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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 14

Branca Oliveira

"A gente conversa amanhã", falei, mais cansada do que disposta a discutir qualquer coisa naquele momento."Já é tarde e não estou afim de brigas agora. Tudo o que eu preciso é tomar um banho. Você pode ficar com a Aelyn por alguns minutos?"

Ele me observou por um instante, como se estivesse avaliando se aquilo era mais uma exigência ou apenas uma necessidade básica.

"Posso", respondeu, seco. "Eu fico com ela. Mas não demore. Aqui não é um SPA."

"Claro que não. Se fosse, eu estaria indo para uma piscina aquecida, regada a muito champagne e com um lindo garçom me servindo." olhei por sobre os ombros e vi os olhos dele se estreitarem por um segundo, e desistindo no momento seguinte.

Nenhum de nós queria brigar.

Caminhei para dentro do closet, mas meu chefe estava parado na porta, agora entretido com o celular.

"Pode sair daqui, por favor?"

Ele arqueou uma sobrancelha, claramente incomodado.

"Você é mais mandona do que eu imaginei." ele se afastou e segurei a porta.

"É." Cruzei os braços. "Deveria ter se lembrado de como o tratei no bar. Assim saberia muito mais rápido a minha natureza adorável."

Cássio soltou um suspiro curto, deu meia-volta e se afastou pelo corredor. Assim que fechei a porta do closet atrás de mim, encostei a testa na madeira por um segundo.

"Homem chato. Insuportável. Controlador", murmurei sozinha, tentando aliviar a tensão.

Caminhei para o banheiro e tomei um banho rápido, mas necessário. A água quente escorreu pelos meus ombros levando embora um pouco do peso do dia, embora não fosse capaz de apagar tudo. Vesti um pijama simples, uma blusa de alças finas e uma calça longa de tecido leve. Prendi o cabelo num coque frouxo, mais por hábito do que por vaidade.

Quando abri a porta do closet, dei de cara com ele.

Cássio estava encostado na parede, de frente para a porta de vidro do quarto de Aelyn, os braços cruzados, a postura rígida. Parecia absorto em algum pensamento distante, tão concentrado que nem percebeu minha presença de imediato.

"Já pode ir dormir, senhor Ravelli", falei, quebrando o silêncio. "Eu não pretendo sair mais daqui hoje. Qualquer coisa eu te aviso."

Ele levantou o olhar.

E, por um segundo breve demais, senti o impacto de novo.

Os olhos dele percorreram meu corpo rápido demais para serem discretos. Avaliativos. Instintivos. Esperei o comentário atravessado, a provocação, qualquer coisa que me irritasse profundamente.

14. O mesmo sonho 1

14. O mesmo sonho 2

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