesperada.”
Vânia cruza os braços.
“Emily foi gentil o suficiente para vir me contar o que estava acontecendo.” Eu solto uma pequena risada. Não consigo evitar.
“Gentil.”
Emily inclina a cabeça.


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