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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 16

Cássio Ravelli

Saí do quarto sem responder à Aelyn.

A fala dela ficou ecoando na minha cabeça de um jeito que eu não consegui controlar. Aquela naturalidade ao falar em outra cama. Aquela certeza de que Branca continuaria ali. Como se já fosse parte da casa. Como se fosse óbvio.

Mas eu não dormi. Passei a madrugada inteira pensando naquela mulher. No choro. No nome que escapou da boca dela, enquanto dormia. Pedro.

Se ela tinha um filho… como podia estar ali? Como conseguia cuidar da minha filha daquele jeito, com tanta entrega, tanta presença? E aquele contrato. Todo riscado. Anotado com segurança demais para alguém que, teoricamente, deveria apenas aceitar o que eu impus.

Branca me escondia coisas. Mais do que eu gostava de admitir e meu faro de juiz me dizia, que não eram coisas simples. Por isso, assim que amanheceu, pedi para Glória, minha governanta, ficar com Aelyn e a levei até meu escritório.

Ela já estava trocada. Toda arrumada e profissional e não era nem oito da manhã. Que tipo de robô ela era? Perfeita demais para alguém que chorava dormindo.

“Sente-se.”

Ela obedeceu, mas não relaxou. As costas retas, as mãos juntas no colo. Atenta. Como alguém acostumada a se defender.

Fui direto ao ponto.

“Onde está seu filho?”

Ela não respondeu de imediato. Olhou para baixo. Apertou os próprios dedos com força, como se aquele gesto fosse a única coisa que a mantinha de pé.

Pelo jeito que respirou, pelo choro da noite anterior, pela reação ao ouvir o nome… eu já sabia que a resposta não seria simples.

Mesmo assim, insisti.

“Por favor, Branca. Só responda minha pergunta.”

Ela levantou os olhos.

E ali eu vi tudo.

Dor. Medo. Um sofrimento cru, sem maquiagem, sem ensaio. Os olhos verdes dela não desviaram dos meus, mas também não me enfrentaram. Era outra coisa. Algo mais fundo.

“Se você não me contar o mínimo sobre você”, continuei, com a voz mais baixa, “como posso confiar a minha filha aos seus cuidados? Como posso deixar o bem mais precioso que eu tenho nas mãos de alguém que se recusa a ser transparente?”

Ela mordeu o lábio inferior, pensando no que falar. Seus gestos eram claro demais para mim.

“Eu perdi meu filho, juiz Ravelli. Não tem muito mais o que contar.”

A frase caiu como um peso no ambiente.

Me levantei e me sentei na beirada da mesa, de frente para ela, sem perceber o quanto aquilo era íntimo demais.

“Se você prestar um bom serviço para mim”, falei devagar, calculando cada palavra, “talvez eu possa rever o seu caso. Ver o que pode ser feito. Posso tentar te ajudar a ter a guarda dele de volta.”

Ela sorriu de lado, "Isso não é possível, nem mesmo para o senhor. Só vamos esquecer essa história." A voz saiu firme, sem histeria. Definitiva de um modo que eu não conseguia entender.

Ela se ergueu rápido demais, como se ficar ali fosse insuportável. Quando tentou se afastar, meu corpo reagiu antes da razão, e segurei seu braço por puro impulso.

16. Esclarecimentos 1

16. Esclarecimentos 2

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