"Isabella"
Minha consciência vagava para um lugar indefinido, um limbo entre a realidade e o sonho. Vozes, sons, frio. Só podia ser a morte. Mas a dor era real. O peso no peito. A luz branca no teto.
A voz de Augusto, próxima, reconfortante.
Tentei me mexer, mas o corpo parecia feito de chumbo, pesado, preso. Meu corpo reagia lento demais, como se não me pertencesse. As lembranças voltaram sem aviso: o buraco no chão, o cheiro de terra, a risada cruel de Carlos.
Incapaz de reagir enquanto me arrastavam. A escuridão engolindo tudo. Quis gritar, fugir, mas meu corpo não me obedecia. Tentei de novo e meu braço se levantou; o outro continuava preso em alguma coisa. Precisava me soltar, tinha que correr, tinha que gritar, fugir.
— Amor… calma. Calma. Olha pra mim.
Mãos me seguraram, tentando me conter, e o cheiro de Augusto me atingiu. Seu rosto preocupado diante de mim.
— Augusto… é você? — apavorada, toquei seu rosto para ter certeza de que era real. Era ele mesmo. Quente, em carne e osso.
— Está tudo bem agora. Você está segura — disse, beijando minha testa e me abraçando de forma carinhosa.
O medo de ele ser uma ilusão, de eu ainda estar naquele buraco. Abracei-o com força, precisava ter certeza. Ele estava ali. Medo, alívio, culpa… tudo misturado.
— Você está a salvo — disse ele, com a voz baixa e firme. — Acabou. Eu estou aqui.
As lágrimas vieram antes que eu pudesse impedir. Eu tinha perdido a esperança de vê-lo de novo, de ter qualquer futuro. Sentir seus braços ao meu redor fez meu corpo inteiro tremer. Não entendia como estava ali, onde estava, nem queria saber. Só queria ele ao meu lado.
Demorei a me acalmar. A entender onde estava, como tinha ido parar no hospital. Mas o cheiro de antisséptico e os sons das máquinas eram inconfundíveis. As lembranças ainda estavam quebradas, confusas, mas uma coisa era clara: eu tinha sobrevivido. E ganhado outra chance.
Então, outra lembrança, mais forte e mais importante do que qualquer outra, me atingiu.
Instintivamente, levei a mão à barriga, apavorada com a possibilidade de ter acontecido alguma coisa com a gravidez, ainda tão frágil e recente.
— Meu filho… — a voz saiu fraca, trêmula, estranha. — Nosso filho… ele está bem?
O medo voltou com força total. Augusto me olhou de um jeito estranho, confuso. Ele não sabia do que eu estava falando, eu não conseguia falar direito, explicar. Parecia urgente dizer, chamar alguém, ter certeza.
— Isa… você pode estar confusa. Você foi drogada, passou por um trauma muito grande…
— Não — interrompi, sentindo o coração disparar e tentando manter a voz firme. — Eu fiz um teste. Deu positivo. Eu ia te contar, fazer uma surpresa… então ele me pegou… Ele está aí, não está? Não posso ter perdido.
As lágrimas escorreram pelo meu rosto. O silêncio que se seguiu foi curto, mas pesado demais.
— Vou chamar o médico — disse ele, apertando minha mão. — Agora.
Augusto saiu apressado e voltou em seguida. A enfermeira entrou primeiro, depois o médico. Fizeram perguntas. O médico solicitou um ultrassom urgente, mas não havia sido detectado nenhum sangramento e eu nenhuma dor além da cabeça e do corpo.
Augusto não soltou minha mão em nenhum momento. Nem no corredor, nem na sala do exame. Sentia o calor da mão dele ali, me segurando. Minha mente ficava cada vez mais clara e desesperada, com o medo de não ver nada naquele aparelho, de Carlos ter tirado de mim até mesmo meu filho.
Ainda mais apavorada, observei em silêncio a médica aplicar o gel na minha barriga e posicionar o aparelho.
— Não pensa nisso agora. Quando tudo se acalmar, eu explico.
Augusto se deitou comigo na cama do hospital. Deitei, colocando a cabeça no peito dele
— O Carlos disse que foi seu pai — Falei baixinho, lembrando das palavras do meu ex-marido.
— Está tudo bem agora, é só o que importa agora. Ele vai pagar por tudo isso — Augusto me apertou mais forte e acabei dormindo de novo, o corpo exausto, finalmente me sentindo segura com ele ao meu lado.
Quando acordei, Camila estava ali. O rosto radiante, embora os olhos estivessem inchados de choro.
— Quer dizer que vou ser tia? — disse, me abraçando forte.
— O Augusto já contou?
— Foi a primeira coisa que ele disse quando cheguei. Depois de toda essa loucura, acho que é a notícia mais incrível dos últimos tempos. Quando você sair daqui, vamos fazer uma festa, comemorar.
— Vamos com calma — Augusto falou sorrindo com a empolgação da minha prima.
À luz do dia, eu via as marcas de preocupação no rosto dele. A mão machucada. Eu precisava conversar com calma, saber o que tinha acontecido e como ele me encontrou.
— Eu preciso resolver algumas coisas agora, mas já volto, eu prometo — disse, me beijando. — Não saia de perto dela.
Ele avisou Camila, que garantiu que não sairia. Agora, com a cabeça mais clara, eu tinha muitas perguntas, mas era melhor chegar em casa para entender tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...