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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 158

André

A cidade lá fora está silenciosa. Não completamente, porque em uma cidade grande isso nunca acontece de verdade, mas o suficiente para que o som dos carros passando lá embaixo pareça distante.

Estamos sentados no sofá do apartamento da Laís.

Uma taça de vinho na minha mão. Outra na dela.

A luz amarelada da sala deixa tudo mais calmo do que o dia realmente foi.

Ela está com as pernas dobradas no sofá, o cabelo solto caindo sobre os ombros, girando o vinho na taça enquanto me observa.

"Eu ainda não acredito que você fez aquilo."

Eu arqueio uma sobrancelha.

"Aquilo o quê?"

Ela sorri.

"Anunciar na frente de todo mundo que eu sou sua esposa."

Dou um gole no vinho.

"Eu só disse a verdade."

Ela ri baixo.

"Você gosta de causar."

"Na verdade sempre fui muito discreto com realação a minha vida pessoal. Poucas pessoas sabem que eu e a Emily já fomos casados." ela torce o nariz e dou risada.

"Preferia que você não tivesse um passado com ela."

"Eu também, mas onde eu estaria se não tivesse? Talvez não estivéssemos tendo essa conversa agora."

"Quem sabe. É muito mais fácil uma advogada esbarrar em um promotor do que em um juiz."

"Arrependida?" questiono, me inclinando um pouco para ela e puxando sua perna para o meu colo.

"Não me arrependo do que faço. Por isso protelei tanto sobre nós, porque sabia que, a partir do momento em que eu aceitasse, eu não te largaria tão fácil." Dou risada, apertando o pé dela com carinho.

"Você se casou comigo em Vegas, baby. Não tem para onde correr."

"Isso é um mero detalhe, doutor."

Eu balanço a cabeça, rindo.

Antes que eu consiga responder, meu celular vibra sobre a mesa de centro.

O nome do detetive aparece na tela.

Laís me encara e me incentiva atender.

"Fala."

A voz dele veio séria do outro lado da linha.

"Tivemos uma descoberta." Meu corpo inteiro fica alerta.

"Que tipo de descoberta?" Laís está tão próxima que sua orelha praticamente encosta em minha mão.

"Encontramos um corpo."

Sinto a postura da Laís mudar ao meu lado.

"De quem?"

"Uma mulher." A linha fica muda por alguns instantes. "Tudo indica que pode ser a Glória." Meu coração b**e mais forte. "Ela estava desaparecida há semanas," ele continua. "Mas... você precisa vir até aqui."

"A Glória? Mas como? Quem a teria matado? Já tem algum suspeito?" Minhas perguntas não o deixam falar.

"Ainda não temos nada de concreto, mas... Acho melhor você vir, doutor."

"Me envia a localização por mensagem."

"Estamos levando o corpo para o necrotério central. Já te encaminho o endereço."

"Estou indo."

Desligo.

Laís me encara assombrada.

"Vou com você." nego.

"Você fica aqui. Quero descobrir o que isso signifaca antes."

"Nem pensar André. É sobre a mulher que esfaqueou a minha amiga que estamos falando. Se isso for algum tipo de armação... "

"Laís... amor..."

"Eu vou e pronto." ela já corre para o quarto colocando uma calça, e calçando uma sapatilha. "Estou pronta, juiz. Vamos?" solto o ar, sabendo que não tinha como impedi-la.

Não perdemos tempo.

Minutos depois já estamos dentro do carro, atravessando a cidade. O trajeto parece demorar uma eternidade.

Quando finalmente chegamos ao necrotério, o detetive nos encontra na entrada.

O rosto dele não é animador.

"Obrigado por virem rápido."

"É ela?" pergunto.

Ele balança a cabeça devagar.

"Não sabemos ainda." Seguimos ele pelos corredores frios do prédio.

O cheiro do lugar é forte. Algo mais pesado que prefiro não identificar.

Entramos na sala onde o corpo está.

Um médico levanta o lençol parcialmente.

Eu vejo o suficiente para entender.

O corpo está em estado avançado de decomposição.

Não há como reconhecer um rosto ali.

Laís aperta minha mão discretamente.

"Tem alguma identificação?" ela pergunta.

O médico balança a cabeça.

158. Conflitos 1

158. Conflitos 2

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