O sorriso no rosto do Sr. Jorge congelou.
A expressão de Sérgio Farias era ainda mais dolorosa de se ver.
Enzo Junqueira sacudia o Sr. Jorge sem parar: — Din-din, vovô Jorge, dá din-din, muito din-din.
Sérgio Farias não sabia se ia embora ou se ficava; estava completamente perdido.
Sem outra alternativa, o Sr. Jorge tirou um maço de dinheiro do bolso: — É... é o suficiente, jovem mestre?
Enzo pegou alegremente, correu até lá com passos rápidos e ergueu o dinheiro para Sérgio: — Din-din, toma, vai comer papá.
Os olhos de Sérgio escureceram e ficaram tão vermelhos que pareciam prestes a sangrar.
Ele não se moveu.
Enzo puxou a barra de sua calça, esticando-se com esforço para enfiar o dinheiro no bolso de sua roupa.
As lágrimas de Sérgio começaram a cair pesadamente. Ele se abaixou devagar: — Eu não sou...
Antes que ele pudesse terminar, Enzo enfiou o dinheiro em sua mão: — Não chora, vai, vai comer.
Sérgio engasgou em soluços, incapaz de pronunciar uma única palavra. Olhando para o rostinho inocente de Enzo, seus lábios tremeram incontrolavelmente enquanto finalmente dizia: — Está bem, obri... obrigado.
Enzo respondeu: — De nada.
O Sr. Jorge se aproximou: — Sr. Farias.
Sérgio se levantou e saiu apressado.
Mas acabou esbarrando em Mário Junqueira na porta.
Os dois se encontraram cara a cara, mas antes que pudessem dizer qualquer coisa...
Enzo pulou alegremente nas pernas de Mário como se fosse um pequeno foguete: — Papai!
As lágrimas de Sérgio caíam sem parar, como um colar de pérolas arrebentado.
Mário ergueu Enzo nos braços de uma vez só: — Bom garoto.
Sérgio continuava sem conseguir dizer uma palavra e apenas caminhou para longe.
Enzo disse: — Fome, ele tem fome. Eu... eu dei din-din pra ele.
Mário ficou surpreso por um momento, mas logo esfregou os cabelos macios do menino: — Que orgulho.
Pouco depois, o casamento começou.
Sob os olhares atentos de todos os presentes, Mário colocou a aliança no dedo de Natália Nascimento. Ele a olhou com os olhos avermelhados de emoção: — Esperei tanto por você.
Natália sentiu um nó na garganta, mas sorriu e respondeu: — Obrigada, Sr. Junqueira. Conto com você para o resto da vida.
Mário riu: — Não me atreveria a te guiar, apenas a... te venerar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de um Amor Que Você Matou