Capítulo 81 – Minha família.
Noah Blake
Depois da minha conversa com a “minha filha”, Ju e eu estávamos tendo um momento nosso, um daqueles que eu não confesso, mas eu aprendi a amar. Então Ava apareceu anunciando visita que eu não esperava, e quando a tal “visita” cruzou a porta do elevador que só eu autorizo a entrada, e eu nem mesmo tinha conhecimento, a fúria me tomou.
— Bom dia, querido primo. — ela disse com ironia, e uma pitada de malícia.
— Se tornou um péssimo dia a partir do momento em que entrou no meu apartamento sem ser convidada. — Minha voz saiu afiada. Marcela parou por um instante, ela sabia as consequências em me desafiar, mas logo em seguida fingiu não se importar.
— Bem, somos primos. Achei que não precisava dessas formalidades.
— Indiferente do nosso laço, não tem autorização para aparecer quando quer. — Juliet ainda estava ao meu lado, meu braço em volta de sua cintura. Mas a tensão emanava de seu corpo.
— Peço desculpas por isso, mas já que estou aqui. Não vai me apresentar a moça? — me perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.
— Se bem me lembro, no dia em que apareceu na empresa, sem autorização... vocês se conheceram. — Ela balançou a mão no ar, como se o que eu tivesse dito fosse besteira.
— Aquilo não conta. — ela se aproximou de nós e estendeu a mão à minha mulher. — Marcela Sinclair, prima do Noah. E você deve ser a Juliet Pierce.
Juliet pegou a mão de Marcela educadamente.
— Prazer em conhecê-la, Marcela.
— Prazer… — Marcela fez uma pausa de propósito. — O prazer é meu. — Juliet soltou a mão dela.
— Não me lembro de mencionar o nome da minha mulher. — eu disse, puxando a Ju mais para mim, precisava me controlar porque a vontade de colocar Marcela no lugar dela estava me corroendo.
— Você não, mas Ava sim.
— Claro que sim. — Juliet disse com ironia. E meu olhar foi até Ava, que por instinto deu um passo para trás.
— Quer me explicar, Ava, o motivo de falar da minha mulher para Marcela?
— Senhor… é que ela ligou, e eu… eu… contei que tinha visitas. — A mulher gaguejava e o desespero dela chegava a ser palpável.
— Sem exageros, querido, eu queria te ver e ela me contou que a casa estava cheia. — Marcela disse, tentando justificar a atitude da minha governanta.
— Guarde o querido para outro, e ela não é paga para falar da minha vida, e sim para manter minha casa limpa e organizada. — respondi a Marcela, irritado, depois me voltei para Ava. — Retire-se, conversaremos mais tarde. Mas já esteja ciente, Ava, não será uma conversa agradável.
— Sim, senhor. — a mulher saiu envergonhada.

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