Entrar Via

Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 287

"Júlia"

Observei meu filho em silêncio enquanto terminava de arrumar a pequena mochila. Cada dobra de roupa parecia mais difícil do que deveria ser. Eu vinha me preparando para aquele momento, mas não sabia que seria tão difícil.

Minha mãe estava encostada na porta, braços cruzados, observando-me com a mesma expressão de desgosto de sempre, agora, talvez um pouco pior.

— Você está arrumando confusão de novo, não está?

Ignorei e fechei o zíper com calma.

— É só por um tempo. E eu vou pagar todas as despesas, não precisa se preocupar com dinheiro. Qualquer problema, pode me ligar.

Ela soltou uma risada seca. A vontade era de dar meia-volta e ir embora, mas não tinha outra opção. E, por mais que minha mãe me odiasse, ela amava o neto.

— “Só por um tempo”… Claro, às vezes me pergunto se você acredita nas próprias mentiras.

Meu filho dormia tranquilo, quietinho. A decisão de deixá-lo com a minha mãe por um tempo tinha sido repentina. Eu precisava garantir alguma proteção para Adam, enquanto Viktor ainda me rondava.

— Você vai viajar com a vovó, tá? Vou sentir muita saudade.

Sussurrei no ouvidinho dele, que continuou dormindo, meu coração apertou, mas a decisão estava tomada.

Minha mãe se aproximou mais, a voz mais baixa, mais afiada:

— Se você fosse uma pessoa decente, nada disso teria acontecido. Olha o que você fez com a sua vida. Essa sua ambição… não tem limite. Vai acabar te destruindo.

Levantei o olhar devagar. Não discuti — sabia que não valia a pena.

— Cuida dele.

Coloquei o cartão na mão dela. Tinha dinheiro na conta, mais do que suficiente por um bom tempo. Não expliquei o que estava acontecendo, apenas pedi que viajasse por pelo menos uma semana.

Virei as costas antes que qualquer coisa em mim hesitasse.

Voltei para a mansão de Romeo, que estava silenciosa, um pouco mais que o normal.

Caminhei direto até o quarto dele, mas parei na porta por um instante, respirando fundo e colocando um sorriso no rosto.

Romeo estava diferente. Os olhos tinham foco, pequenos movimentos e respostas.

Aproximei-me da cama, devagar.

— Você está voltando… — murmurei carinhosa.

Os dedos dele se mexeram. Ele me encarava; podia ser que soubesse quem eu era ou não. O médico tinha dito que era um processo lento, mas em breve ele estaria recuperado.

Viktor tinha me encaminhado informações sobre a tal moça que ele queria do Red Rose. Eu tinha imaginado que ele queria uma das prostitutas, mas ele queria uma garçonete. Não questionei.

Meu objetivo era me arrumar e ir até lá, observar como capturar a moça. Nunca tinha feito nada disso sem ajuda, mas podia usar algumas ferramentas.

— Preciso falar com você.

Viktor entrou no quarto sem esperar resposta, interrompendo meus pensamentos. Nem olhei para ele — só me levantei e saí, atravessando o corredor. Não ia discutir ali dentro.

Assim que a porta se fechou atrás de mim. Ele avançou rápido, queria me dar um tapa.

Foi instintivo, reagi de forma rápida..

Eu sabia me defender, só não deixava isso muito explícito, porém às vezes era preciso mostrar poder.

Peguei o canivete que estava no cós da calça, de lâmina afiada, novo em folha, era um bom modelo..

O metal encostou direto no pescoço dele.

Silêncio.

Ele soltou um riso curto, descrente.

— Claro. Fugir da responsabilidade é mais fácil.

Ignorei. Guardei o canivete devagar, de propósito, sem pressa e sem medo.

— Eu vou cumprir o que você pediu — falei, ajeitando a manga como se nada tivesse acontecido. — Vou lidar com a garota.

Encarei ele uma última vez, tinha que garantir o recado.

— Mas presta atenção, Viktor.

— Não atravessa o meu caminho de novo, da próxima vez — completei — eu não paro pra avisar.

Segurei o olhar dele por mais um segundo e depois virei as costas.

A verdade era que eu tinha decidido mudar o rumo das coisas.

Precisava me livrar de Viktor.

Sem ele, só restaria Romeo — e, até que ele se recuperasse completamente, tudo passaria para mim. Dinheiro, imóveis… tudo.

A desculpa já estava pronta: eu precisava ir ao Red Rose, era lá que conseguiria a solução para o meu problema.

O som ao redor — distante, constante — me trouxe uma sensação estranha, a sensação de que estava no caminho certo.

Lembrava um tempo em que a vida era mais simples.

Ou pelo menos parecia ser.

.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido