"Júlia"
Peguei o celular de César com as mãos suadas, ele tinha deixado na sala enquanto tomava banho e era a melhor oportunidade até agora.
Era uma medida drástica. Baixa. Mas também a única forma de saber.
Se ele falava com Camila, com outras, ou pior… o que falava com a minha mãe. Estava cansada de viver no escuro. Se quisesse reconquistar César de vez, precisava estar um passo à frente.
Enquanto isso, fingia organizar minhas coisas para a mudança. Caixas abertas, roupas dobradas pela metade — uma encenação perfeita de quem estava seguindo em frente.
Sentei no sofá com o celular nas mãos. Meu coração batia tão forte que tive medo de errar a senha por nervosismo. Eu já tinha pesquisado como desbloquear. Testei, não funcionou, me deixando mais nervosa ainda.
Funcionou na terceira tentativa.
Por um segundo, fiquei parada olhando a tela acesa. Aquela pequena invasão me deu um gosto amargo na boca, mas fui em frente. Abri as mensagens.
Não havia conversa recente com Camila. Nem ligações. Nem notificações suspeitas, respirei aliviada.
Mas então vi o nome da minha mãe. A conversa era entre eles era frequente. Íntima demais para o meu gosto. Minha mãe demonstrando preocupação. Dizendo que ele precisava “resolver logo essa situação”. Que deveria “se livrar de mim o mais rápido possível”. Que aquilo não era saudável para ninguém.
Senti o sangue ferver.
Ela não tinha o direito de decidir minha vida pelas minhas costas. Muito menos aconselhar ele a me descartar como se eu fosse um problema. Engoli o choro, raiva era melhor que dor.
Instalei um aplicativo invisível no aparelho. Tudo o que ele recebesse iria para o meu celular. Mensagens, chamadas, notificações.
Eu saberia antes dele, poderia até pegar senhas bancárias se quisesse. Mas não era isso que eu queria. Nunca foi dinheiro. Mesmo precisando, eu sabia que, se pedisse, César me daria qualquer quantia.
O que eu queria era segurança, o controle da situação, não ser pega de surpresa outra vez.
Deixei o celular exatamente onde estava quando ouvi Adam chorar. Fui dar de mamar, tentando acalmar o tremor nas mãos.
Com o meu celular, eu já vinha monitorando a vida de Camila há semanas, apesar de ela ter dito que deixaria o caminho livre, eu não confiava.
Fotos não faltavam. Drinks elaborados. Eventos. Sorrisos. Vídeos na balada. E algumas imagens em uma academia… dançando pole dance.
Fiquei encarando aquela tela por tempo demais, era impressionante como César tinha se envolvido com ela. Eles não tinham nada a ver, nada em comum.
Mas, juntando o que eu descobria e o que arrancava de César em pequenas perguntas aparentemente inocentes, ficava claro que a responsável por aproximá-la da família tinha sido Isabella, a esposa de Augusto.
Isabella tinha trazido Camila para perto, assim como tinha feito com o marido de Diana, era um fato curioso. Muito curioso.
Continuei descendo o perfil até que vi algo interessante, Camila tinha repostado um evento. Um bar com música ao vivo. Ambiente descontraído e cheio demais.
Não era o tipo de lugar que eu frequentava, muito menos César.
Mas uma ideia começou a se formar, eu poderia sugerir que fôssemos lá, afinal estava na hora de sair de casa. Estava há semanas presa naquele apartamento. Poderíamos contratar uma babá. Mostrar que éramos um casal. Que estávamos bem.
E se Camila estivesse lá? Melhor ainda.
Se estivesse com outro homem… perfeito. César veria. Entenderia. Aceitaria que ela não ligava mais para ele.
— Podemos ir. Pode ser bom para você, ando muito ocupado e esqueço que você fica aqui dentro.
Sorri, sentindo-me derreter por dentro. Queria beijá-lo. Sentir o calor do corpo dele. Mas não me aproximei, apenas concordei.
E, por um instante, senti culpa pelo celular invadido, mas já era tarde demais para voltar atrás.
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Passei os dias ansiosa esperando o dia que nosso encontro, achei que era apropriado chamar assim.
Contratei uma babá super recomendada e quando entreguei Adam nos braços dela, senti o peito apertar. Achei que seria mais fácil me separar dele por algumas horas, entretanto não foi.
Respirei fundo. Era pelo bem da nossa família.
Escolhi um vestido rosa-claro, curto, que valorizava minhas curvas. Eu vinha cuidando da alimentação, fazendo exercícios na academia do condomínio enquanto levava Adam comigo. Ainda faltava muito para o meu corpo voltar a ser como era antes da gravidez, mas eu me sentia bonita. Coloquei uma sandália de salto alto, que fazia tempo que não usava, e me maquiei, fazendo também um penteado simples.
César estava lindo. Camisa preta. Jeans escuro. Elegante sem esforço.
Quando fiquei ao lado dele, vi nosso reflexo no espelho da entrada. Éramos um casal bonito, de parar o trânsito.
Eu não sabia se encontraria Camila lá. Era um palpite. Mas daria um jeito de fazer César postar algo. Ele era discreto demais. Teoricamente, eu era escondida na vida dele e quem sabe era o momento de mudar isso.
Segurei o braço dele quando entramos no bar. Como um casal, mostrando para qualquer um que olhasse.
Principalmente se ela estivesse olhando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...