Laís
Eu nunca achei que anunciar um relacionamento fosse me deixar nervosa.
Já enfrentei tribunal cheio. Já debati com promotores que tentavam me esmagar com títulos e arrogância. Já defendi cliente sabendo que qualquer palavra errada podia destruir uma vida.
Mas nada disso parecia tão desconfortável quanto aquela reunião.
Estou parada na ponta da mesa da sala de conferências, os dedos apertando um ao outro enquanto observo o pessoal do escritório entrando aos poucos.
Todos parecem curiosos. Alguns cochicham. Outros tentam disfarçar. Claro que tentam.
Depois do escândalo na recepção mais cedo, ninguém ali estava alheio ao que tinha acontecido.
E agora André tinha convocado todo mundo para uma reunião.
Respiro fundo.
“Você está pensando demais.”
A voz dele vem baixa ao meu lado.
Olho para ele.
Ele está encostado na cabeceira da mesa, completamente tranquilo. Como se anunciar um casamento no meio do escritório fosse a coisa mais simples do mundo.
Reviro os olhos.
“É fácil para você.”
“Por quê?”
“Porque você não está imaginando todas as coisas que essas pessoas podem estar pensando.”
Ele ergue uma sobrancelha.
“Eu imagino.” Cruzo os braços.
“E?”
“E não me importo, desde que o resultado seja eu e você juntos."
Ele diz isso com tanta naturalidade que quase me faz rir.
Antes que eu responda, a última pessoa entra na sala e fecha a porta.
O murmúrio diminui.
Todos olham para André. Ele se endireita e a presença dele muda completamente o clima da sala.
É impossível ignorar.
“Obrigado por terem vindo.”
A voz dele é calma.
“Imagino que muitos aqui estejam curiosos sobre o que aconteceu mais cedo.”
Algumas risadas tímidas surgem.
Uma das recepcionistas fica vermelha na hora.
Eu sorrio para ela, tentando tranquilizá-la.
André continua.
“Quero deixar uma coisa muito clara.” Ele olha para cada pessoa na sala.
Um por um.
“Vocês fizeram exatamente o que deviam.”
As duas recepcionistas se entreolham.
Ele aponta discretamente para elas.
“Vocês protegeram o escritório. Protegeram a equipe. E seguiram as regras.”
O tom dele é sério agora.
“E ninguém aqui será repreendido por isso.” Vejo o alívio imediato no rosto delas.
Uma delas até suspira.
“Na verdade,” André continua, “eu espero exatamente esse tipo de atitude de todos vocês. Pessoas como aquela senhora, não serão toleradas aqui. Exijo respeito por parte de todos, e caso não aconteça, quero ser notificado imediatamente.”
Ele cruza os braços.
“Este escritório é um ambiente profissional. E ninguém, absolutamente ninguém, entra aqui tentando intimidar a equipe.”
Os olhares na sala se voltam discretamente para mim.
Acho que todos já entenderam quem era a tal visitante.
André faz uma pequena pausa.
"Quero que saibam que independente do cargo u posição social, eu não diferencio ninguém. Todos vocês são parte importante desse escritório e quero que permaneça assim."
Então, olha para mim e meu coração acelera.
“Existe outro motivo para essa reunião.”
Prendo a respiração.
“Quero esclarecer algo que já deve estar circulando como rumor pelos corredores.” Algumas pessoas riem baixo.
Ele se aproxima um pouco mais de mim e coloca sua mão na base da minha cintura.
E então diz, com toda a tranquilidade do mundo:
“A doutora Laís não é apenas minha colega de trabalho.” Sinto todos os olhos na sala se voltarem para mim. Meu rosto esquenta.
André pega minha mão.
“Ela é minha esposa.”
Por um segundo, o silêncio domina a sala.
Então alguém solta um pequeno “uau”.
Outro alguém começa a bater palmas.
E de repente a sala inteira explode em comemoração.
Alguns assobiam. Outros riem. Uma das assistentes quase pula da cadeira.
“Vocês estão falando sério?” Alguém pergunta.
Eu rio, meio sem graça.
“Estamos.”
Um dos advogados mais antigos levanta a mão.
“Espera aí… vocês se casaram quando?”
Olho para André.
Ele sorri.
“Vegas.”
A sala inteira reage ao mesmo tempo.
“VEGAS?!”
“Vocês estão brincando!”
“Meu Deus, isso é incrível!”



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