Naquele dia, Natália vestia um sobretudo de lã azul-marinho, de corte reto e amplo, adornado no colarinho com uma pelagem de raposa espessa e felpuda.
Nas pernas, calças pantacourt brancas de lã e botas de cano curto da mesma cor; nas mãos, luvas brancas de renda e uma bolsa delicada combinando.
Os cabelos negros e cheios estavam arrumados num coque elegante, preso por um grampo de ébano de aspecto antigo.
Nos lóbulos das orelhas havia brincos de pérola que repousavam perfeitamente próximos à gola de pele azul-marinho.
Mesmo vista pelas costas, sua silhueta era encantadora e elegante.
Sérgio ficou contrariado, a ira e a frustração fervilhando no peito.
Ele ainda pareceu notar que ela estava maquiada.
Ao constatar isso, deu alguns passos e bloqueou o caminho de Natália.
A testa dela se enrugou lentamente.
Ao observá-la de perto, Sérgio confirmou: ela realmente estava maquiada.
Natália não precisava de uma maquiagem pesada; com apenas um toque de batom cor-de-boca, já alcançava uma beleza transcendental.
Seus traços finos e pele lisa e alva, somados às sobrancelhas, cílios e cabelos escuros e fartos, já criavam o efeito natural de estar maquiada.
Tendo emagrecido nos últimos dias, sua estrutura óssea facial estava mais proeminente e esplêndida. Com a roupa que usava, parecia uma pintura de tão bela.
Até mesmo quando franzia a testa, era linda.
Sérgio umedeceu os lábios, e com um ar dominador e irritado, ditou:
— Você não vai.
O vinco nas sobrancelhas dela se intensificou, seu rosto revelou impaciência e cautela, e ela perguntou com franqueza:
— Você está doente?
Para ela, na relação com Sérgio, até suportaria brigas enormes sobre o relacionamento deles.
Mas brincar de restringir a liberdade pessoal dela?
Aos seus olhos, isso era como uma forma de violência doméstica.
Sérgio também sabia que seria impossível manter Natália contida por sequer um minuto.
Ela não era uma jovem frágil com uma mãe doente precisando de transplante ou um pai afundado em dívidas de jogo.
Sérgio se calou, mas não se moveu.
Lançando-lhe um olhar de lado, Natália disse:
— Se está doente, marque uma consulta com o neurologista.
E deu um passo, tentando contorná-lo para prosseguir.
Sérgio, entretanto, estendeu a mão e agarrou-a pelo braço.
Natália enfureceu-se e virou-se.
— Sérgio Farias, o que você quer?
Ele também se virou.

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