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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 257

"César"

O fogo avançava rápido demais.

Os seguranças corriam para orientar as pessoas em direção às saídas de emergência, mas o pânico gerou um caos ainda maior, em vez das rotas de fuga, todos tentavam voltar pelo caminho conhecido da entrada, acotovelando-se desesperadamente.

Eu não podia me entregar ao desespero, tinha que agir de forma fria. Ajudei o máximo de pessoas que pude ao meu redor, guiando-as para as saídas e impedindo que caíssem para não serem pisoteadas, enquanto avançava em direção ao fogo.

Mas fumaça subia veloz — escura, pesada, tomando o teto como uma mancha viva.

— Merda… — rosnei. — Por aqui! Saiam todos!

Corri para onde os extintores estavam estrategicamente posicionados. Tentei avaliar se ainda era possível conter o foco, mas a situação era caótica; as labaredas altas já tomavam conta de tudo. Peguei um extintor e, logo em seguida, outro segurança surgiu ao meu lado com outro cilindro. Ficamos lado a lado, tentando abafar as chamas apenas o suficiente para ganhar tempo para a evacuação.

— Vocês precisam sair! — gritou Fabrício, que ajudava um grupo a atravessar o salão.

— Vamos tentar segurar aqui! — respondi aos berros.

Ao meu redor, o som era uma mistura de gritos, tosses e o barulho de corpos se empurrando. Meu extintor se esgotou. Corri para buscar outro, mas as chamas já eram invencíveis. A fumaça ardia na garganta e nos olhos; era hora de recuar.

— Vamos embora agora! — gritei para quem estava mais próximo do fogo. Eu já não enxergava quase nada e rezei para que todos daquele setor tivessem conseguido sair.

Corri para perto da saída, onde o gargalo de pessoas ainda impedia o fluxo. Precisei intervir, direcionando-os para uma saída de incêndio lateral. Olhei para o palco. Tarde demais. A fumaça engolia o espaço, apagando formas e escondendo rostos.

— Abram passagem! — gritei, abrindo caminho à força.

Ninguém escutava. Atravessei a multidão no impacto, ignorando xingamentos e empurrões. Um homem tentou me segurar pelo braço, mas o soltei com brutalidade.

— Tem outra saida! Para outra saida! — Tentei gritar mais alto para que conseguissem ouvir.

O calor era insuportável. Quando cheguei perto da pista, uma mulher caiu na minha frente, prestes a ser esmagada. Segurei-a pelos braços, coloquei-a de pé e a empurrei na direção oposta.

— Saída! Vai!

Mas meus olhos não paravam de procurar. Tinha que ter certeza de que ela não estava ali, que tinha saido.

— Onde você está, Camila?! — gritei em meio ao barulho.

A fumaça invadiu meus pulmões como vidro moído. Tossi, cobrindo o rosto com o antebraço para tentar filtrar o ar. Meus olhos ardiam, a visão falhava, mas continuei. À frente, uma explosão abafada fez o chão vibrar sob meus pés, arrancando novos gritos de pavor.

Forcei o caminho quase às cegas. As luzes principais haviam se apagado, e o tom avermelhado das luzes de emergência só tornava o cenário mais sinistro. E então, eu a vi. Um vislumbre do cabelo, da roupa.

— Camila! — Minha voz se perdeu no caos, mas não parei.

Empurrei quem estava na frente até finalmente alcançá-la. Ela não estava sozinha; uma mulher se apoiava nela e Lucy estava do outro lado, agarrada ao seu braço. As três estavam presas no epicentro da confusão. Meu coração despencou.

— Vem comigo! — Segurei o braço dela com firmeza.

Os olhos dela encontraram os meus. Por um breve segundo, no meio daquele inferno, o mundo pareceu parar.

— César… — ela sussurrou, a voz rouca. — Ajuda ela.

Ela me passou a mulher que estava ferida no pé. Precisei carregá-la no colo.

— Agora precisamos sair daqui!

Calculei rápido: a saída principal estava congestionada. Não daria tempo. Puxei-as na direção de uma saída lateral. O som de algo desabando ecoou às nossas costas, seguido por faíscas que caíam do teto como chuva.

— Não solta de mim! — ordenei.

Finalmente, atravessamos a porta lateral. O ar fresco da noite atingiu meu rosto. Do lado de fora, o cenário era dominado por sirenes, luzes de ambulâncias e policiais atendendo os feridos. Coloquei a mulher ferida no chão, em uma área de triagem para os paramédicos.

Mas, ao olhar em volta, o mundo desabou novamente, Camila não estava lá.

— Camila! — gritei, o desespero voltando com força total, a garganta arranhando por causa da fumaça.

— Eu me perdi dela! Alguém empurrou a gente, ela soltou minha mão! — Lucy surgiu ao meu lado, as lágrimas limpando sulcos na pele suja de fuligem.

Não pensei. Olhei para a porta de onde tínhamos saído e, aproveitando a confusão, corri de volta para o prédio. Ninguém me viu entrar. Gritei por ela na entrada, mas o lugar agora era um túmulo de fumaça escura que bloqueava qualquer visão. Entrei no meio do salão, ajudando um rapaz que cambaleava a encontrar o caminho da saída.

Formas dançavam no meio da fumaça, não sabia que se eram os bombeiros ou se estava vendo alucinações.

— Camila! — gritei de novo, tateando o vazio.

Então, vi um vulto no chão, perto da parede, com a mão na cabeça.

— Camila?

Aproximei-me. O calor era infernal, meus pulmões imploravam por oxigênio e minha vista escurecia. Era ela. Estava de olhos fechados. Sem hesitar, peguei-a no colo e corri com o que restava das minhas forças. Minhas pernas fraquejaram assim que cruzamos o portal para o lado de fora.

— César... o fogo... —Ela resgmundou baixinho.

— Estou aqui já saimos —Falei, mas ela não me ouviu, senti quando corpo ficou mole e a cabeça tombou desmaiando. —Camila?!

Não tinha voz para chamar, e meu chamado era apenas um ruido.

Os bombeiros correram em nossa direção e a tiraram dos meus braços. Camila foi levada às pressas para uma ambulância. Tentei ir atrás, tentei gritar o nome dela, mas meu corpo finalmente desistiu e eu mal conseguia ficar de pé, alguém me segurou, mas o mundo escureceu e senti que desabava no limbo.

Lágrimas surgiram nos olhos dela. Aproximei-me mais, baixando o tom de voz:

— Eu tenho que resolver algumas coisas. Falar com a polícia, entender o que aconteceu. Tem algo acontecendo… algo que envolve a Júlia e toda essa loucura em que minha vida se transformou. Esse incêndio pode ter relação com isso. Por enquanto, vou me manter afastado para garantir que você não seja um alvo. Mas, quando tudo isso acabar… eu volto. E nunca mais vou sair do seu lado.

Respirei fundo, olhando nos olhos dela.

— Eu já fiz promessas antes. Mas agora é diferente.

— César… mas e você? — ela perguntou, com a expressão assustada. — Você também é um alvo.

— Eu te amo. E nós vamos ficar juntos. Mas não como antes… acho que já desperdiçamos tempo demais. Camila… você quer casar comigo?

Ela me olhou, completamente surpresa, os olhos arregalados.

— O quê?

— Isso mesmo. Quer casar comigo?

Ela levou a mão ao meu rosto, acariciando minha pele. Encostei minha testa na dela, sentindo o calor do seu corpo.

— Não precisa responder agora. Quando eu voltar, inteiro, depois de tudo isso, quero que me responda. Eu te magoei, mais uma vez. Menti, omiti… fui covarde. Mas eu juro que vou passar o resto da minha vida tentando compensar cada vez que fiz você chorar.

Inclinei-me e a beijei. Pela primeira vez em muito tempo… tudo fazia sentido e estava no rumo certo.

— César, por favor… — ela sussurrou, com a voz trêmula. — Você não pode fazer promessas assim e sair para enfrentar seja lá o que for. Eu não vou suportar se algo acontecer com você…

— Não vai acontecer — respondi, firme.

— Mas, César…

— Confia em mim — interrompi, segurando seu rosto com cuidado. — Ninguém vai entrar no nosso caminho. Mas, agora, eu preciso que você esteja segura. Que ninguém descubra o quanto você é importante para mim.

Lágrimas escorriam pelo rosto dela.

— Lembra quando a gente fazia planos? — murmurei. — A gente vai realizar cada um deles.

Ela assentiu.

Dei um beijo em sua testa e me afastei, mesmo contra cada instinto meu.

Saí para o saguão do hospital e notei a presença de policiais por ali. As coisas estavam mais calmas, mas ainda havia resquícios do caos. Era o momento de avaliar os danos.

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