"Júlia"
Não tenho mais desculpa para ficar na casa do César. O prazo acabou.
Sentada na área comum do condomínio, sob o sol pálido da tarde, eu balançava o carrinho do Adam mecanicamente. No fim, César é mais resistente do que eu imaginei. Pelo menos não há nenhuma conversa dele com a Camila no celular… apenas minha mãe, que fica soltando indiretas de que eu não sairia da casa.
Mesmo assim esperava algum avanço por parte dele, mas César sempre recuava.
— Então foi aqui que você se escondeu? Realmente você tem bom gosto.
Senti o sangue gelar, na minha distração, nem percebi que alguém tinha se sentado ao meu lado.
— Viktor? — falei, assustada, olhei em volta, o coração martelando contra as costelas, pronta para gritar, para implorar por socorro aos seguranças.
Viktor estava ali, sentado ao meu lado, parecendo uma alucinação projetada pelos meus piores pesadelos. Não parecia fisicamente possível que ele tivesse me encontrado tão longe, cruzando fronteiras que eu julguei serem intransponíveis para alguém com o histórico dele. Eu nem sabia que ele podia sair do país, dada a teia de crimes em volta dele, mas ali estava ele, desafiando a lógica e a minha sensação de segurança.
Olhei para ele com o coração na boca. Viktor tinha a aparência de um homem absolutamente comum, o tipo de rosto esquecível que você cruzaria na rua sem dar um segundo olhar. Não havia cicatrizes aparentes ou o estereótipo de um bandido de cinema; ele vestia roupas de corte impecável, mas fedia a uma mistura enjoativa de cigarro e um perfume importado excessivamente caro.
De fato, ele se integrava àquele ambiente de elite perfeitamente. Sentado ali, observando o movimento do condomínio com um desdém contido, ele parecia apenas mais um morador desfrutando da tarde.
— O mundo é pequeno para quem tem as conexões certas, não é, Julinha? — ele disse, sem tirar os olhos de uma criança que corria por perto.
O som da voz dele, calma e desprovida de qualquer emoção, fez os pelos dos meus braços se arrepiarem.
Eu devia a ele muito dinheiro e tinha escondido essa dívida de César. Achei que, com a minha fuga, aquilo tinha ficado para trás.
Mas ele estava ali.
— Você não vai gritar, nem fazer escândalo. Sabe como essas coisas chamam atenção — A voz dele era calma, fria, uma pessoa que sabia que tinha o controle.
— Como você entrou aqui?
— Eu tenho dinheiro suficiente para ser seu vizinho.
Não… aquilo não estava acontecendo.
Tentei me levantar, mas ele segurou meu braço com força, me obrigando a continuar sentada.
— Você não vai a lugar nenhum.
— Eu posso chamar a polícia.
— Não vai. Sabe por quê? Porque seu marido não vai querer saber o quanto você é uma vigarista e sem vergonha. Tenho certeza de que ele nem sabe que esse filho não é do Caio… não é mesmo?
Parei congelada na cadeira, olhando em volta, com medo de que alguém pudesse ouvir.
— O que você quer? — Minha voz mal saiu, sentia o corpo todo tremer.
— O que você acha que eu quero? O dinheiro. O meu dinheiro. Acha mesmo que pode fugir assim?
Ele deu uma risada curta.
— Aquele bando de incompetentes para quem você devia não serviu nem para ficar de olho em você. Deixaram escapar por entre os dedos. Mas eu não esqueço minhas dívidas. Jamais. O segredo do meu sucesso é nunca sair no prejuízo… ainda mais quando o golpe vem de um rostinho bonito. Não foi assim tão dificil saber quem era seu herói.
— Viktor… eu não tenho dinheiro — Não era mentira, eu não tinha nada.
— Júlia, Julinha… isso não vai funcionar comigo. O César tem dinheiro suficiente para pagar todas as suas dividas, pra que esse olho arregalado? Acha mesmo que eu não sei quem é seu novo marido?
— Ele não é meu marido.
— Não importa. O cara arriscou a vida para salvar seu pescoço. Se você não pedir para ele… eu mesmo me apresento, tenho certeza de que ele vai ficar muito interessado.
— Não… não, por favor. Eu vou dar um jeito — O desespero tomada conta do ser, eu tinha que me livrar de Viktor.
— Boa garota.
Viktor traficava todo tipo de droga, inclusive as mais sofisticadas para o público milionário. Ele sabia exatamente do que eu estava falando.
— Isso vai aumentar sua dívida. E não vou vender barato… ainda mais sabendo o que você pretende fazer.
— Não tem problema — Minha situação já não podia ficar pior, então que pelo menos eu tirasse algum proveito disso.
Ele me observou por alguns segundos.
— Tudo bem. Hoje mesmo eu mando entregar.
Viktor foi embora. Não perguntei como ele sabia qual era meu apartamento, nem como faria a entrega. Eu o conhecia. Ele daria um jeito.
Peguei meu filho e fui para casa. Quando entrei no apartamento, tudo já estava pronto: minhas malas e as de Adam. Eu estava pronta para partir… mas precisava deixar tudo preparado.
César tinha saído para resolver questões do trabalho. Eu não sabia se voltaria naquela noite.
Então eu tinha até o dia seguinte para planejar. Faria um jantar de despedida. Um bom vinho. Apenas um gole. César ficaria confuso, não perceberia nada. Acharia que tinha bebido demais. Sem inibições… eu o teria por completo.
Talvez desse errado, mas não importava. Quando César acordasse no dia seguinte, saberia que tinha dormido comigo. Nem perceberia que tinha sido drogado. A droga de Viktor era boa, não deixava sinais.
Não dava mais para esperar César se decidir. No fundo, ele também me queria. Eu via isso todos os dias.
Só precisava… de um pequeno empurrão.
Talvez uma gravidez depois… dependendo da reação dele. Eu tinha certeza de que César me assumiria. Podia até prever um casamento.
A droga chegou conforme Viktor prometeu.
Eu só tinha uma chance.
E eu tinha certeza de que, depois disso… César seria meu para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...