Mário instintivamente fez menção de pegar um cigarro, mas hesitou, optando por tirar o rosário do pulso. Com o objeto entre as mãos, os dedos acariciando as contas escuras, brilhantes e lisas, ele finalmente virou o rosto: — O que queria me dizer?
O espaço fechado.
A rusticidade do interior do Hummer.
Tudo isso tornava o rosto incrivelmente belo de Mário Junqueira ainda mais intimidador.
A ponto de ninguém ousar encará-lo diretamente.
Mas Natália Nascimento já estava acostumada com aquela expressão. Ela sorriu, piscou os olhos de forma um tanto travessa e perguntou: — Você vai pedir a Tainá em casamento?
Ao ouvir isso, Mário ficou atônito.
O sorriso suave e quase imperceptível que habitava seus olhos profundos e sombrios agora... havia se transformado, provavelmente... em uma ligeira surpresa.
Talvez não esperasse que, ao ser chamado para uma conversa a sós com Natália, o assunto fosse esse.
No entanto, o estado de Natália havia melhorado muito. O humor deprimido finalmente dera lugar a uma leveza travessa.
— Não. — Mário recuperou a compostura e disse: — O que se passa nessa sua cabeça? Que tipo de pedido de casamento seria tão miserável assim?
Natália estava prestes a rir, pensando consigo mesma que o padrão de exigência do Sr. Junqueira era realmente...
Antes que pudesse terminar o pensamento, sentiu que as palavras dele soaram como um tapa em seu próprio rosto.
Ela sequer havia recebido um pedido de casamento; isso não a tornava pior do que "miserável"?
— Ah, tudo bem. — Natália disse: — Só pensei em perguntar caso precisasse de ajuda com algo.
Mário fixou o olhar nela: — Por que achou que fosse um pedido de casamento?
Natália respondeu: — Se não é um pedido de casamento, por que arranjou tantas flores?
Mário hesitou por um momento, seus dedos lisos girando intencionalmente as contas de sândalo. Dois segundos depois, respondeu: — Hum... Foi ideia do Caio.
Natália ergueu uma sobrancelha.
Mário acrescentou: — O Caio achou que, ao receber convidadas, seria de bom tom ter algumas flores no ambiente.
Natália pareceu compreender de imediato: — Ah.
Mas logo uma leve dúvida surgiu: — O Caio é tão atencioso assim?
Alguns dias atrás, naquele terreno vazio, apenas porque Mário havia sido empurrado por Sérgio Farias, Caio Fonseca havia sacado a arma com uma expressão gélida. Era... difícil imaginar que ele pudesse ser tão detalhista.
Mário assentiu: — É.
Dito isso, ele abriu a porta do carro, como se quisesse tomar um pouco de ar, e perguntou: — Vamos descer?
Natália assentiu: — Vamos.
Mário saiu e abriu a porta para Natália.

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