Como já estava de joelhos de qualquer forma, talvez ele devesse simplesmente aceitar o fracasso.
Mesmo com o orgulho pisoteado, mesmo com as mãos fechadas em punhos, a única opção era ceder.
Quem diria que Isabel prosseguiria com ainda mais rigidez:
— Vai admitir que errou ou não?
A pergunta o surpreendeu mais uma vez.
Se aceitar o joelho no chão já tinha sido difícil, ter de pedir perdão ali... era a gota d'água de desagrado.
Sérgio se calou, teimoso.
Entretanto, analisando a situação de forma racional, ele sabia que a culpa era toda dele.
Ao escutar aquilo, Natália sentiu uma pontada de nervosismo e, ao mesmo tempo, uma dose de euforia oculta.
O nervosismo vinha do fato de que... Sérgio sempre fora um homem duro na queda, pedir desculpas não era do feitio dele.
A euforia era por vê-lo totalmente sem reação diante do questionamento da própria mãe.
De fato...
A lei da hierarquia familiar era implacável.
Ao ver que Sérgio resistia bravamente, mesmo de joelhos, Isabel bufou de escárnio:
— Um homem feito, que não tem coragem de assumir o que fez? Responda a uma coisa: você passa quatro dias sem voltar para casa, sem se importar com nada, sem telefonar, sem deixar o menor recado, e ainda acha que tem razão?
Já que você age como se o mundo fosse seu e decide ignorar todo mundo ao seu bel-prazer, por que continua vivendo nesta casa? Vá morar em outro lugar e poupe as pessoas da angústia de imaginar o que possa ter lhe acontecido! E então, vai admitir que errou?!
Sérgio manteve o silêncio. Ajoelhado, sua postura era altiva, e, como era muito alto, só conseguia focar em Natália se abaixasse os olhos.
De relance, ele notou que a mulher apertava as barras de sua roupa, contendo a evidente vontade de rir da situação. Aquilo acendeu um fogo dentro dele, ao passo que uma sensação inexplicável de ridículo o tomava por inteiro.
Ela desejava tanto que ele fizesse papel de tolo, que baixasse a cabeça diante de todo mundo?
Pois ele não cederia!
Já não valia a pena discutir.
Natália via aquilo nos olhos dele e compreendia; Sérgio estava determinado a não ceder.
Até se o mundo acabasse a culpa recairia sobre os outros; que erro Sérgio Farias poderia cometer, afinal?

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