A fala podia ser interpretada como um menosprezo a Natália.
Entretanto, não deixava de ser uma verdade.
Quem passaria quatro dias fora de casa sem se comunicar com a própria família?
O golpe era pesado, e Sérgio não conseguiu se esquivar.
Se, porventura, acreditasse que a esposa era uma mera serviçal, jamais poderia assumir tal absurdo.
Do contrário, Isabel dispararia: "Se é assim, por que se casou? Devia ter contratado uma empregada".
A ira de Sérgio borbulhava, mantendo-o aprisionado na mudez de seu orgulho.
Todavia, a altivez que marcou sua fisionomia e seu olhar... desfez-se visivelmente.
A sua base começou a rir.
Diante daquilo, Natália sentiu uma vontade espontânea de rir, um prazer ampliado a ponto de endireitar ainda mais as costas.
O desejo de escutar de Sérgio que ele estava errado era inegável.
A despeito da perda de soberba, Sérgio mantinha seu silêncio, travando o ambiente em um impasse incômodo.
Melissa não suportou e apressou-se a tomar as mãos de Natália:
— Nati, diga algo. O Sérgio já está ajoelhado, deixe para lá. Não permita que a senhora Horta o pressione mais!
As lágrimas embaçaram sua visão.
Natália cruzou seu olhar, observou-a por dois segundos, recolheu as mãos de maneira serena e rebateu:
— Melissa, não tenho autonomia para me intrometer quando minha sogra disciplina o próprio filho.
Diante dessa negativa, Melissa silenciou.
Contudo, voltou à carga às pressas:
— Interceda por ele! Ele já se ajoelhou, já ouviu as repreensões. Peça clemência e acabem logo com tudo isso.
O semblante de Natália franziu-se levemente, envolto num turbilhão de pensamentos, que acabou decantando em uma sentença:

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