Emily
Eu entendi. No momento em que vi a expressão daquela mulher na recepção… eu entendi.
André tinha se casado. Aquele filho da puta tinha me trocado.
Se casado com ela. Laís. Aquela maldita zé ninguém.
"O que você viu nela, seu idiota? Você é meu!"
Eu entro no apartamento como um furacão, jogando a bolsa no sofá antes mesmo de fechar a porta. O silêncio do lugar só me deixa mais irritada.
Como isso aconteceu? Como eu perdi o controle da situação?
Pego o celular e disco o número de André. Uma vez. Duas. Três. Quatro.
Nada.
Franzo a testa e tento novamente. A ligação nem chega a chamar.
Bloqueada.
Por um segundo, eu fico parada, encarando a tela.
"Ele me bloqueou?"
André nunca faria isso. Nunca fez. O que que mudou?
Meu coração começa a bater mais forte.
“Filho da puta…”
Levanto a cabeça.
“Fred.”
Meu segurança aparece na porta do corredor.
"Senhora?"
“Me empresta seu celular.”
Ele hesita por meio segundo, mas entrega.
Disco o número de André novamente.
Dessa vez, chama. Demora alguns toques até ele me atender. Quando ele finalmente o faz, eu já estou explodindo.
“COMO VOCÊ FOI CAPAZ DE SE CASAR COM OUTRA PESSOA?”
Silêncio.
Nenhuma resposta. Nem uma palavra. A ligação simplesmente cai.
Ele desligou.
Eu fico parada no meio da sala, o celular ainda colado ao ouvido. Tentando entender o que aconteceu... André nunca fez isso comigo.
Nunca foi capaz de me afastar dessa forma.
O que aconteceu com ele?
Meu peito sobe e desce rápido.
Então a imagem de Laís volta à minha cabeça. O sorriso dela. O olhar de desprezo. As palavras.
Você não pode se casar com o senhor Bayron… porque ele já é casado.
Aquela vadia.
Ela roubou ele de mim.
E ainda teve coragem de me humilhar na frente de todo mundo.
Meu maxilar aperta. Não. Isso não vai ficar assim.
Pego meu celular novamente.
Se André não quer falar comigo… tudo bem.
Existe outra pessoa. Alguém que sempre esteve do lado dele e que vai me ajudar a colocar juizo na cabeça dele.
Disco o número do Cássio no mesmo instante.
O telefone toca duas vezes.
“Eu estava mesmo me perguntando quanto tempo você demoraria para ligar.”
A voz dele vem carregada de ironia.
Por um segundo, acho que é coisa da minha cabeça.
Respiro fundo.
“Quanto tempo, senhor juiz.”
Tento soar sedutora. Mas estou tão irritada que mal consigo fingir.
"Não o suficiente." Aquela alfinetada não passa despercebida.
“Cássio, eu preciso da sua ajuda.” Silêncio. “Cássio… o André me afastou. Eu estou tentando falar com ele, mas... ele não me atende. Fui à empresa dele e fiquei sabendo de umas coisas..."
Minha voz sai mais fraca do que eu gostaria.
“Ele se...casou?” A vulnerabilidade em minha voz é mais real do que eu gostaria.
Do outro lado da linha, Cássio começa a rir.
Não é um riso divertido.



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