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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 220

"César"

A casa da mãe da Júlia era simples, mas grande, com um quintal espaçoso na frente. Ficava em uma cidade vizinha, e não foi muito difícil de encontrar.

Ela abriu a porta poucos segundos depois que toquei a campainha.

Eu me lembrava dela. Trabalhou muitos anos na casa do meu pai, mas depois do que aconteceu entre Júlia, Caio e eu, foi mandada embora. Meu pai considerou meu relacionamento com a filha dela uma traição — uma tentativa de golpe mal-sucedida.

— César?

Ela me olhou surpresa. Com certeza eu era a última pessoa que esperava ver no portão.

— Dona Helena, tudo bem? Eu queria falar com a senhora por um momento. Posso entrar?

Ela hesitou, mas saiu da casa e abriu o portão.

— Pode entrar… desculpe o meu jeito.

A sala tinha cheiro de café recém-passado e móveis antigos. Tinha cara de lar, era aconchegante. Ela indicou o sofá, e eu me sentei.

— Quer uma água? Um café? Acabei de fazer.

— Um café, por favor. — Aceitar parecia o melhor caminho para deixar o clima mais calmo.

Ela entrou na cozinha e voltou rápido com duas xícaras.

— Cuidado, está quente.

Tomei o café sem açúcar mesmo.

— A senhora deve estar se perguntando o que estou fazendo aqui.

— Bem… isso é estranho.

Resolvi ser direto, sem rodeios.

— A Júlia está hospedada na minha casa, ela tem um filho, um menino que nasceu há dois meses.

A mulher me olhou em choque. Depois, descrença.

— Como assim? Na sua casa? Conta essa história direito. Ela não estava morando lá com aquele traste?

Então contei sobre os últimos meses, a morte de Caio, a gravidez, as dificuldades de Júlia e o motivo de eu tê-la levado para minha casa.

Dona Helena ficou um momento em silêncio, absorvendo a informação.

— Então aquele lá morreu? E ela ainda teve um filho dele? Sempre soube que daria tudo errado, nada que começa do jeito errado tem futuro.

— Sim. O nome dele é Adam, é um menininho bem esperto — Falei do neto para tentar acalmar os ânimos.

Ela me encarou, me analisando.

— Eu sinto responsabilidade.

Ela me estudou por alguns segundos.

— Isso não responde à minha pergunta.

— Não. Nenhum sentimento além disso.

O olhar dela era afiado, quase como o de uma águia.

— Não acredito muito. Enfim… não é da minha conta se você quer se envolver nisso de novo. Vou dar o benefício da dúvida. Pelo trabalho que você teve atravessando o oceano para ajudar alguém que, na minha opinião, não merece.

— Obrigado. Eu realmente acredito que o passado precisa ficar no passado. Todo mundo errou. Até mesmo eu.

— Seu único erro foi confiar nas pessoas erradas e namorar minha filha. Eu sei que pareço fria, mas criei ela para ser honesta. Quando vocês começaram a namorar, fiquei feliz. Não porque você fosse rico, mas porque eu sabia que era um bom homem. Bem diferente do seu irmão, por exemplo. Se ela tivesse se envolvido com Augusto, talvez fosse até mais fácil — eu obrigaria a tomar juízo. Mas com você, não. Eu sempre soube que seu pai seria contra. Só não imaginei que minha filha cairia no jogo sujo dele… porque isso significaria que ele estava certo sobre ela. Que era uma interesseira atrás de dinheiro. Você foi o único que não errou.

Ela desabafou. Depois ficou em silêncio, pegou as xícaras vazias e levou de volta para a cozinha. Havia muita mágoa ali e decepção.

— Obrigado mais uma vez, Dona Helena, por me receber. Vou deixar meu endereço. A senhora pode ir à minha casa quando quiser. Estará de portas abertas.

Ela deixou o papel sobre a mesa de centro.

Despedi-me em seguida. Havia uma chance, pelo menos. Eu acreditava que, depois de uma boa conversa, Júlia e a mãe poderiam se acertar.

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