Capítulo 131 — Por todos os dias de nossas vidas (pt II)
Atlas Wilson
Pedi para Elijah continuar, mas eu o conhecia, e a verdade é que eu não estava preparado para o que veio a seguir.
— Seus exames apontaram anemia, e infelizmente não é uma simples anemia por conta da gravidez. Acredito que você já tinha essa condição, e agora com o bebê, os dois dividindo tudo, isso se agravou.
— Anemia? — Samantha perguntou confusa.
— Exato, é uma condição na qual o organismo não consegue produzir glóbulos vermelhos saudáveis em quantidade suficiente ou a quantidade de hemoglobina no sangue é muito baixa. Isso impede o transporte adequado de oxigênio para os tecidos e órgãos do corpo, resultando em sintomas intensos.
— Você disse que é uma condição que ela já tinha, e com o bebê, se agravou? — perguntei tentando entender os riscos para ambos.
— Sim, vou tentar explicar de uma forma simples. — ele começou e senti a mão da Samantha tremer sob a minha. — Durante a gravidez, as necessidades de ferro aumentam muito para suprir a mãe, a placenta e o bebê. Imagine que o sangue da senhorita Jones é um “rio” que leva oxigênio e nutrientes para todo o seu corpo e, na gravidez, também para o bebê, ou seja, os dois usam o mesmo rio.
Eu olhava atentamente para o médico, e não larguei a Sammy nem por um segundo.
— Ok, eles dividem os mesmos nutrientes, e ela está em déficit disso, é só repor então?
— Esse é o tratamento sim, Atlas, mas não é tão simples. Existem riscos reais na condição em que ela se encontra.
— Riscos? — minha mulher perguntou com uma voz doída, e aquilo me destruiu.
— Sim, preciso ser honesto com vocês, somos uma equipe agora, jogamos no mesmo time, o que significa que serei sempre sincero para que possamos trabalhar juntos em benefício de ambos, mãe e bebê.
Samantha e eu assentimos, e ele continuou.
— Vamos aos riscos. Para a mãe: maior risco de infecções, dificuldade de recuperação pós-parto e menor tolerância a sangramentos durante o parto. — Vi minha mulher prender o ar, sabemos que nada vai acontecer de ruim no parto, mas se acontecer... ela corre risco de vida. Elijah continuou. — Para o bebê: risco de nascimento prematuro, baixo peso ao nascer e, em casos muito graves, problemas no desenvolvimento neurológico a longo prazo.
— Não… — Samantha disse chorando, e mais uma vez apertando minha mão com força.
— Lembra, Samantha. — o médico disse. — Somos um time, e não estou falando nada disso para assustá-la, e sim para trabalharmos juntos nos cuidados.
— Ele está certo, amor, por favor, se acalme. — falei, puxando o rosto dela até o meu e encostando sua testa na minha. Aos poucos ela foi se tranquilizando, e eu me voltei ao Elijah.
— O que faremos agora?
— Iniciaremos o pré-natal, a princípio nos veremos toda semana em meu consultório para exames e avaliações. — Assenti. — Ela precisa de suplementação, nos próximos dois dias será feito aqui no hospital, intravenoso, depois comprimidos diários administrados em casa.
— Faremos isso. — garanti.
— E dieta, melhorar a alimentação com fontes de ferro. Isso ajuda, mas no caso dela, a suplementação e o acompanhamento serão o primordial. O último caso, é a transfusão, mas como eu disse, só em último caso.
Samantha ouviu tudo atentamente, mas não parou de chorar um segundo sequer, e confesso, que minha vontade era fazer o mesmo. Eu ia ser pai, e estava feliz para caralho por isso, mas minha mulher corria riscos… e meu pequeno também.
— Bom, vou deixá-los agora. Atlas, não hesite em me ligar se necessário, caso não consiga falar comigo, a traga para o hospital. Peque pelo excesso sempre, mas nunca pela falta dele. — o médico me advertiu antes de sair.

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