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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 232

"César"

O fundo do poço não parecia tão fundo. Eu tinha certeza de que era capaz de afundar ainda mais.

Camila, Júlia, meu passado e meu presente disputavam espaço na minha cabeça. Eu ficaria ali naquela sala, sentindo o efeito do uísque que Júlia me deu percorrer pelo corpo, mas a realidade era que a vida acontecia para além dos meus problemas pessoais.

Quando meu celular vibrou, era uma mensagem da minha avó: minha mãe estava em surto e, no momento, eu era o único filho que ainda conseguia chegar perto dela.

Saí do apartamento às pressas. Depois mandaria uma mensagem para Júlia avisando para onde tinha ido.

Minha mãe não conseguia processar a morte do meu pai e tinha colocado todas as forças e convicções em acusar Augusto pela morte dele. Era uma situação difícil, complexa e cansativa.

Quando cheguei à casa da minha avó, ela me esperava na sala, aflita.

— Oi, que está acontecendo? — perguntei, dando um beijo na minha avó.

— Sua mãe… ela não está bem. Quebrou algumas coisas no quarto e se escondeu no closet. Não sei mais o que faço com ela. Desde a morte do Marco Aurélio, ela não consegue ficar sem remédio, seja para dormir ou ficar calma durante o dia.

— Eu vou subir, ver se consigo falar com ela.

Subi para o quarto que era dos meus pais. Na vida, eu tinha entrado ali umas duas vezes, e ambas anos atrás, só lembrava que era um quarto enorme e pomposo, que combinava bem com o meu pai.

A porta estava encostada e, quando a abri, me deparei com uma confusão de coisas quebradas e jogadas pelo chão, objetos de decoração, roupas… parecia que uma bomba tinha estourado ali dentro.

— Mãe? — chamei baixo enquanto entrava no quarto.

Uma porta à direita levava ao closet.

— Mãe? A senhora está aqui?

Nada. Silêncio. O que me deixou preocupado.

Cheguei perto do closet e olhei para dentro. A bagunça se estendia ali também: roupas espalhadas por todos os lados.

— Mãe?

Chamei de novo e fui me aproximando do fundo, até encontrá-la deitada no meio da bagunça, acordada e chorando, agarrada a uma camisa do meu pai.

— Mãe… — abaixei ao lado dela. — O que houve? A senhora precisa sair daqui.

— Eu estava procurando essa camisa — ela respondeu baixinho, as lágrimas caindo pelo rosto. — Ele usou semana passada ainda… tem o cheiro dele.

A procura pela camisa não explicava aquela zona e as coisas quebradas, algo mais vinha acontecendo, e bateu um novo sentimento de culpa, por não estar ali ao lado da minha familia em um momento como aquele. Por pior que fosse nosso relacionamento não poderia deixar a minha mãe naquele estado.

Ajudei minha mãe a se levantar, e ela não opôs resistência, se apoiando em mim.

— Seu irmão já foi preso? Eu falei com o policial. Eles têm que prender logo o Augusto… ele pode fugir — minha mãe resmungou. — Ele tem que pagar pelo que fez com o pai… com o próprio pai.

— Mãe, já conversamos sobre isso…

— Não! Eu não me deixo enganar. Se você quer se fazer de cego, a consciência é sua. Mas eu não. Ele vai pagar, eu vi nos olhos dele, César. Eu sei do que ele é capaz.

Minha mãe falou mais alto, nervosa. A mulher que sempre mantinha uma postura altiva e orgulhosa ao lado do marido agora parecia derrotada, em frangalhos.

— Não todo dia… mas quase sempre — Ela respondeu triste.

— A senhora tem que me chamar para ajudar, não pode carregar isso sozinha.

— Eu sei que você tem seus próprios problemas, meu filho. Não posso ficar te incomodando.

— Não é problema nenhum. Não posso deixar a senhora sozinha… Pode ligar a hora que for que eu venho.

— Pode deixar. Mas tenho certeza de que em algum momento sua mãe vai começar a sossegar. Além de acusar o Augusto, ela não quer ver Diana. Também não aceita que esse assunto já está encerrado, que sua irmã vai se casar com o Ícaro… Tem dias que são bem difíceis.

— Tenho certeza de que em algum momento tudo vai se resolver.

— É o que espero… Mas e você, como está? Em geral eu sei dos planos dos seus irmãos, mas você sempre foi muito reservado, e nem sei como se sente com tudo isso.

Desabafar com a minha avó me faria parecer como um adolescente, eu era homem barbado, de quase quarenta anos, confuso entre duas mulheres e agindo como de uma forma que não me reconhecia.

Então não falei nada.

— Estou em um novo ramo de negócios. Ainda está no começo, mas por enquanto esse é o plano. Não trabalho mais com os meus irmãos.

— Sempre achei que seu lugar era em outro lugar. Fico feliz. Depois quero saber tudo sobre isso.

Fiquei com a minha avó e só fui para casa tarde da noite. Talvez fosse o cansaço, ou as emoções do dia,mas quando meu carro virou a esquina do meu prédio, senti aquilo outra vez. A velha sensação de estar sendo observado, olhei pelo retrovisor. Um carro preto estava parado do outro lado da rua. Provavelmente era só paranoia.

Era impossível aqueles agiotas terem nos seguido até ali.

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