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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 205

"Isabella"

Eu queria vingança. Foi assim que tudo começou, com uma proposta insana, motivada pela necessidade de justiça e pela ambição de Augusto por poder.

O caminho que percorremos depois daquela decisão apressada foi inusitado, louco e perigoso. Achei que, após dois anos, receberia o dinheiro e seguiria com a vida. Mas, quando o prazo chegou ao fim, eu tinha dois filhos e estava apaixonada por Augusto, sem dúvidas de que ele também me amava.

Agora eu admirava o quintal inundado pelo sol da tarde e pelo som que se tornara a trilha sonora da minha vida: o caos. Victoria e Alexandre completavam três anos, e a energia deles parecia capaz de iluminar a cidade inteira. Corriam pelo gramado, gritando e rindo, deixando-me em estado constante de alerta e com um orgulho que chegava a doer no peito.

Eu os observava e, às vezes, ainda me surpreendia com a perfeição de cada detalhe. Embora não tivéssemos tido outros filhos nesses três anos, eu não havia desistido. Teria mais filhos com Augusto.

— Papai! — o grito em uníssono ecoou pelo jardim.

Augusto mal teve tempo de guardar o celular no bolso antes de se agachar, abrindo os braços para receber o impacto de dois corpos pequenos e entusiasmados. Ver Augusto como pai era uma lição diária de transformação. O homem cafajeste e um tanto arrogante, movido pela ambição, agora era especialista em ler histórias com vozes diferentes, montar castelos de blocos e não perder uma única consulta médica. Era um pai incrível e presente.

— Tio! Tio Augusto!

Um terceiro grito atravessou o gramado. Heitor. Meu sobrinho e meu terceiro filho de coração.

Desde que minha tia adoeceu e minha irmã simplesmente evaporou no mundo, a guarda de Heitor passou definitivamente para mim. Eu o criava sem distinções, garantindo que tivesse todo o suporte emocional e terapêutico necessário. Minha irmã escolhera o silêncio e o abandono, e eu fazia o possível para que ele não sofresse com essa ausência.

Heitor era observador. Às vezes me chamava de “tia”, às vezes de “mãe”. Olhava para Augusto com a mesma admiração dos primos, mas o chamava de tio.

— Cuidado com a roupa! Ainda falta o parabéns! — gritei, inutilmente.

Eles não ligaram. Rolaram na grama, gargalhando, junto das outras crianças que chegavam.

— Deixa eles — Augusto murmurou, aproximando-se e envolvendo minha cintura. Deu-me um selinho demorado, que ainda tinha o poder de me fazer esquecer o resto do mundo.

— Você mima demais essas crianças, Augusto.

Ele apenas sorriu, sem negar. Era verdade. O CEO implacável fora derrotado por mãos pequenas e sujas de terra.

Diana chegou logo depois, exibindo o barrigão de sete meses da terceira gravidez, rindo da tentativa de Valentina de manter a postura de irmã mais velha enquanto os irmãos mais novos já corriam atrás dos primos, aumentando o caos.

Minha cunhada era executiva ao lado de Augusto. Em três anos, havia transformado a empresa Salvatore em um empreendimento bilionário, construindo um novo império com projeção de crescimento para além das fronteiras.

Enquanto as velas eram sopradas e os aplausos preenchiam o ar, olhei para Augusto ao meu lado. Lembrei-me, mais uma vez, do início de tudo.

A melhor vingança, no fim, era a felicidade. A nossa felicidade.

Depois do bolo, as crianças se espalharam, impacientes, querendo apenas brincar.

— Pronta para a nossa lua de mel? — Augusto falou no meu ouvido.

— Mais do que pronta.

— Não esquece o vestido. Estou esperando há anos para tirar ele do seu corpo — Ele exibia um sorriso insinuante.

— Já está na mala… e você vai se surpreender como ele ainda me serve.

Depois de anos tentando conciliar tudo e fazendo apenas viagens em família, finalmente teríamos a nossa lua de mel de verdade. Camila ficaria com as crianças, garantindo que elas seriam ainda mais mimadas.

Seria uma viagem curta, de apenas três dias, mas eu pretendia aproveitar cada segundo, tendo a certeza de que depois de tudo o que enfrentamos, nada nem ninguém seria capaz de nos separar outra vez.

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