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Cinzas de um Amor Que Você Matou romance Capítulo 285

A expressão de Tainá era de puro choque.

Ela havia percebido de imediato que, na frase de Mário, não havia o pronome "com você".

Ou seja, se ele decidisse se casar para cortar suas próprias esperanças e fugir daquela situação movido pela raiva, a pessoa... poderia não ser ela?

Mário olhou para ela com olhos serenos, afirmando com muita tranquilidade:

— De qualquer forma, não será você.

Ao ouvir isso, Tainá arregalou os olhos e perguntou:

— Por quê?

Ele parecia tão sincero, de uma sinceridade tão grande que Tainá sequer se sentiu ofendida pelas palavras, sentindo apenas incompreensão. Por quê?

— Tainá. — disse Mário. — Eu não posso te machucar. Por isso... com certeza não será com você.

Tainá, obviamente, compreendeu. O desespero tomou conta dela no mesmo instante, e ela se apressou a dizer:

— Mas não é machucar, para mim não seria machucar. Eu estou disposta. Eu juro, seria apenas me casar com você. Nós poderíamos continuar assim, desse jeito, pela vida toda. Sem falar de sentimentos, sem contato físico.

— Podemos até viver assim para sempre, não precisamos nem ter filhos se não quiser. E se quiser, podemos fazer isso sem nenhum toque, por fertilização in vitro!

A medicina já estava avançada o suficiente. Poderiam usar espermatozoides e óvulos, criar um embrião in vitro e transferi-lo para ela.

Tainá, com os olhos rasos d’água, olhou suplicante para Mário.

— Eu estou disposta a fazer tudo isso por vontade própria!

Mário sorriu para ela e disse:

— Mas eu não estou disposto.

Tainá sentiu como se tivesse sido atingida por um raio. Nem assim... ele queria?

— Porque... — Mário explicou, — o dano que isso causaria a você seria grande demais. Por isso, não estou disposto.

Se Tainá não tivesse sentimentos por ele, ele até aceitaria. Mas ele sabia muito bem que os sentimentos que Tainá nutria por ele... eram muito profundos. Por isso, ele definitivamente não queria machucá-la dessa forma.

As lágrimas de Tainá começaram a rolar como uma nascente inesgotável, era impossível segurar.

Ele era... franco demais, de uma sinceridade que deixava a pessoa sem saber o que responder. Era como se todas as portas fossem fechadas com argumentos irrefutáveis.

Também era honrado demais, deixando-a sem saber como reagir...

Tainá não conseguiu articular uma palavra sequer. Por fim, apenas perguntou:

— Então... você realmente faria isso? Realmente iria... procurar alguém completamente aleatório para se casar?

Mário abaixou o olhar.

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