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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 167

"Augusto"

A conversa com meu pai sobre o retorno de Enzo foi completamente improdutiva. Com apenas duas frases, fui dispensado. Ele não demonstrou qualquer preocupação com um possível ataque e sequer considerou Enzo digno de nota.

Mesmo assim, conversei com John e pedi que dobrasse a segurança. Era melhor prevenir do que remediar.

No fim do dia, Isabella avisou que precisava resolver um assunto e saiu mais cedo, dizendo que me encontraria em casa e prepararia um jantar especial.

Já me preparava para entrar no carro quando Diana ligou. No primeiro momento, não consegui entender nada. Minha irmã falava de forma alterada e confusa.

— Diana, espera. Não estou entendendo. Fala devagar.

Ouvi quando ela fungou do outro lado da linha. Diana não conseguia falar porque chorava, percebi a gravidade da situação, alguma coisa tinha acontecido, algo muito sério.

— Fica calma e respira, me diz o que houve — Pedi com calma.

— O Ícaro… ele… levou um tiro…

Ela não conseguiu dizer mais nada. Outra pessoa pegou o telefone e explicou. Ícaro tinha sido baleado e estava em estado delicado, sendo levado para a cirurgia e Diana estava abalada demais para conseguir explicar o que tinha acontecido, pedi o endereço do hospital e orientei o motorista a ir direto para lá.

Tentei ligar para Isabella, mas ela não atendeu, ela não disse aonde ia, liguei mais uma vez e mandei uma mensagem, avisando que tinha acontecido um acidente com Ícaro.

Quando cheguei ao hospital, encontrei minha irmã completamente abalada. Uma enfermeira e uma policial tentavam acalmá-la, mas ela chorava sem parar. Levei algum tempo até conseguir tranquilizá-la o suficiente para que explicasse melhor o que tinha acontecido.

A policial explicou que foi uma tentativa de assalto. Ícaro fora atingido e, naquele momento, estava na sala de cirurgia. Por enquanto, ninguém sabia dizer qual era o real estado de saúde dele, mas os detalhes só a minha irmã sabia.

— Os seguranças… — Diana engoliu em seco, tentando falar de forma coerente. — Eles não estavam lá, Augusto.

— Como assim, não estavam? — perguntei, sem entender por um momento o que ela queria dizer.

— Não tinha ninguém — ela insistiu, a voz trêmula. — Nenhum carro, nenhum homem na esquina, nada. A rua estava completamente vazia.

Ela levou as mãos ao rosto, respirando com dificuldade.

— Ícaro dizia que se sentia seguro porque eles estavam ali, mesmo à distância. Eu não sei se eles estavam na rua quando saímos de casa, não reparei, o Ícaro queria fazer uma surpresa, colocou vendas nos meus olhos, ele comprou uma casa…Mas quando saímos da casa não tinha ninguém na rua.

Meu estômago revirou.

— E o assalto? — precisava entender o que tinha acontecido e como.

— Foi rápido — ela continuou, chorando. — Dois homens se aproximaram em uma moto…um deles desceu e anunciou o assalto. Ícaro me puxou para trás, não reagiu, deu o que eles queriam e mesmo assim atiraram nele, eu não entendo, por que?

Diana fechou os olhos, como se revivesse a cena, apavorada sem entender como tudo tinha mudado tão rápido. Abracei a minha irmã, a roupa dela ainda manchada de sangue, que ela nem percebia.

Liguei mais uma vez para Isabella, mas a ligação não completou e a mensagem não foi recebida. Era estranho, ela nunca deixava de atender uma ligação.

Liguei também para o John e também não fui atendido.

Não podia largar Diana ali sozinha, mas tinha coisas que precisavam ser esclarecidas, e me afastei um pouco para falar com o motorista e outros seguranças que ficaram do lado de fora do hospital.

Pedi aos meus seguranças que entrassem em contato imediato com a central. Eu já não tentava esconder a impaciência.

— Coloca no viva-voz — ordenei.

Alguns segundos depois, a voz do atendente soou do outro lado e questionei a ausência dos seguranças e como uma falha assim tinha acontecido.

— Senhor Augusto, verificamos o sistema agora. Consta aqui que os seguranças da senhora Isabella e da senhora Diana foram retirados do posto por ordem direta.

— Retirados? — repeti, a sensação de mau agouro se formando. — Isso é impossível.

— Eu preciso falar com ela e ela não atende. Saiu do trabalho para resolver algo e ainda não voltou — Tentei soar como uma preocupação comum, mesmo porque nunca tinha ligado para Camila para fazer esse tipo de pergunta e ela não era idiota.

— Vou tentar ligar para ela — Camila respondeu antes de desligar.

Liguei para John de novo, mas nada. Também não recebia mensagens. Não precisava de muito para saber que tudo isso estava conectado, que só uma pessoa poderia fazer uma coisa assim, só uma pessoa tinha interesse em acabar com os dois.

Voltei para dentro do hospital. Diana, agora mais calma, tinha entrado em uma espécie de torpor. As enfermeiras tentavam ajudá-la; era uma mulher grávida, apavorada e em choque. Me sentei ao lado dela.

— Eu ainda não avisei a Valentina, eu não sei como falar uma coisa dessas para ela — Disse com a voz baixa.

Eu também não sabia, mas naquele momento era o único que podia fazer isso. Peguei o celular da minha irmã e liguei para filha de Icaro, ela estava na casa de uma amiga, e tentei explicar apenas que tinha acontecido um acidente e dei o endereço do hospital.

A menina chegou acompanhada de uma mulher que devia ser a mãe da amiga. Esperei do lado de fora do hospital para falar com elas; se a menina visse o estado de Diana, entraria em pânico. Mas ela era mais forte do que eu esperava, depois de ouvir o que aconteceu de fato, entrou no hospital procurando minha irmã e a abraçou, chorando também.

Até aquele momento, ainda não havia notícias de Ícaro, mas eu tinha outras coisas para resolver, e cada minuto contava.

Conversei com a mulher e perguntei se ela poderia ficar com as duas. Anotei meu número, chamei um segurança e pedi que ficasse ali, ao lado delas, o pagamento seria por fora.

Dispensei o motorista e peguei o carro sozinho, dirigindo em alta velocidade, tentando colocar tudo em perspectiva. Isabella tinha desaparecido — essa era a verdade. Ainda havia o colar, que não tinha sido registrado, mas alguma coisa precisava ser feita. Tinha que existir uma maneira de acessar os dados do colar e descobrir onde ela estava.

Icaro tinha levado um tiro e me recusei a pensar o que poderia ter acontecido com Isabella, ela precisava de mim e eu não podia sucumbir ao desespero.

Primeiro dirigi até em casa. A caixa ainda estava lá, com os documentos e números. Tirei várias fotos; alguma coisa tinha que estar ali. Eu já não confiava na empresa que cuidava da minha segurança havia anos e não passaria os dados para eles.

Em um momento de desespero, liguei para Danilo, que sempre recebia dinheiro para fazer pesquisas. Não tive tempo de explicar mais do que o necessário; passei tudo para ele. Sabia que também teria que ir à polícia.

Mas antes ainda tinha uma pessoa que eu precisa ver.

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