"César"
O envelope deslizou por debaixo da porta. Fazia apenas algumas horas que Júlia tinha deixado meu apartamento.
Ao abrir o papel pardo e encarar a foto de Camila, presa em um cativeiro improvisado, com uma marca vermelha no rosto senti uma fúria que jamais julguei ser capaz de vivenciar. Júlia tinha saído da minha casa e decidido escolher o pior caminho para me convencer. Eu estava seguro de que a ideia de sequestrar Camila só poderia vir de Júlia.
Minha mente trabalhava rápido, como Camila fora capturada? Ela deveria estar segura em casa. Decidi, por ora, silenciar a minha cabeça das perguntas sem resposta. Não diria nada à mãe dela, muito menos à prima. Isabella não precisava desse tipo de noticia agora em estado de gravidez avançado. Minha única prioridade era trazer Camila de volta, ilesa. Não importava o preço.
No envelope, não havia instruções escritas, mas o recado, porém, era cristalino, a vida dela em troca de aceitar a oferta de venda. Eu faria a transferência sem hesitar; venderia minha casa, meu patrimônio, minha própria alma para resgatá-la. Ela era a minha vida.
Mas não era tão simples.
Quem tirou a foto não vendou os olhos de Camila. Ela encarava a lente com consciência, logo sabia quem a tinha levado. Isso nunca é um bom sinal em um sequestro. Além do fato do envelope ter sido entregue na minha casa, outro recado, eles estavam de olho.
Envolver a polícia agora seria um erro fatal, mas eu não iria para o confronto de peito aberto e sozinho. Eu tinha comprado um celular cuja única coisa que havia feito era sincronizar os contatos, era só o que importava no momento.
Disquei para John, meu ex-chefe de segurança. As coisas não tinham terminado bem entre nós, mas ele era o único em quem eu confiava para um trabalho tão delicado.
— Preciso de um favor — disparei assim que ele atendeu. — Uma equipe antissequestro. Discreta, profissional e sem polícia.
— Para quando? Quem é o alvo? — John foi direto ao ponto compreendendo a gravidade da situação.
— Agora. Estou envolvido em uma situação complexa, e a prima da Isabella, a Camila foi levada. Não é público, ninguém sabe, muito menos o Augusto. É um assunto pessoal. Consegue?
— Em cima da hora assim, o serviço é caríssimo. Preciso ver quem está disponível, se é que posso achar algué disponível em tão pouco tempo.
— Dinheiro não é problema, faça o que for preciso, você tem menos de meia hora — respondi, passei os nomes dos envolvidos, o número do telefone de Júlia e o de Camila e desliguei.
Fui até o quarto e abri o cofre onde guardava a arma. Romeo podia se achar um cara perigoso, mas ele não fazia ideia do que eu era capaz. Dez minutos depois, John retornou, a equipe estava pronta. Um especialista já rastreava todos os números de telefone.
Era uma equipe altamente especializada, que usava caminhos não convencionais para extrair informações, custaria milhões e pouco me importava desde que pudesse achar Camila.
— Quem fez o serviço não se esforçou para se esconder — informou o comandante da equipe minutos depois. — Já sabemos para onde ela foi levada.
Senti um aperto no peito, não era um bom sinal. Júlia provavelmente contava que eu ficasse desesperado e obedecesse na hora. Outra alternativa era inadmissível.
— Eu vou junto.
— Não posso autorizar civis na operação.
— Eu não estou perguntando, estou pagando. Eu vou junto.
O homem do outro lado da linha bufou, mas acabou cedendo. Mandou que eu fosse até o escritório de advocacia, uma forma de despistar quem estivesse me seguindo. Para qualquer um, pareceria que eu estava prestes a transferir a Lush para outro dono.
Meia hora depois, já estávamos a caminho. Tinha sido fácil. Fácil demais, claro que ajudava o fato saber quem era o responsável por tudo.
Segui dentro do carro com a equipe, que nada mais era do que um utilitário preto. A equipe era composta pelo comandante e mais quatro caras enormes, armados até os dentes. Ele dava ordens enquanto recebia informações de alguém que rastreava tudo por telefone.
Tentei me concentrar, mas só conseguia pensar que o carro estava indo devagar demais.
A culpa, mais uma vez, ameaçava me engolir junto com o medo de chegar lá e dar de cara com o meu pior pesadelo.
Fechei os olhos por um instante, mas a imagem veio com força bruta, Camila, assustada, presa, sabendo quem tinha feito aquilo e quem tinha colocado ela naquela situação.
Passei a mão pelo rosto, tentando afastar o pensamento, mas era impossível. A ideia de que ela poderia estar com medo… de que poderia estar me culpando… ou pior, perdendo a esperança… fazia meu estômago revirar.
— Cinco minutos — a voz do comandante cortou meus pensamentos.
Endireitei o corpo no banco, sentindo o coração acelerar de forma descontrolada. O momento estava chegando e, junto com ele, a certeza de que não podia falhar. Não dessa vez.
O carro desacelerou antes mesmo de virar a esquina. As luzes foram apagadas, e seguimos no escuro, apenas com a iluminação distante dos postes. O local onde Camila estava era um prédio baixo, que no escuro parecia abandonado. O local era uma rua de terra, e um terreno enorme descampado perdido na escuridão.
— Alvo confirmado. Prédio de três andares. Duas entradas. Movimento baixo — murmurou alguém no rádio.
— Você quis vir aqui. Como você mesmo disse, é você que está pagando, mas não me responsabilizo se acabar levando um tiro. Não sei como vai ser lá. Outra equipe já chegou para rastrear movimento e sinais de calor. Você nos pagou para resgatar a moça com vida, e eu tenho uma equipe para isso… mas não sei se posso proteger você.
— Entrei — Uma voz falou.
O objetivo era ser alto limpo, sem risco. Mas um som de alarme foi ouvido e a nossa presença denunciada.
O primeiro disparo veio de dentro. A equipe respondeu imediatamente. O som dos tiros explodiu pelo corredor, alto, agressivo, ensurdecedor. Me abaixei por instinto, o corpo reagindo antes da mente.
— Direita! — alguém gritou.
O comandante correu, era hora de entrar no prédio. A porta foi arrombada rapidamente, e invadimos o local, que tinha uma iluminação fraca. O prédio havia sido abandonado com a reforma pela metade, e não tinha iluminação completa.
Um homem apareceu no corredor e caiu antes mesmo de terminar o movimento. Tudo acontecia rápido demais mas, para mim, ainda parecia lento. Tinha que chegar no segundo andar logo, cada segundo que passava era um segundo a mais com Camila ali dentro.
— Sobe! Sobe! — o comandante ordenou.
Subimos as escadas em formação, passos rápidos, armas erguidas.
Meu coração martelava no peito. E se fosse tarde? E se eu estivesse chegando tarde demais? O pensamento quase me fez perder o foco.
Quase.
Um disparo estourou próximo demais, atingindo a parede ao lado. O impacto espalhou fragmentos de concreto. Continuei. Nada importava além dela. No segundo andar, o corredor era estreito, com várias portas fechadas.
O comandante abria cada uma das portas em posição, mas não havia nada, todas estavam vazias.
— Cuidado — o comandante sinalizou.
No andar de baixo, o som de coisas caindo e tiros esporádicos confirmava que ainda havia inimigos no prédio.
Avançamos devagar, porta a porta. Perto do fim do corredor, um quarto sem porta chamou atenção — um foco de luz jogado no chão. Era ali. Mas estava vazio.
E, por um segundo… tudo parou

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...