"Isabella"
Quando Augusto abriu a porta do quarto, tentou disfarçar a expressão de pânico. Ele, que sempre se mantinha impecável e sob controle.
— Calma, está tudo bem — eu disse, segurando a mão dele com força assim que ele parou ao lado da minha maca. — A médica falou comigo. Vou fazer os exames para ver como estão os dois, mas não tem como adiar o parto e será feito uma cesária de emergência.
As palavras que saíam da minha boca de forma calma, não eram condizentes com a minha mão, que tremia. Augusto percebeu e apertou meus dedos com mais força, sabendo que eu estava com medo.
A gravidez tinha sido um mar calmo, nenhuma intercorrência, nenhum susto. Até a mudança para a mansão acontecera sem estresse.
Mas agora, na reta final, a barriga pesava. Meus pés pareciam bolas de chumbo ao fim do dia, e a minha pressão precisava ser medida diariamente. No fundo, eu torcia para que os gêmeos nascessem no tempo certo, mesmo sabendo que seria difícil e sentindo cada vez mais o corpo dando sinais.
Diferente de Diana, que enfrentara o parto natural, eu não tinha essa opção. Ainda mais agora, quando tudo se tornava arriscado. Victoria e Alexandre tinham outros planos. Com quatro semanas de antecedência, decidiram que era hora de nascer.
— É uma cesárea de emergência — explicou a médica quando entrou no quarto, com uma calma quase irritante. — Não quero que fique assustada, mas, pelo peso deles, provavelmente precisarão ficar um período na UTI neonatal. É um procedimento comum nesses casos.
Respirei fundo, tentando afastar o medo de que algo desse errado. Victoria e Alexandre. Meus filhos. Em breve estariam nos meus braços. Olhei para Augusto, forçando minha mente a se concentrar em pensamentos positivos.
A médica saiu, informando que uma enfermeira viria me buscar.
— Eu tenho certeza de que vai ficar tudo bem, o César foi buscar a Camila e a sua tia te mandou um beijo — Augusto comentou, mudando de assunto, tentando me distrair.
Arqueei a sobrancelha, o choque momentâneo superando o medo.
— Sério? Eles voltaram a se falar?
— Não faço ideia… mas meu irmão estava com uma expressão mais leve. Acho que ele finalmente teve algum avanço. Se é que dá para chamar o que eles têm de relacionamento.
Sorri, imaginando a cena. Se Camila perdoasse o “coitado” do César — como minha tia implorava todos os dias — teríamos um evento histórico na família. Camila não era mulher de ceder por cansaço; se voltasse para ele, seria por algo muito mais profundo que orgulho.
— Quem sabe… depois do casamento da minha irmã não teremos outro? — provoquei.
— Só acredito vendo — Augusto rebateu.
A enfermeira chegou, e o tempo passou entre exames, procedimentos e preparações. Meus bebês estavam sinais vitais bons, prontos para nascer.
Quando me levaram para a sala de cirurgia, a ansiedade e o medo disputavam espaço dentro de mim. Por mais que tentasse evitar, eu tremia a ponto de bater os dentes.
Augusto não soltou minha mão. Vestido com a roupa hospitalar e a máscara que deixava apenas seus olhos intensos à mostra, ele se tornou meu porto seguro.
Sem controle senti as lágrimas descendo pelo rosto, um choro de incredulidade. Como o tempo passou tão rápido? Como eu cheguei aqui?
Augusto narrava cada passo, a voz baixa junto ao meu ouvido, tentando me manter ancorada ali.
— Já estão tirando o primeiro… eu estou vendo… ele é pequeno… meu Deus… é o Alexandre
E então o choro veio. Forte. Rasgando o ar, era o som mais lindo que eu já tinha ouvido.
Mas o segundo não chorou. Eu podia perceber a movimentação na sala. O silêncio se prolongava e, dentro de mim, ele ecoava como uma eternidade.
— E a Victória? — minha voz saiu falha, quase inaudível — O que está acontecendo? Ela está bem?
— Claro que sim — Augusto respondeu, mas eu podia ver nos olhos dele a agonia.
Ninguém mais falou nada. Vi apenas movimentos rápidos. Um murmúrio técnico. O barulho metálico de instrumentos sendo deslocados, mas a minha mente não conseguia processar direito.
Meu coração começou a bater tão forte que achei que fosse desmaiar.
— Augusto… — sussurrei, sentindo o pânico subir pela garganta.
Ele apertou minha mão com carinho, ele tentava manter a calma por mim, mas eu conhecia aquele homem. Conhecia cada microexpressão. Havia tensão ali.
— Eles estão… estão estimulando — ele disse, a voz já menos firme.
Eu não conseguia respirar direito, os minutos cada vez mais longos. Então, finalmente, um som frágil, pequeno, quase um protesto.
Mas chorou. E eu sorri, reconhecendo aquele chorinho frágil, chorando junto. As lágrimas vieram com força, misturadas a um riso nervoso e quase desesperado. Nunca um som tão pequeno significou tanto.
— Eles são lindos — Augusto sussurrou, agora sem conseguir esconder que também chorava.
Victoria e Alexandre. Tão pequenos que pareciam frágeis demais para aquele mundo enorme. A pele avermelhada. Os olhos fechados. As mãos minúsculas se abrindo no ar, como se procurassem algo.
Procurando por mim.
Mas eu não pude segurá-los.
Mal tive tempo de sentir o peso deles sobre o meu peito antes que os levassem. Vi apenas de relance quando os colocaram nas incubadoras móveis.
— Eles vão precisar ir para a UTI neonatal — explicou de novo alguém com voz serena demais para o caos que se instaurava dentro de mim.
Quando colocaram Alexandre no meu peito, pele com pele, eu senti algo se reorganizar dentro de mim. Ele era tão leve. Tão pequeno. Mas o calor do corpo dele contra o meu fez o mundo parar.
Ele reconheceu meu cheiro. Se acalmou. E eu também.
Victoria demorou dois dias a mais para sair da incubadora. Eu contava as horas, mas ela era forte e determinada.
Quando finalmente disseram que poderíamos levá-los para casa, eu não consegui acreditar.
Saí do hospital com dois bebês nos braços pronta para a minha nova vida ao lado deles.
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Minha nova vida virou um caos maravilhoso.
Ter gêmeos era uma matemática que eu ainda não dominava. Eu olhava para os dois no berço duplo sem saber por onde começar. Se amamentava um, o outro abria o berreiro. Se tentava ajeitar os dois, parecia que me faltavam braços, pernas e neurônios.
— Ainda bem que é uma menina e um menino — Augusto brincou certa noite, segurando Victoria, enrolada em sua manta rosa. — Acho que eu não saberia quem é quem no escuro.
Eu ri, exausta, sentada na poltrona com Alexandre grudado ao meu peito. Ele mamava como um bezerrinho faminto, já demonstrando a personalidade forte que, com certeza, herdara do pai, dos dois era o mais agitado e chorava com força acordando a casa toda.
— Eu colocaria pulseirinhas coloridas neles — respondi — Mas acho que se o outro menino fosse igual a Victória seria fácil de saber, ela é a mais calminha.
Eu estava descabelada. Inchada. Mas feliz. Transbordando.
— Estava pensando — Augusto continuou, balançando Victoria com uma delicadeza que eu jamais imaginaria naquele homem de negócios implacável. — O casamento da Diana é daqui a um ano. Depois que passar a festa, podemos viajar. Só nós. Nossa lua de mel atrasada. Uma ilha, talvez?
Olhei para ele, incrédula.
— Com duas crianças de um ano? Augusto, vai ser tudo, menos uma lua de mel, não quero nem imaginar quando eles começarem a andar.
Ele sorriu, aquele sorriso que ainda fazia meu coração errar a batida.
— Então não será uma lua de mel tradicional. Será um momento nosso. Em família. Apenas nós.
Observei-o ali, cuidando da nossa filha.
Sim, talvez nossa lua de mel tivesse choro de madrugada, mamadeiras na mala e areia nas fraldas. Seria perfeita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...