André
Eu observo Emily se levantar do sofá. Devagar. Como se estivesse perfeitamente confortável naquela casa. Como se ainda tivesse algum direito de estar ali.
Ela caminha até minha mãe e para ao lado dela, segurando a mão dela com delicadeza.
O gesto me dá vontade de rir, ou de quebrar alguma coisa.
“Não se preocupe com isso, dona Vânia”, ela diz, com a voz suave. “Isso não vai durar.” Sinto Laís ficar rígida ao meu lado. Emily continua, olhando para minha mãe. “Eles estão apenas emocionados. Você sabe como o André é…”
Levanto os olhos e a encaro, cansado desse jogo de manipulação dela. Sem paciência alguma para continuar ouvindo aquilo.
Dou um passo à frente.
“Saia da minha casa," O sorriso dela vacila. “Agora.” A sala fica em silêncio. “Você não é ninguém aqui”, continuo. “E não vai desrespeitar a mim… ou a minha esposa.” Minha voz está controlada, mais firme do que já esteve antes na frente dela. Eu não tenho por que medir nada. Ela não é nada para mim.
“Seus joguinhos não funcionam mais.” Dou outro passo. “E se continuar insistindo nisso… eu conto para todo mundo como você conseguiu sua carreira.”
A respiração dela falha.
“Tenho certeza de que a imprensa vai adorar ouvir essa história.”
Por um segundo, vejo o pânico nos olhos dela. A boca dela se entreabre. Ela dá um pequeno passo para trás.
Minha mãe reage imediatamente, como a salvadora dos oprimidos. A mão dela se fecha com força.
“Não a ameace!” Ela se encaminha em minha direção." Emily já explicou por que fez aquilo. Já era para você ter esquecido essa bobagem.”
Eu bufo, colocando as mãos no bolso, e encaro as duas. Um sorriso cínico se forma no meu rosto.
“Quem não esquece é a sua protegida.” Emily abaixa o olhar, mas eu conheço esse teatro.
“Ela fez a merda”, continuo. “E agora fica correndo como um cachorrinho atrás de mim para limpar. Por quê Ah, porque eu me tornei juiz. Ela achou que eu queria o lugar dela, mas eu sempre fui melhor que ela. Porque sempre tive meus objetivos bem claros. Enquanto a ganância dela não a deixa subir para canto algum.”
Dou de ombros.
“Ela não entende que acabou e que agora eu tenho uma mulher de verdade ao meu lado." Olho direto para ela. “Eu não vejo mais nada em você há muito tempo.” Minha voz fica ainda mais fria.
"André..." sua voz sai num gemido.
“E agora que percebeu que não tem mais qualquer jeito de voltar para a minha vida…” Inclino a cabeça. “…está tentando nos atormentar.”
Ela levanta os olhos. As lágrimas começam a escorrer.
Minha mãe imediatamente fica furiosa.
“Está vendo o que fez?” Ela aponta para mim. “Seu menino atrevido!” Ela abraça Emily. “Você está fazendo a Emily chorar.” Reviro os olhos. “Peça desculpas agora mesmo.”
"Pedir desculpas? Pelo quê Por dizer a verdade?" Dou risada e Laís também.
Minha mãe vira o olhar para ela, irritada, mas antes que ela diga qualquer coisa, seguro a mão da minha mulher, entrelaçando nossos dedos, e a encaro. Laís é como um ar fresco em uma fornalha.
“Vem.” Laís concorda sem mesmo saber o que estou propondo. “Vou te mostrar a casa.”
"André, por favor, vamos conversar..." Emily fala, chorosa, amparada pela minha mãe.
"O que tínhamos para conversar, foi falado anos atrás na assinatura do divórcio."


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