Capítulo 62 – Encrenca
Christopher Lawson
Talvez eu realmente tenha passado do ponto em relação ao Noah, mas essa “encrenca” não tinha o direito de me desafiar desse jeito. Mas não posso mentir, que isso de alguma maneira mexeu comigo. Penélope é uma mulher linda e de uma personalidade perturbadora. E sem dúvidas, completamente o oposto da Ju, mas mesmo assim mexeu comigo.
Decidi levar essa encrenca para longe daqui, eu sabia que era isso que ela queria, assim como eu, mas antes de sairmos, trombei com a Juliet, e vi o pavor estampado em seus olhos, seu rosto, droga, até o corpo dela mostrava medo.
Descobri que o maldito do ex dela estava de volta, a atormentando e ameaçando levar as crianças, e eu estou doido para mostrar para esse cretino que isso não vai acontecer. Noah e eu nos conhecemos há anos, ele sabe o que eu fazia para viver, dos meus “contatos” e me pediu para deixá-los em alerta.
Nos separamos, cada um com uma função específica e eu segui para o apartamento da Ju, para deixar a cara do maldito conhecida por aqui, e claro que trouxe a Penélope comigo.
— Qual o problema? — perguntei a ela, ainda com os olhos presos no trânsito.
— Nenhum… — me disse com indiferença, a conheço apenas há algumas horas, mas era o suficiente para saber que ela estava mentindo.
— Vamos lá, encrenca, diz logo! — Ordenei em um tom autoritário.
— Não sei se deveria ter vindo com você, não sou da família, conheço a Ju só do clube.
Parei no semáforo e a encarei.
— Você não pareceu se importar com isso minutos atrás quando falou aquelas coisas para mim?
— Lawson, você estava agindo como um babaca, não preciso ser da família para te mostrar isso. — ela respondeu, revirando os olhos para mim. Por impulso, segurei seu queixo a obrigando a me encarar.
— Revirou os olhos pra mim? — Ela arqueou uma das sobrancelhas, e entendi o recado. — Você realmente é bem malcriada.
Penélope aproximou o rosto do meu, pairando bem os lábios nos meus.
— Não estamos em uma cena, Lawson. — me disse de forma provocativa.
— Isso não me impede de te castigar.
— Me castigar? Você nem é meu Dom…
Prendi meus olhos nos dela, Penélope tem os olhos castanhos tão intensos que nos hipnotizam. Meus lábios levantaram em um meio sorriso, os levei até seu ouvido.
— Ainda não… — respondi, ouvi buzinas chamando minha atenção, o sinal estava aberto. Voltei a dirigir, mas pelo canto dos olhos eu a via sorrir. Pelo visto a “encrenca” tinha gostado da ideia de ser minha.
Paramos em frente ao apartamento da Ju, soltei meu cinto e voltei minha atenção a latina intrigante ao meu lado.
— Quer descer?
— Não, ainda nem mesmo entendi o que estou fazendo aqui. — levei a mão ao rosto dela, e coloquei os cabelos caídos atrás de sua orelha.
— Me fazendo companhia, considere isso seu castigo por ser respondona.
— Quando disse que eu seria castigada, imaginei outra coisa… — me disse com um sorriso.
Essa mulher era realmente uma encrenca.
— Nem irei perguntar o castigo que espera. — respondi rindo, e ela me acompanhou e por um segundo me perdi naquele sorriso, seus lábios cheios eram bem convidativos e acabei não resistindo.
Levei a mão até sua nuca e a puxei para um beijo, e claro que ela não recuou, pelo contrário, me retribuiu na mesma intensidade, como se estivesse esperando isso o tempo todo.
A boca dela era quente, firme, atrevida. O tipo de beijo que não se mendiga, se disputa. E foi isso que fizemos. Nossos lábios duelaram como se a tensão entre nós finalmente tivesse encontrado sua válvula de escape.
Minha mão escorregou pela lateral do seu pescoço até sua cintura, puxando-a com mais força para mim. E foi ela quem se moveu primeiro, e sem aviso, soltou o cinto, virou o corpo e se jogou sobre meu colo, uma perna de cada lado, sentando-se ali como se aquele fosse seu lugar desde sempre.

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