"Augusto"
Entrei na empresa pela porta da frente desta vez. Poderia ter esperado mais, deixado a poeira baixar, permitido que o tempo acalmasse os olhares. Mas meu objetivo sempre foi retomar meu lugar e minha rotina o mais rápido possível. Se demorasse demais, tudo aquilo viraria pó e eu não pretendia assistir à queda de longe.
Meu espaço, agora, precisava ser reconquistado passo a passo. Eu sentia os olhares cravados em mim, alguns curiosos, outros desconfiados. Ainda assim, abaixar a cabeça nunca foi uma opção, afinal eu era um Salvatore e, depois da minha inocência ter sido comprovada em rede nacional, não devia satisfação a ninguém.
O silêncio no elevador era constrangedor. Dois diretores subiram comigo, um pigarreou e o outro comentou algo irrelevante sobre o clima. Não respondi.
Fui direto ao andar da presidência. Desta vez, meu retorno não era surpresa, tinha avisado com antecedência e de forma que Tadeu compreendeu que era definitiva, sem margem para negociação.
O olhar dele, quando me sentei à sua frente, era de cautela. Eu era o único herdeiro ali, ao menos por enquanto, e depois de tudo, havia chegado a hora de decidir o futuro.
— Então você pretende mesmo voltar ao trabalho? — perguntou, sem conseguir esconder a descrença no tom de voz.
— Não vejo motivo para adiar por mais tempo — respondi. — O assassinato do meu pai foi solucionado. Ficou provado que qualquer desconfiança sobre mim era infundada. Agora, meu objetivo é retomar as rédeas e tentar salvar a SEG29 do fim.
Tadeu suspirou, cansado.
— Não acho que isso seja possível, infelizmente. Avaliamos todas as alternativas. Mesmo com um plano de reposicionamento, o escândalo, o assassinato do Marco Aurélio… tudo isso destruiu a credibilidade da empresa. Não queria ser pessimista, mas…os dados indicam que não teremos mais clientes ou capacidade conseguir novos...
— E a fusão mencionada pelo meu pai? — interrompi.
Eu já imaginava a resposta. Diana e eu havíamos discutido isso longamente. Ela chegara à mesma conclusão que eu.
— Marcelo já deixou claro que declinou da ideia — explicou Tadeu. — Deu a entender que Marco Aurélio usou meios ilegais para tentar forçar a fusão.
— Como esperado — murmurei. — Eu ficaria surpreso se ele tivesse mantido o projeto.
— A melhor decisão agora é a liquidação — continuou Tadeu. — Antes que as dívidas se acumulem ainda mais.
— Vamos vender — disse com determinação.
Tadeu me encarou, sério.
— Augusto, no momento, nem sei se conseguiremos propostas. Ninguém quer se vincular à lama em que isso aqui se transformou, o conselho considerou essa possibilidade, mas todas as tentativas não deram resultado, pode demorar muito tempo até achar um comprador.
— Marcelo pode comprar — respondi. — Não uma fusão. A compra direta. Temos estrutura, ativos. Ele não precisa manter o nome. Pode absorver os restos da SEG29. Para a mídia, vendemos como encerramento da marca. Dentro do mercado, será exatamente isso, o fim.
Tadeu ficou em silêncio, avaliando. Sabia que aquela era, de fato, a melhor opção, para todos os envolvidos. Além disso, a venda exigiria o inventário concluído e o aval unânime dos herdeiros.
— Por que eu compraria aquele lixo? Vocês se afundaram sozinhos, cercados de fofocas e motivos duvidosos. Agora querem vender os destroços?
— Eu trouxe uma proposta — coloquei a pasta sobre a mesa, ignorando o comentário. — E ela é vantajosa para você, no fim vai sair ganhando, a venda inclui até mesmo o prédio, será um ótimo avanço se tornar o numéro um.
— Eu já sou o número um, desde que vocês começaram a naufragar. E qual é o truque? — ele estreitou os olhos. — Da última vez, seu pai veio até aqui me ameaçar para forçar uma fusão. Espero que esteja queimando no inferno.
Nunca houve nenhum atrito entre Marcelo e meu pai, mas pelo jeito Marco Aurélio partiu desse mundo com mais um inimigo. Não questionei qual era a ameaça, minha estratégia era outra.
— Não há truques — respondi. — Apenas números.
Marcelo folheou o material com desconfiança, mas também com interesse. Eu via a ambição falando mais alto. Ele levaria os destroços, como ele mesmo dissera, quase de graça. Era um negócio bom demais para ser desperdiçado por sentimentos.
— Vou encaminhar para o juridico, se isso aqui for algum truque, eu vou pessaolmente jogar uma pá de cal na SEG29.
— Pode analisar pelo tempo que quiser, não tem nenhum truque.
A reunião foi curta, tensa, e terminou sem resposta, como já era esperado. Tinha certeza de que em breve receberia uma ligação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...