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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 317

"César"

Anos atrás, quando acordei na cama de hospital, achei que estivesse delirando ao ver uma deusa diante de mim. Hoje, ela tornou a minha mulher.

Eu mal conseguia processar aquela realidade. De longe, encostado no balcão do bar, eu apenas observava a mulher mais linda do mundo flutuar pela pista, rodeada pelas amigas, todas já um pouco altas de champanhe. Minhas habilidades de dança ainda eram uma negação, limitadas à valsa tímida que abriu a noite, então preferi me recolher ao meu papel favorito, ser o espectador.

— Limpa a baba, cara. Está escorrendo e vai manchar o terno — Augusto surgiu ao meu lado, entregando-me um copo de uísque.

— Quem diria que nosso irmão mais velho finalmente se resolveria e se casaria com a Camila? Nunca vi alguém enrolar uma pessoa por tanto tempo. Eu não teria a paciência dela. Você tem muita sorte maninho — Diana se aproximou pelo outro lado, rindo e cruzando os braços.

— Pelo que eu saiba o que você fez com o Ícaro não foi muito diferente — alfinetei.

— Nem se compara a você. Isso vai virar fofoca de Natal por anos, o dia em que o titio virou gangster, claro que vamos ter que cortar algumas partes da história, mas jamais será esquecida.

A festa estava no auge. A pista era um caos delicioso que misturava os passos desajeitados da minha avó, a energia das crianças correndo entre as mesas e a animação dos nossos amigos. Olhei para o meu irmão, o gelo estalando no meu copo.

— Quem diria que a sua ideia maluca daria nisso? — comentei, baixinho.

Augusto deu uma gargalhada, sabendo exatamente ao que eu me referia. Aquela armação dele de casar com a Isabella acabou sendo o dominó que derrubou tudo, trazendo Camila e Ícaro para as nossas vidas. Virou nossa família de cabeça para baixo, mudou todos nosso planos, nos arrastou por tragédias e confusões que quase nos destruíram. Mas, de alguma forma, o caos nos trouxe até aqui.

Cada um ganhou uma família, preenchendo um vazio que nem sabia que existia. Ao contrário de Augusto e Diana, eu tinha demorado demais, perdido tempo. Jamais cometeria esse pecado de novo.

A festa durou até metade da madrugada e, no dia seguinte, depois de dormir até quase meio-dia, Camila estava sentada na varanda, com o cabelo preso em um coque frouxo e os olhos ainda um pouco pesados pelo cansaço da festa, segurando uma caneca de café.

Para mim, ela nunca tinha estado tão linda.

Me aproxeimei e sentei na cadeira ao lado, sentindo a brisa salgada bater no rosto.

— Quero conversar uma coisa com você — comecei, tateando o bolso do shorts.

Ela baixou a caneca devagar, me olhando com uma certa apreensão.

— Acabamos de casar, amor. Por favor, não me diga que o seu presente de casamento é uma nova confusão, já tivemos muitas emoções para uma vida toda.

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