Capítulo 123 — Quem já está ferido
Juliet Pierce
Achei que eu só tinha que lidar com algumas “garçonetes ousadas”, mas quando ouvi a voz da Ashley, percebi que o problema era muito maior. Me virei com cuidado para encará-la, ela continuava a mesma loira arrogante e insuportável de sempre.
— Ashley Fletcher, se eu dissesse que é um prazer revê-la, estaria mentindo. E não sou mais Monroe há meses, se dirija a mim como Pierce.
— Olha só, ela agora responde. — ela me disse em deboche, e Sammy deu um passo em sua direção, mas segurei de leve seu braço.
— Não só respondo, como sou eu quem mando. E se quiser ter a oportunidade de ser “minha garçonete” nesta noite. — dei um passo, fechando a distância entre nós. — Comporte-se.
— Você quem manda? — ela perguntou, arqueando a sobrancelha. Foi nesse momento que Noah apareceu.
— Tudo bem, amor? — ele perguntou, parando atrás de mim. Notei os olhos de Ashley brilharem ao ver meu namorado.
— Boa noite, senhor Blake, não sei se lembra de mim. Nos conhecemos no Hell Club. — ela disse em um tom arrastado, tentando soar sedutora.
— Não me lembro. — ele respondeu seco. Noah me virou para olhá-lo. — Então, elas estão aptas ao serviço?
As outras meninas, Lara e Amber, me olhavam com expectativa enquanto Ashley mantinha a postura de sempre. Ela achava que faria comigo o que fez por sete anos, mas tinha que lembrá-la que hoje ela era somente uma garçonete, enquanto eu? Era a mãe dos filhos do dono.
— Amber e Lara sim. — notei as duas soltarem o ar que pareciam estar segurando. Voltei a me aproximar da Ashley. — Já a senhorita Fletcher, não sei, talvez para a filha de um dos homens mais ricos de Charleston, acho pequeno demais.
Ela ficou sem graça, mas nesse momento eu tinha a oportunidade de me vingar dela pelo que fez comigo na última vez que nos vimos.
— Ah, claro, que cabeça a minha. Me esqueci completamente que seu pai perdeu tudo, metade para a amante e a outra metade para o governo. Lembra do que me disse no nosso último encontro? — vi ela fechar as mãos em punhos. — Que eu merecia cada tapa do George, cada surra, porque alguém como eu não merecia viver e muito menos respirar o mesmo ar que você.
Senti a mão de Noah em minha cintura, um gesto simples, mas que era o suficiente. Pois era ele me dizendo que estava ali comigo.
— Bem, você está certa em uma coisa, eu mereço muito mais que respirar o mesmo ar que você. — Olhei para Caio. — Chame o Wolf. — Ele assentiu, e em menos de dois minutos Wolf estava ali.
— Algum problema, Juju? — ele me perguntou.
— Wolfizinho, pode por gentileza acompanhar a senhorita Ashley Fletcher para fora. Ela não está apta a ser nossa garçonete.
— Pode deixar.
— Juliet, por favor. Eu preciso desse emprego, você está certa, eu estou falida… e eu… eu. — Mas não a deixei terminar.
— Eu também precisava da sua ajuda naquele dia. George, me bateu até fraturar minhas costelas. E o que você fez? Me deixou no chão, não me estendeu a mão e ainda disse que eu merecia. — senti meus olhos se encherem de lágrimas. — Eu não vou dizer que você merece o que está passando, mas que precisa aprender a nunca mais chutar quem já está ferido.
— E não é isso que você está fazendo comigo agora? Me chutando?
— Não, Ashley, porque você ainda está de pé.
— Vamos, senhorita. — Wolf a chamou, e ela, relutante, não teve outra opção a não ser ir.
— Caio, leve as meninas para o bar, e lembre-se, problemas, sou eu quem resolvo.
— Pode deixar, Ju, vamos meninas.
Assim que todos saíram, senti minhas pernas amolecerem.
— Ju! — Noah disse, se agarrando a mim.
— Eu estou bem, amor, só não estava preparada para isso.
— Amiga, você arrasou, eu jamais teria conseguido fazer algo assim. — Sammy disse me dando um abraço.
— Ok, você precisa descansar. Acho melhor irmos embora. — Noah falou.

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