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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 285

"Júlia"

Três dias se passaram, e Viktor não apareceu.

Continuei minha rotina como se nada tivesse acontecido. Como se tudo ainda estivesse sob controle. Cuidava do meu filho e permanecia ao lado do leito de Romeo, esperando que ele acordasse.

Por fora, eu era exatamente o que esperavam: uma mulher dedicada, vigilante, consumida pela preocupação. Por dentro… minha mente não parava.

Eu sabia — ninguém precisava dizer — que Viktor já tinha ciência da minha breve presença na sala. A casa nunca me deixava esquecer disso.

Empregados começaram a surgir o tempo todo, em intervalos aleatórios; presença constante demais para ser apenas a minha paranóia.

Era vigilância. Aquele era o recado de que eu nunca estava sozinha.

Apertei levemente a mão de Romeo, mais para me ancorar do que por qualquer gesto de carinho.

Foi então que percebi um pequeno movimento, quase imperceptível. Meu coração desacelerou por um segundo… antes de disparar com força redobrada.

Observei com atenção absoluta, prendendo a respiração, como se qualquer som pudesse quebrar aquele instante.

Então aconteceu de novo: um leve tremor nos dedos.

— Romeo… — sussurrei, mas não houve resposta.

Se ele acordasse agora… tudo mudaria. Não tive tempo de ir além desse pensamento. Passos. Firmes e precisos no corredor.

Viktor tinha voltado. Meu corpo reagiu antes da mente. Soltei a mão de Romeo com cuidado, endireitei a postura e vesti a expressão que já conhecia tão bem: preocupação, cansaço e lealdade silenciosa.

A porta se abriu sem aviso. Viktor entrou me encarando, o rosto sem expressão definida. Tomando o espaço. Dominando o ambiente. E ali, naquele instante, não restou dúvida alguma, o silêncio entre nós se tornou denso, quase sufocante.

— Ele mexeu a mão — falei primeiro, apontando discretamente para Romeo.

Viktor não olhou, nem por um segundo. Ele fechou a porta atrás de si.

— O que você estava fazendo na sala de reuniões? Por que fez aquele teatrinho para entrar lá — a voz dele saiu baixa, controla.

Meu estômago se contraiu. Mas eu não recuei; olhei-o nos olhos sem medo.

— Tive meus motivos.

Soube, no mesmo instante, que tinha sido um erro. Viktor se aproximou devagar, como um predador que já sabe que a presa não tem para onde fugir. Os dedos dele se fecharam ao redor do meu braço com força, me deixando em pé.

Ele era mais forte do que eu e não adiantava lutar. Mas eu precisava recuperar o controle.

— Você entrou onde não foi chamada — disse ele. — E eu cansei da sua presença aqui dentro de casa.

Eu poderia mentir, inventar, negar. Mas o olhar dele deixou claro: não adiantaria. Aquilo não era uma investigação, era uma constatação.

— Entrei sim— respondi. — Está na hora de entender os negócios de Romeo. Eu só fiz o que sei fazer, e nem vi nada demais.

A fúria veio. Ele me apertou mais, me empurrando, e me encurralando em direção a porta.

— Você tem ideia do que fez? — murmurou ele, mais perto agora. — Romeo não vai te defender. Se eu tenho pouca paciência para mulheres intrometidas… ele tem menos ainda.

Levantei o queixo.

Uma pausa controlada. Viktor me analisava.

— Eu posso ser mais útil do que você imagina.

Aquilo o atingiu. Eu vi em seus olhos, viktor queria alguma coisa. Aproximei-me ainda mais, reduzindo o espaço entre nós a quase nada.

— Eu estou aqui cercada, vigiada. Não vou fazer nada. — Eu estava quase implorando. Inclinei o rosto, sustentando o olhar. — Romeo teria mais consideração.

— Você não está em posição de exigir nada — ele cortou.

— Se eu quisesse te prejudicar — continuei, ignorando a interrupção —, eu não estaria aqui, tendo essa conversa. — Deixei a frase pairar. — Eu teria sido mais discreta.

Eu estava andando na beira de um abismo — e sabia disso. Beirando o desespero para que ele não continuasse a me empurrar. Eu não seria jogado na rua.

Um som quebrou o momento: um resmungo fraco, mas inconfundível. Romeo. Viktor se virou no mesmo instante. O aperto no meu braço desapareceu. Corri até a cama, segurando a mão de Romeo com força. O coração martelava no peito. Respirei fundo. E, mesmo sem olhar para trás, eu sabia que Viktor ainda estava ali.

— Prefiro ser útil… do que descartável.

O silêncio se estendeu. E então veio a resposta, fria e direta:

— Você quer provar que é digna? — Uma pausa. — Aqui está um serviço.

— Ele me mostrou a foto de uma moça jovem. — Você vai entrar no *Red Rose* como uma pura de luxo, que você é, e vai pegar essa menina. Sem alarde. Sem ninguém saber.

Senti o peso das palavras antes mesmo de compreendê-las totalmente. Encarei a foto. A menina era jovem, bonita e, pelo visto, trabalhava no *Red Rose*. Nem precisava de alguém como eu lá.

Mas era eu ou ela.

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