Usar três anos para dar um fim a mais de dez anos de um amor não correspondido...
E, depois, recomeçar.
Mário completou:
— Mas, não posso garantir se nesse recomeço existirá... muito amor. Mas cumprirei bem os meus deveres e obrigações.
Tainá chorava sem conseguir se conter. Ela entendera, entendera completamente.
Três anos.
Não era muito tempo.
Para ela, essa era a melhor das luzes no fim do túnel.
— Você... tem certeza? — Tainá perguntou mais uma vez.
Mário puxou os cantos dos lábios, soltou um suspiro abafado e sorriu.
— Sinto muito, Tainá. Ainda... não tenho muita certeza.
Não tinha certeza se, num momento de fúria, procuraria alguém para casar, e muito menos se faria valer esse acordo de três anos.
Tainá assentiu, com as lágrimas caindo como contas de um colar quebrado.
— Eu sei, eu entendo, e compreendo. Mas, Sr. Mário, eu captei a sua mensagem.
Mário fez um aceno com a cabeça.
— Hum. Vá descansar.
Tainá enxugou as lágrimas.
— Ainda é cedo, não tem pressa. Vou ficar mais um pouco com você.
Mário soltou um murmúrio em resposta e se levantou para pegar vinho e uma taça limpa.
Quando voltou, ele começou a beber sozinho, calado, sem sequer perguntar se Tainá queria um pouco.
Tainá também não bebeu, apenas ficou lá, observando-o.
Ela sabia por que Mário não havia perguntado se ela queria beber. Ele provavelmente já estava no limite emocional, mal conseguindo cuidar de si mesmo. Como teria cabeça para perguntar sobre ela?
Ou melhor, mesmo que ela pedisse, Mário provavelmente não a deixaria beber. E se ela passasse dos limites e ele tivesse que cuidar dela? Ele simplesmente não tinha energia para isso.

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