Capítulo 19 – Algum problema?
Juliet Pierce
Tentei mostrar que a presença dele não me afetava, continuei mantendo aquele momento leve ao lado de Atlas e Declan. Mas sentia o olhar dele em mim, e também o desconforto pela minha interação com os outros, principalmente com Atlas.
Quando Declan me chamou para ajudá-lo, eu queria recusar, mas o dinheiro seria bem-vindo. Olhei para Atlas que, com um sorriso e um aceno, me incentivou. E acabei aceitando. Sabia que isso ficaria na minha cabeça o final de semana inteiro, já não basta lidar com Noah no clube, teria que lidar com ele em sua empresa.
Atlas precisou ir embora, notei a urgência, mas não o questionei. Fiz uma anotação mental para lembrar de mandar uma mensagem para ele mais tarde, para saber se estava tudo bem.
Declan se ofereceu para me acompanhar, mas Noah não deixou. Simples assim, como se a decisão fosse dele, e no final foi. Fomos até seu carro e, assim que entramos, ele pediu meu endereço.
Eu já não queria que ele me levasse até o metrô, quanto mais até minha casa. Já tinha tido muito do Noah por uma tarde. Só que o senhor Blake parece ter uma dificuldade em entender algumas coisas e, quando recusei dar meu endereço, ele disse:
— Juliet, me passe seu endereço. Se não o fizer, tenho meus meios de conseguir.
Eu o encarei, e de verdade, depois do George, jurei para mim mesma que não toleraria mais alguns comportamentos e atitudes de pessoas ao meu redor.
— Sabe que ainda posso descer do carro. — Eu o avisei.
Ele foi até o painel, apertou o botão e logo ouvi que as portas travaram.
— Vamos lá, senhorita Pierce… Quero ver você tentar. — Ele me disse com um sorriso malicioso.
— Acha mesmo isso necessário? — perguntei irritada.
Ele ligou o carro, virou para mim novamente.
— Se não me der o endereço da sua casa, te levo para a minha.
Senti meu rosto esquentar, e dessa vez não era o efeito do vinho. Coloquei o cinto, cruzei os braços, e mesmo bufando de raiva, dei meu endereço para ele.
Nos primeiros minutos, a viagem foi silenciosa, o ar dentro do carro era quase palpável. Acabei não resistindo e puxei assunto, pois sabia que seria uma longa viagem.
— Há quanto tempo vocês três são amigos? — Ele desviou os olhos da estrada por um instante e me respondeu.
— Crescemos juntos. — Ele disse em um tom firme.
— E você e Samy?
— Há alguns meses, mas parece que foi a vida toda. — Respondi com um sorriso, me lembrando do dia em que nos conhecemos. Assim que me mudei, ela bateu na minha porta, entrou como se a casa fosse dela e, desde então… nunca mais nos separamos.
— É possível notar a conexão de vocês. — ele disse ainda em um tom sério.
— Nós duas fomos amor à primeira vista. — Respondi com um sorriso.
— Você é de Cambridge, ou só viveu lá no tempo da faculdade?
— Eu sou de Greenville, na Carolina do Sul. Assim que me formei, eu me casei, e depois fui viver em Charleston. — Desviei o rosto quando me dei conta do que havia dito. Essa era uma parte da minha vida que eu queria esquecer, apagar de vez.
Charleston, George, a família Monroe.
Noah percebeu meu desconforto e acabou mudando de assunto.
— E seus filhos, quantos anos têm?
— Meu menino, Heitor, faz sete anos em algumas semanas. Minha pequena Laurinha tem cinco. — Falar dos meus bebês sempre aquecia meu coração.

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