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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 15

Branca Oliveira

Levei a mão à boca no mesmo instante, abafando o grito antes que ele escapasse. Meu corpo inteiro reagiu como se tivesse sido arrancado de um pesadelo direto para outro.

"O que você está fazendo aqui?", sussurrei, ainda tentando entender se aquilo era real.

Ele não respondeu de imediato.

Ergueu a mão devagar e, com o polegar, enxugou a lágrima que ainda escorria pelo meu rosto. O toque foi rápido, quase cuidadoso demais para alguém como ele.

"Quem é Pedro?" seus olhos se voltaram para os meus.

Meu coração falhou uma batida.

Meus olhos se arregalaram e eu me afastei de uma vez, levantando da cama como se o colchão tivesse queimando. Precisava de ar. Precisava sair dali antes que o desespero me engolisse e eu acabasse acordando a menina.

Caminhei até fora do quarto, respirando fundo, passando as mãos pelo rosto, tentando apagar qualquer vestígio daquele momento. Do choro. Do toque dele. Do medo que eu senti por não salvar meu filho de novo.

Então senti a presença de novo. Ele estava atrás de mim.

Não me virei. Não tinha por quê.

Eu não sabia se sentia medo, raiva ou vergonha. Talvez tudo ao mesmo tempo. Nunca imaginei que ele me veria assim. Fraca. Quebrada. Desarmada.

Cássio sempre me desafiou, e eu sempre respondi à altura. Mas agora? Eu era só a mulher destruída, que vivia escondida dentro do meu peito.

"O que você está fazendo aqui?", repeti, a voz mais baixa do que devia. "Eu disse que estava tudo sob controle. Não precisa se preocupar."

Ele estendeu a mão ao meu lado.

A babá eletrônica.

"Eu ouvi você chorando." A voz dele estava baixa. Diferente. "No começo achei que fosse a Aelyn. Mas ela continuava dormindo. Foi quando percebi que era você."

Engoli seco.

Continuei sem me virar.

"Quer me contar o que aconteceu? Você estava gemendo e se debatendo."

Neguei com a cabeça devagar. O simples ato de falar parecia perigoso demais. Como se uma palavra errada fosse abrir uma represa inteira de dor.

"Não foi nada", menti. "Só tive um pesadelo. Às vezes eles vêm… e parecem reais demais. Estou bem agora, obrigada por se preocupar, mas já pode ir dormir, senhor Ravelli."

Senti a mão dele pousar no meu ombro.

Meu corpo tremeu antes mesmo que eu pudesse controlar.

"Quem é Pedro, Branca?", ele perguntou de novo. "É alguém que eu precise conhecer?"

15. Meu segredo 1

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