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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 119

André

Eu estava encostado na parede ao lado do elevador, braços cruzados, tentando fingir que olhava o celular, mas na real só esperava ela. O saguão do hotel estava cheio de gente voltando do congresso, risadas altas, crachás pendurados no pescoço, mas nada disso importava. Quando as portas do elevador se abriram, eu levantei os olhos e... puta merda.

Foi como levar um soco no peito.

Laís saiu como se o mundo inteiro tivesse sido feito pra assistir. Vestido branco colado no corpo, mais justo que o da noite da balada, mais curto, mais perigoso. O tecido brilhava sutilmente sob as luzes do saguão, abraçando cada curva que eu já conhecia de cor e que, mesmo assim, me deixava sem ar toda vez. O decote discreto na frente, mas as costas... as costas eram quase nuas, só uma tira fina cruzando os ombros. Por cima do braço, um sobretudo, para guardar aquilo que tinha sido feito para provocar. Os saltos finos esticavam as pernas dela de um jeito que fazia qualquer homem virar a cabeça.

E ela fez exatamente isso.

Vários olhares se viraram na direção dela enquanto ela caminhava. Eu senti cada um deles como se fossem facadas. O ciúme veio violento, irracional, queimando no estômago e descendo mais baixo. Quem ela achava que era pra sair vestida assim sem mim? A pergunta idiota ecoou na minha cabeça antes que eu pudesse raciocinar. Ridículo. Ela não era minha. Não era de ninguém. Mas naquele segundo, eu queria que fosse.

Ela me viu. Parou por meio segundo. E sorriu.

Aquele sorriso lento, cúmplice, que dizia "eu sei exatamente o que estou fazendo com você".

"Demorei?" ela falou, aproximando-se com passos deliberados, o quadril balançando de leve.

O cheiro dela me acertou antes mesmo do toque. Perfume limpo, quente, com um fundo doce que eu já associava a pele dela, a lençóis bagunçados, a gemidos abafados. Respirei fundo, tentando não deixar transparecer o quanto meu corpo já estava reagindo.

"Gostaria que você tivesse imaginado que eu viria e por isso trouxe esse vestido para a viagem...", falei, a voz rouca apesar do esforço.

Ela arqueou a sobrancelha, parou bem na minha frente e girou devagar, exibindo o vestido inteiro. O tecido subiu um pouquinho na coxa. Meu olhar desceu antes que eu pudesse impedir.

"Não imaginei", respondeu, voltando a me encarar com um brilho malicioso nos olhos. "Mas eu sempre ando preparada."

Ri baixo, sem humor, porque era isso ou agarrá-la ali mesmo no meio do saguão.

"Pra me matar, só se for. Só estou decidindo se é de raiva ou de ciúmes."

Ela se aproximou mais um passo. O espaço entre nós era quase inexistente.

"Relaxa, juiz. Hoje nós só vamos nos divertir."

A palavra "divertir" saiu da boca dela como uma promessa. Meu sangue acelerou.

Caminhamos ate o carro que eu tinha alugado, e dirigi tentando não olhar para ela o tempo todo, até o cassino. Não qualquer um. O Bellagio. Luzes douradas explodindo por todos os lados, lustres gigantes refletindo mil cores, o som incessante das máquinas caça-níqueis, risadas altas, música eletrônica pulsando no fundo como um coração acelerado. Laís parou na entrada, olhos arregalados, boca entreaberta.

"Meu Deus... isso é insano", murmurou, quase sussurrando.

Eu adorei aquilo. Adorei ver ela assim: deslumbrada, viva, sem filtro. Passei a mão pela lombar dela, um toque que começou como guia, mas virou posse. A pele quente através do tecido fino. Ela não se afastou. Pelo contrário: encostou de leve no meu corpo por um segundo, como se testasse.

"Bem-vinda a Vegas, doutora."

Comprei fichas. Entreguei metade pra ela.

"É simples: você escolhe onde quer começar, e aposta o que achar necessário."

Ela riu alto, jogando a cabeça pra trás.

"Então eu vou arrasar."

E arrasou... em perder.

Errava todas as apostas. Apostava no vermelho quando saía preto, no preto quando saía vermelho. Comemorava vitórias imaginárias. Bebia martini como se fosse água. Toda vez que perdia, virava pra mim, se jogava no meu braço, pendurava no meu ombro, o corpo colando no meu enquanto apontava pra mesa: "Olha isso, André, eu juro que tava ganhando!"

Eu ria. Bebia. Observava cada detalhe: o jeito que o cabelo caía no ombro dela, o batom vermelho marcando o copo, o jeito que ela mordia o lábio quando concentrava.

119. Cassino 1

119. Cassino 2

119. Cassino 3

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