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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 271

"Júlia"

Entrei no carro com certo receio e o coração disparado. Era um carro comum, um sedã preto de vidros escuros. Lá dentro, havia um cheiro agradável, e tudo parecia bem organizado. Quando Nicole entrou, acendeu a luz interna, e pude vê-la um pouco mais de perto, era jovem, mais do que eu imaginava.

Ela se ajeitou, ligou o motor e arrancou com uma calma quase irritante, como se nada tivesse acontecido nos últimos minutos.

Eu, por outro lado, percebi que sentia as mãos tremendo. Agora dentro do carro, tentava compreender o que tinha acontecido. Apertei a bolsa contra o colo, o canivete ainda ali dentro, ao alcance dos meus dedos.

— Obrigada — falei, finalmente, a voz um pouco rouca.

Ela apenas assentiu, os olhos fixos na rua, parecia ainda mais impenetrável. O maxilar firme, os olhos atentos, as mãos seguras no volante.

Pensando bem, não parecia uma acompanhante da Red Roses, mas podia estar enganada, com uma roupa certa e a maquiagem ideal, qualquer um viraria outra pessoa.

— Você estava me seguindo? — perguntei, virando o rosto para encará-la. Apesar de agradecida, era estranho o momento que ela apareceu.

— Se eu estivesse te seguindo, você nem teria percebido. Mas a resposta é não, passei com o carro e te vi, achei que precisava de ajuda.

— Tentei usar o canivete, mas acho que preciso treinar essa parte. Nunca tinha acontecido uma coisa assim antes, e olha que esse é o meu horário de trabalho.

Ela demorou alguns segundos para responder.

— A ideia do desodorante foi esperta, mas o de pimenta é melhor, arde mais. Achei que uma dançarina como você tivesse essas coisas.

— Eu sei que existe perigo, fico alerta, não sou tão idiota assim, mas como disse nada nunca tinha acontecido antes. Espera um pouco... você estava na Red?

— Eu assisti a sua apresentação, mas já estava indo embora.

Então ela era acompanhante mesmo.

— Não, eu não sou acompanhante de luxo — Ela falou como se ouvisse meus pensamentos — Trabalho na cozinha e sou garçonete.

Fiquei um momento em silêncio. Nicole não parecia uma mentirosa; tinha acabado de me salvar. Resolvi dar a ela o benefício da dúvida.

— O que você viu lá em cima? — Ela perguntou depois de um tempo.

Meu corpo enrijeceu, senti as mãos ficarem geladas e coração voltar a disparar.

— Não sei do que você está falando.

Ela soltou um riso baixo.

— Você mente mal.

Apertei ainda mais a bolsa, pronta para usar o canivete, dessa vez de verdade.

— E você faz umas perguntas estranhas para alguém que acabou de me conhecer.

— Acabei de te salvar, mas eu ouvi um pedaço da conversa quando me aproximava. Conheço bem os camarotes, quem são os frequentadores de lá.

O silêncio caiu pesado entre nós, meu instinto dizia que era melhor correr.

— Muito obrigada por tudo, mas pode me deixar na próxima esquina, por favor. — falei, firme.

Nicole não respondeu de imediato. O carro diminuiu a velocidade ao parar em um sinal vermelho.

— Vou te deixar em casa, não no meio da rua a essa hora. Não precisa ter medo, eu trabalho há alguns meses na Red Rose, é a primeira vez que te vejo por lá, então fiquei curiosa, não estou envolvida com nada, apenas faço comida ruim parecendo gourmet.

— Você trabalhava na Lush? Conhece o dono de lá? — ela perguntou de repente.

Fiquei um momento sem saber o que responder. Nicole deve ter deduzido que eu trabalhava na Lush; afinal, era o único lugar que tinha pegado fogo nos últimos dias.

— De vista só, nunca conversamos.

— Vai parecer estranho o que vou pedir, mas não posso deixar isso passar. Eu preciso falar com ele, por um momento, coisa de cinco minutos.

Encarei Nicole sem acreditar muito bem no pedido. O que aquela mulher desconhecida poderia querer com César?

— Não sei…

Ela respirou fundo antes de continuar.

— Eu sei que foi esquisito eu aparecer assim, mas juro que foi tudo uma grande coincidência. Acho que você ter trabalhado na Lush é o destino me dando um sinal. Estou procurando uma pessoa, e talvez César possa me ajudar.

Ela pegou uma bolsa atrás do banco, tirou um papel e uma caneta e anotou um telefone.

— É o meu número. Se você passar para ele, eu vou ficar agradecida, mas vou entender se não fizer.

Peguei o papel, sem acreditar em como a noite tinha escalado para aquela conversa.

— Eu vou ver… obrigada, preciso ir.

Saí do carro e entrei correndo em casa. A noite tinha se transformado em uma cena de filme que eu ainda não conseguia acreditar que tinha vivido.

Era tanta coisa que o melhor seria falar pessoalmente com Camila. Não consegui dormir direito e, logo cedo, avisei que estava a caminho da casa dela.

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