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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 191

"Isabella"

Depois da conversa com Tadeu e Diana, Augusto passou a se concentrar em trabalhar, mesmo sem estar fisicamente na empresa. Disse que tinha outros projetos e passou a se dedicar a eles se trancando no escritório.

As investigações da polícia, no entanto, avançaram. Todos fomos chamados para depor, os filhos e parceiros. Foi um momento estranho. Tive que reviver, mais uma vez, o sequestro, explicar por que acusei meu sogro, justificar decisões que eu mesma já não sabia se faria de novo.

Ainda assim, tive a impressão de que o depoimento de Augusto durou muito mais. A desconfiança, mesmo com um álibi sólido, parecia pesar mais sobre ele. Eu tinha certeza da inocência do meu marido. Acreditava quando ele dizia que não tinha feito nada, era capaz de por a mão no fogo por ele.

Tentava ao máximo evitar as notícias e os vazamentos para a imprensa, ignorar as mensagens que chegavam no celular. Mas era difícil. Chegava a ser mais fácil quando a pauta era o meu noivado ou a vida sem vergonha do Augusto. Quase sentia falta da época em que mulheres aleatórias me mandavam fotos dele fazendo alguma coisa indecente antes do nosso casamento.

Os dias foram passando assim. Sem novas atualizações do caso, sem provas contra Augusto, tudo começou a esfriar. O motoqueiro continuava um mistério — tinha simplesmente desaparecido na multidão, sem surgir em nenhuma das milhares de câmeras espalhadas pela cidade.

Por isso, quando a mensagem chegou, achei que fosse uma piada. Ignorei.

Então chegou outra. Com uma foto.

“Tenho provas de que você e seu marido mataram Marco Aurélio. Me encontre neste endereço.”

O endereço era um link para um prédio de escritórios. O correto seria entregar aquilo à polícia, avisar que eu não tinha nada a ver com aquilo. Podia ser uma tentativa de golpe. Podia ser alguém querendo atenção.

Mas a foto…

Era Augusto conversando com alguém de capacete, ao lado de uma moto.

A imagem, sozinha, não dizia nada. Eu não sabia se era verdadeira. Mesmo assim, me assustei, apavorada com a possibilidade daquela pessoa ter provas que incriminasse ele de alguma forma. Queria um futuro tranquilo com Augusto, eu tinha exames marcados, queria descobrir o sexo do bebê ao lado dele, vê-lo no parto, construir uma vida normal.

Com a cabeça confusa, respondi que iria.

Até ali, eu já tinha um histórico de ideias erradas e decisões controversas e essa era mais uma.

Precisava de uma desculpa boa o suficiente para sair de casa sem que Augusto fosse comigo, e pior: ele me monitorava pelo celular e pelo colar. Saberiam exatamente onde eu estivesse, pensando bem era bom, já que não sabia o que me aguardava.

Avisei que faria um exame de sangue cedo, que não precisava que ele fosse comigo para não chamar atenção. Fui ao hospital e, de fato, fiz o exame às seis e meia da manhã. Às sete, estava em frente ao prédio de escritórios, observando a entrada e tentando imaginar quem me esperava.

Eu podia tomar decisões estranhas, mas não era burra. Por isso levei um segurança comigo, sem explicar o motivo.

O prédio era novo, com inúmeros escritórios iguais. O andar indicado era o último. Quando o elevador se abriu, dava para um corredor estreito, com várias portas brancas. Apenas duas tinham placas com nomes de empresas; o resto parecia vazio.

A porta indicada era a última.

O segurança permaneceu ao meu lado, em alerta, dava para perceber que estava achando aquilo tudo estranho.

Bati na porta com o coração disparado. Já percebendo o quanto aquilo era uma péssima ideia e cogitando dar meia volta, mas não sai do lugar.

Ouvi passos se aproximando e quando a porta se abriu, fiquei em choque.

Era Karina.

A secretária do César.

Ela nos olhou, contrariada e assustada.

— Ele fica — Apontou para o segurança — Eu falei para vir sozinha.

O segurança me encarou, em dúvida. Assenti e pedi que aguardasse do lado de fora.

Entrei.

O lugar era composto de uma recepção e uma salinha que servia de escritório, tudo branco e vazio. Karina não estava mais grávida. Pensei automaticamente no bebê, onde ele estaria?

A resposta veio ao entrarmos na sala ao lado.

Havia uma mesa com duas cadeiras. E um carrinho de bebê. Um menino, dormindo, completamente embrulhado.

— Ele tem vinte dias — disse ela, aproximando-se do carrinho e dando uma olhada no filho que parecia dormir profundamente.

Eu não soube o que dizer. O choque me deixou muda.

— Pode relaxar. Não vou fazer nada — continuou. — Mas eu precisava conversar com você.

— Você disse que tem provas contra o Augusto — Não tinha tempo para conversa, queria saber logo o que estava acontecendo.

— Tenho o suficiente.

— Metade das mulheres da empresa já foram para a cama com ele — continuou. — Mas nenhuma engravidou… ou, se engravidou, ele deu um jeito. Não era minha intenção. Ele me deu dinheiro. Todo mês. Continuei trabalhando, fingindo que não o conhecia, acho que não acreditava que era filho dele, mas não podia arriscar um escândalo. Ele é mesmo filho dele, não tinha outro homem na minha vida.

Ela engoliu em seco.

— Quando percebi que estava grávida, entendi que meu filho também seria herdeiro. Mas ele deixou claro que jamais registraria um bastardo, filho de uma qualquer. Disse que acabaria com a minha vida se eu abrisse a boca, antes que conseguisse fazer um teste de DNA.

Aquilo… era a única coisa que fazia sentido ali. Marco Aurélio jamais permitiria um escândalo desses.

Olhei de novo para o bebê dormindo, pensando no azar de ser filho daquele homem.

Karina, agora uma mulher exausta, assustada, muito diferente da secretária sorridente que eu conheci. Ela estava com medo, mas eu não entendia o por quê.

— Agora ele morreu — arrisquei. — Você pode procurar a Justiça, ninguém vai te impedir, nem o Augusto nem os irmãos, um escândalo a mais não vai fazer diferença.

Ela não respondeu, as lágrimas escorrendo pelo rosto. O silêncio disse tudo, porque ela queria fugir, porque estava com medo.

— Você matou ele — afirmei, de repente,.

— O quê? Claro que não! — respondeu rápido demais. A negativa não soou convincente, não conseguia acreditar nela.

— Sinto muito — falei. — Mas isso é absurdo, o que você fez...

— Eu só preciso de dinheiro para ir embora — ela chorou. — Ninguém nunca mais vai ouvir falar de mim. O que ele me deu não é suficiente para começar uma vida com um bebê em outro pais.

Vacilei.

Ela tinha medo. Muito medo. Mas fugir não era solução.

— Você não sabe se vai conseguir fugir — disse.

Karina desabou em prantos.

E, por um segundo, pensei em mim.

No que eu faria se soubesse que poderiam me separar do meu filho, eu compreendia até certo ponto a vontade de fugir, eu já tive essa vontade.

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