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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 269

"Júlia"

O cheiro de fumaça ainda parecia grudado à minha pele, mas eu sabia que era apenas imaginação, coisa da minha cabeça.

Dias depois do incêndio, ainda conseguia sentir a lembrança daquelas chamas sempre que fechava os olhos, mas a vida continuava, e eu precisava dar as minhas aulas e seguir com as apresentações.

Passar em frente à Lush me deixava deprimida. O lugar agora estava destruído, isolado por tapumes e fitas de interdição, e a cidade ainda comentava o atentado. Era uma pena, já que tinha sido um ótimo lugar para me apresentar.

A proposta ali era a diversão, nem diferente de outros lugares.

Terminei de prender o cabelo diante do espelho estreito do camarim improvisado, ajustando a alça do macacão preto e rosa que deixava as pernas à mostra.

A porta se abriu e Fabrício entrou com a expressão carregada.

— Você não deveria estar aqui — resmungou com uma careta bonitinha.

Olhei meu reflexo no espelho enquanto passava o lápis nos olhos.

— Engraçado, porque foi você mesmo quem conseguiu esse bico para mim.

Ele passou a mão pelos cabelos, e não consegui evitar pensar no quanto o achava fofo se preocupando comigo, mas jamais admitiria uma coisa dessas. Fabrício era apenas um caso ocasional. Fofo, mas ocasional.

— Não imaginei que você voltaria a trabalhar tão rápido assim. Não é perigoso? Você nem se recuperou totalmente ainda.

— Estou ótima, mon cher. Fiquei três dias parada, e isso já é muita coisa. Você sabe que eu não tenho esse luxo.

Ele se aproximou, abraçando minha cintura.

— Me preocupo com você, me avisa se sentir alguma coisa.

Sorri, sentindo o calor do corpo dele.

— Pode deixar. Vai ser uma apresentação rápida, só para fazer a abertura. Depois, as meninas ocupam o resto da noite.

Fabrício hesitou por um momento. Podia jurar que havia um pouco de medo no olhar dele, para além da preocupação.

— Esse lugar… — ele começou, abaixando a voz — não é como a Lush. Aqui vem gente perigosa, acontecem coisas que é melhor não comentar fora daqui.

Soltei uma risada curta. Eu já conhecia bem aquele tipo de lugar.

— Gente perigosa é que mais tem em lugares como esse. Relaxa não é a minha primeira vez, se eu te contar os lugares que já pisei, você não acreditar.

— Eu sei, mas, mesmo assim, é bom não olhar para ninguém.

— Você está se assustando à toa.

— Estou tentando te proteger.

— Calma, gato. Vai dar tudo certo.

O silêncio caiu entre nós enquanto eu terminava de ajeitar a maquiagem. Não conhecia Fabrício há tanto tempo assim, mas dava para perceber quando ele escondia alguma coisa.

Passou rápido demais, ainda assim, senti o coração disparar de raiva, não podia ser. Girei lentamente, fingindo continuar a apresentação, e olhei outra vez.

A mulher virou o rosto por um segundo, mas foi tempo suficiente.

Tinha certeza de que era Júlia. Desviei o olhar e continuei a apresentação sem encarar mais ninguém, fingindo não ter visto nada.

Aquele era um lugar frequentado por criminosos. Fabrício não precisava me dizer isso; eu sentia a energia que emanava do ambiente desde o momento em que entrei. E, como eu já havia dito, não era o primeiro lugar daquele tipo que eu frequentava.

Terminei a apresentação com a respiração presa, precisava contar para Camila.

Quando virei no corredor lateral em direção ao camarim, encontrei Fabrício esperando por mim.

— Então, tudo bem? Sentiu alguma coisa?

— Nada, foi tudo bem, mon cher. Agora posso ir para casa.

Não falaria com ele sobre aquilo. Era outro assunto e, pelo jeito, Fabrício ficaria ainda mais preocupado ao saber que eu tinha feito exatamente o que ele me disse para não fazer e, ainda por cima, reconhecido alguém.

— Ainda tenho umas horas de trabalho. Podemos nos encontrar depois?

— Claro — disse, dando um selinho nele.

Me troquei no camarim e fui para casa. Aquela mulher tinha muita cara de pau para mentir e manipular, mas, no fim, não passava de uma vagabunda. Fiquei revoltada e contaria tudo para Camila assim que o sol nascesse.

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