O som de um forte estrondo, seguido por um guincho estridente de freios e pelo grito apavorado de Tainá Teixeira.
A feição de Sérgio empalideceu imediatamente, a testa enrugando-se.
— O que houve?
Mário estabilizou o volante, a voz ainda suave, como de costume:
— Atropelamos uma pessoa.
O sobrolho de Sérgio cerrou-se ainda mais.
— Foi grave? Onde vocês estão?
Mário respondeu:
— Não é nada de mais. Uma pessoa numa bicicleta elétrica saiu de repente na frente do carro. Falamos depois.
Mário desligou o telefone.
Natália, notando a expressão de Sérgio, também desconfiou e questionou:
— O que aconteceu?
Sérgio mal ia responder quando o celular de Natália tocou.
Era o Mário.
Natália atendeu, escutando-o dizer:
— Tivemos um imprevisto no caminho, vamos nos atrasar um pouco para te buscar.
A mulher perguntou:
— Aconteceu alguma coisa?
Mário explicou:
— Uma bicicleta elétrica apareceu do nada e batemos. Tudo bem, em meia hora resolvemos isso. Espere um pouco mais em casa.
— Ah, certo. — Natália acenou com a cabeça; mesmo franzindo as sobrancelhas, ela compreendia que, para Mário, um acidente assim... realmente não era nada preocupante.
Ela encerrou a chamada e decidiu ir para fora de casa mesmo assim.
Ela não ia voltar e sentar-se na sala principal para esperar.
Mal ela deu um passo, Sérgio interferiu:
— O Mário acabou de atropelar alguém, e você ainda quer ir?
Achando a situação absurda, Natália respondeu:
— Não foi a bicicleta elétrica que apareceu de repente? Ele me disse que está tudo bem, por que eu não posso ir?
Com isso, fez menção de prosseguir.
Contudo, Sérgio retrucou:
— Natália, você não percebeu as verdadeiras intenções do Mário?

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