"Camila"
— Seu amigo detetive teve alguma notícia? — Não era exatamente o assunto ideal para um primeiro encontro, mas não consegui evitar. Assim que o garçom serviu a comida, a pergunta já escapava dos meus lábios.
César fez uma expressão estranha, mas respondeu:
— Ainda não. Depois vou ligar para ele.
— Você não quer falar sobre isso?
Ele soltou um suspiro leve.
— Hoje não. Queria esquecer, nem que fosse por uma noite, todos os problemas. Eles vão continuar lá amanhã, então a única coisa que podemos fazer agora é aproveitar a noite.
Assenti, levando a taça de champanhe aos lábios.
— Tá bom… então vamos falar de outra coisa. Sobre o quê?
O sorriso dele surgiu devagar.
— Sobre o seu vestido.
Olhei para mim mesma, procurando algum defeito.
— O que tem o meu vestido?
Os olhos dele percorreram meu corpo sem pressa.
— Foi muito caro? — A pergunta vinha carregada de malicia.
Sorri, arqueando uma sobrancelha.
— Com certeza. Está mais para um investimento, foi um preciso quase um financiamento.
Meu tom era de brincadeira, mas não consegui deixar de pensar que César tinha fechado um restaurante e eu tinha parcelado o vestido.
— Uma pena, considerando o que pretendo fazer com ele… mas posso te reembolsar.
Olhei para ele por cima da borda da taça, surpresa e um pouco tímida, sabendo bem do que ele estava falando. Ainda não tinhamos chegado nessa parte.
— Não sabia desse seu lado.
O sorriso dele se alargou daquele jeito irresistível que sempre fazia meu coração tropeçar.
— Vamos corrigir esse problema. Passei os últimos dias pensando em como você estaria esta noite.
Meu coração acelerou.
— E correspondeu às expectativas?
Os olhos dele deslizaram pelo meu rosto, desceram lentamente pelo meu pescoço, pelos ombros nus, até repousarem no decote do vestido. Quando voltaram aos meus, estavam carregados de algo quente e intenso.
— Superou todas elas.
Desviei o olhar, sentindo o rosto esquentar.
Um garçom se aproximou e serviu a entrada: bruschettas delicadamente montadas, com tomates confitados, folhas frescas e um aroma de manjericão que despertou meu apetite.
A conversa seguiu entre risos e pequenas provocações; se antes eu já me sentia como uma adolescente, agora tinha absoluta certeza.
Falamos sobre a infância, sobre como Isabella e Augusto sempre pareciam atrair o caos, sobre a minha mãe e a mania dela de querer salvar todo mundo — até mesmo Karen.
César contou algumas histórias da época em que começou a trabalhar no império da família, mas o que realmente o deixava feliz e empolgado era falar sobre a Lush. O brilho nos olhos dele mudava ao contar como foi se tornar dono de uma boate e administrar um negócio no qual, no início, não tinha experiência. Ele queria reconstruir tudo, dar a volta por cima, e eu me vi desejando, do fundo do coração, apoiar cada um dos seus projetos.
O jantar foi servido logo depois. Por alguns minutos, nos permitimos apenas comer e trocar olhares. Era estranho como o silêncio entre nós não incomodava. Pelo contrário, parecia íntimo, confortável.
Devíamos ter feito isso antes.
Conversamos mais um pouco, falei dos meus planos, queria voltar a me apresentar. Quem sabe um dia ser como a Lucy, professora de pole dance com uma escola própria.
Depois do jantar, a sobremesa foi servida. Nesse momento, César pousou os talheres e me encarou. Ele respirou fundo. Foi a primeira vez, naquela noite, que o vi parecer nervoso, e não entendi o motivo.
César levou a mão ao bolso interno do paletó e, por um segundo, pensei que fosse pegar o celular.
Mas, quando a pequena caixa de veludo preto surgiu sobre a mesa, o mundo inteiro pareceu silenciar.
Era meio óbvio que haveria um anel, afinal ele já tinha me pedido em casamento, mas eu sequer tinha pensado nisso, preocupada apenas com o encontro.
Fiquei imóvel; meu olhar foi da caixa ao rosto dele, que a abriu devagar. O brilho do anel cintilou dentro da caixinha. Era delicado e deslumbrante, a pedra central capturando a luz suave do ambiente.
Meu coração começou a bater tão forte que tive certeza de que ele podia ouvir.
— Camila… — a voz dele saiu baixa, séria, completamente diferente do tom leve da noite — como sempre, fiz tudo pulando etapas. Te pedi em casamento antes do anel.
Senti meus olhos arderem.
— Você entrou na minha vida de um jeito que eu nunca esperei… Eu estava certo desde o primeiro instante em que abri os olhos e te vi; era como olhar para uma deusa. Eu não consigo mais imaginar nenhum futuro que não tenha você.
Pegamos o elevador. Meu coração voltou a bater forte, agora tomado por uma expectativa deliciosa.
Quando as portas se abriram, demos de cara com a cobertura. O ambiente estava iluminado apenas pela luz dourada de dezenas de velas espalhadas pelo chão e sobre os móveis.
O aroma suave de rosas preenchia o ar. Pétalas vermelhas desenhavam um caminho delicado desde a entrada até a ampla varanda de vidro, de onde a cidade inteira brilhava sob a noite.
Levei a mão aos lábios.
— Meu Deus…
A vista era simplesmente deslumbrante.
Mas, ainda assim, meus olhos voltaram para as pétalas, para as velas, para cada detalhe cuidadosamente preparado. Voltei-me para César, sem acreditar.
— Você fez tudo isso?
Ele se aproximou devagar, o olhar preso ao meu.
— Queria que essa noite fosse perfeita.
Sem conseguir me conter, me joguei em seus braços e o beijei. Era desejo demais, tempo demais segurando tudo aquilo. O beijo urgente, desesperado, intenso. Cheio de uma saudade que eu nem sabia que tinha.
Não havia nada de delicado ou terno ali, ele enlaçou minhas pernas e eu envolvi sua cintura, colando meu corpo ao dele enquanto o ajudava a se livrar do paletó. Minhas mãos buscavam os botões da camisa, abrindo-os com pressa, ou melhor, estourando-os.
Ele me levou até a cama e me deitou; a excitação e o desespero falavam mais alto que qualquer razão.
— Esse vestido é uma perdição — ele murmurou, erguendo a saia enquanto me devorava com o olhar. Eu mal conseguia entender como tinha suportado tanto tempo sem me jogar nos braços de César.
O homem sem camisa era uma perdição, uma visão que eu tinha perdido até então.
César também estava no limite, mas não queria que ele rasgasse meu vestido, então me sentei e deslizei as alças devagar, ficando apenas de calcinha. Se a intenção era torturá-lo, acabei torturando a mim mesma. Ele me deitou novamente, beijando cada centímetro do meu corpo, me adorando, até me deixar louca, sedenta e implorando por mais.
— Já esperamos tempo demais... isso é maldade— gemi, entregue, sem qualquer pudor, enquando ele beijava a parte interna da minha coxa.
— Camisinha? — ele perguntou, a voz falhando entre beijos.
— Eu tomo remédio. Quero sentir você — respondi. Nunca havia falado assim com homem nenhum, mas César, naquele momento, era tudo o que eu desejava.
— Porra, Camila — ele xingou, a voz rouca de desejo.
Sentir a conexão entre nossos corpos selou nosso destino. Entreguei-me como nunca havia feito antes, de corpo e alma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...