"Camila"
Nos filmes parecia mais fácil.
Mas, quando bati minha testa com toda a força no rosto daquela vagabunda, a dor foi muito pior do que imaginei. Parecia que eu tinha levado um soco na cara, e por pouco não caí para trás.
Fechei os olhos com força, tentando controlar a dor, ficando perdida por um momento, quase me esquecendo onde estava. Com as mãos presas nas costas e a boca coberta pela fita adesiva, tudo ficava ainda mais complicado, queria gritar, mas não conseguia.
Ouvi o que pareceram ser mais tiros e corri sem rumo. O local era escuro, confuso, um verdadeiro labirinto de sombras. Por sorte, não havia ninguém ao meu redor, mas eu sabia que aquela sorte não duraria muito. Entrei às pressas em uma sala escura, tão profunda que mais parecia um buraco negro, e me abaixei no chão sujo. Podia sentir a camada grossa de poeira grudando no meu rosto, invadindo meu nariz, mas não liguei. Me encolhi como um tatu, tentando desaparecer, e rezei em silêncio para não ser encontrada.
Não sabia para onde Julia pretendia me levar, mas tinha certeza de que não era para coisa boa, a mulher era uma verdadeira psicopata.
Encolhida no chão, ouvia vozes, gritos, barulhos estranhos e o som incessante dos tiros. Tentei respirar fundo, mas ali, no escuro, sozinha, com as mãos presas nas costas, tive certeza de que morreria e não veria mais a minha familia.
Só esse pensamento já me enchia de mais raiva. Eu deveria ter tido tempo de dar pelo menos um chute naquela desgraçada quando ela caiu.
Um som vindo do lado de fora da sala me colocou em alerta imediato. Meu coração disparou, não conseguia ver nada, apenas contornos perdidos na escuridão, mas sabia que alguém tinha entrado no lugar onde eu estava.
Tentei conter a respiração, mas era difícil. A sensação era de que aquela presença estava cada vez mais próxima e me encolhi mais, sabendo que não escaparia.
Uma mão tocou meu ombro, me debati imediatamente, tentando me soltar e gritar, mas a fita na boca me impedia.
— Calma, calma, estamos aqui para te salvar — uma voz falou e ligou uma luz na minha cara que me deixou cega.
Resmunguei desesperada para tentar fugir, mas era impossível. Tentei enxergar melhor e só vi um homem vestido todo de preto, armado e com uma máscara no rosto. Só era possível ver os olhos.
Ele definitivamente não parecia alguém que estivesse ali para me salvar.
Mas então ele arrancou a fita da minha boca e falou alguma coisa no rádio. Por um segundo insano, achei ter ouvido o nome de César.
Mas não era possível.
— Seu nome? — o homem perguntou.
— Camila…
Então outra pessoa entrou correndo e apareceu diante de mim.
César.
Olhei sem acreditar, com a certeza de que era uma alucinação. Mas ele estava ali. Não consegui segurar, e as lágrimas escorreram livres pelo meu rosto.
Eu queria abraçá-lo, mas minhas mãos ainda estavam presas.
— Você está bem? Está machucada? Fizeram alguma coisa com você? — ele perguntou, desesperado, me puxando para um abraço.
Eu não conseguia responder, só chorar, tinha certeza de que morreria ali.
César me ajudou a levantar com delicadeza.
Minhas pernas vacilaram no mesmo instante, fracas demais para sustentar o próprio peso depois de tantas horas presa, do medo, da dor e da adrenalina que ainda fazia meu coração disparar.
Antes que eu caísse, ele me segurou pela cintura, me trazendo ainda mais para perto.
— Ei, olha para mim — disse, segurando meu rosto com as duas mãos.
Levantei os olhos para ele, e por um segundo esqueci tudo, não havia mais tiros, gritos, nem havia mais escuridão. Só César.
César assentiu sem tirar os olhos de mim.
— Leva ela pela escada de emergência. Eu vou logo atrás.
— Não — minha voz saiu trêmula. — Não me deixa sozinha.
Os olhos dele suavizaram.
Por um segundo, o homem frio desapareceu, dando lugar ao César de sempre, o que eu conhecia. Ele segurou minha mão com força.
— Tudo bem vamos juntos — Ele disse indo na frente, e me protegendo com o corpo, enquanto o outro cara vinha atrás.
Mesmo no meio do caos, mesmo cercados por tiros e perigo, senti algo dentro de mim se acalmar, César estava ali e agora eu me recusava a aceitar que morreríamos naquele lugar. Não.
O nosso destino não era esse.
Não consegui processar o caminho. As luzes das lanternas só tornavam tudo mais confuso, lançando sombras distorcidas pelas paredes. Quando chegamos à escada, pareceu uma eternidade. Os degraus não acabavam nunca, a saída parecia inalcançável, e os tiros ainda continuavam ecoando atrás de nós ou ao redor, eu não conseguia definir.
César seguia à minha frente, com uma arma na mão, e eu jamais imaginei que ele soubesse atirar, mas isso não me assustava.
Quando finalmente atravessamos a porta, sentir a brisa fresca no rosto foi quase irreal. O alívio me atingiu de uma vez, e o choro voltou com força.
César me guiou com firmeza e, quando percebi, já estava dentro de um carro, com ele sentado ao meu lado.
— Vou abrir isso — uma voz disse ao meu lado, enquanto uma ferramenta forçava as algemas.
No instante em que meus braços ficaram livres, me joguei nos braços de César.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...