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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 44

A sala de reuniões estava completamente fechada, isolada acusticamente, iluminada apenas pela luz fria das telas.

No centro da mesa, o sinal da escuta ainda pulsava em ondas verdes.

A voz de Valentina ecoava ali dentro como fantasma recente:

“Ela me deixou para morrer.”

“Eu acordei sozinha no meio do mar.”

“Eu achei que ia morrer.”

Silêncio.

Um silêncio tão pesado que até o ar parecia temer se mover.

Lucas estava sentado ao lado de Rafael… mas era como se estivesse sentado ao lado de um animal selvagem segurando o próprio instinto para não matar.

O assistente Moreira mantinha os braços rígidos ao lado do corpo, pálido, engolindo seco repetidas vezes.

E Rafael…

Rafael estava parado.

De pé.

Mãos apoiadas na mesa.

Cabeça baixa.

Parecia que cada palavra de Valentina tinha sido cravada diretamente na espinha dele.

Um músculo pulsava na mandíbula, marcando o ritmo do ódio.

Ninguém ousou falar.

Até que Lucas, respirando fundo, encarou o inevitável.

— E agora? — ele perguntou, quebrando o silêncio com coragem que nem ele sabia que tinha. — O que você vai fazer, Rafael?

O ar pareceu congelar.

Rafael ergueu o rosto devagar.

Os olhos — antes de tempestade — agora eram gelo puro.

Sem responder, ele desligou a escuta.

O clic ecoou como um tiro.

Ele pegou o cinzeiro de cristal da mesa — pesado, maciço, caro — e atirou com toda a força contra a parede.

O impacto foi brutal.

O cristal explodiu em centenas de pedaços, estilhaçando como pequenas lâminas que refletiam a luz fria da sala.

O som demorou para morrer.

Lucas fechou os olhos por um segundo.

Moreira deu um passo involuntário para trás.

E Rafael…

Rafael simplesmente respirou.

Longo.

Controlado.

Terrível.

— Eu não vou dar esse gosto a elas. — ele disse, finalmente. A voz era tão fria que queimava. — Nem a Isabella. Nem à minha mãe.

Lucas franziu o cenho.

— Então… você não vai contra-atacar?

Rafael ergueu o olhar.

— Vou. — respondeu, seco. — Mas não do jeito que elas acham. Não com gritos. Não com escândalos. Não com impulsos.

Ele se afastou da mesa, caminhando até a janela larga de vidro.

A chuva escorria pelos painéis externos.

A cidade parecia menor vista dali.

— Elas querem destruir a Valentina porque não suportam a ideia de perder território.

— De perder o controle.

— De perder o nome Montenegro.

Ele tocou o vidro com a ponta dos dedos, pensativo.

— Então eu vou tirar delas exatamente isso.

Moreira arregalou os olhos.

Lucas se inclinou para frente.

— Rafael… o que você está planejando?

Rafael virou de costas para a janela, e naquele instante seu rosto estava completamente no papel que o mundo temia:

Rafael Montenegro, o estrategista.

O predador de jaqueta sob medida.

O homem que vence sem levantar a voz.

— Preparem um baile de máscaras. — ele disse, firme. — No próximo final de semana.

Lucas piscou.

— Um… baile?

— Um baile de gala. — Rafael completou. — Com a fortuna Montenegro inteira exposta. Ouro, prata, cristais, imprensa, líderes internacionais. Quero tudo brilhando. Quero todo mundo lá.

Moreira anotou sem respirar.

Lucas cruzou os braços, confuso.

— Tá, mas… o que isso tem a ver com a Isabella?

Rafael deu um meio sorriso.

Não um sorriso caloroso. Nem simpático. Nem irônico.

Era um sorriso que anunciava guerra silenciosa.

— Vou apresentar a Valentina a todos eles.

— A todos os nomes.

— A todas as famílias.

— A todos os jornais.

— A todo o país.

Ele andou de volta até a mesa, apoiando uma mão sobre ela.

— E vou fazer isso como Montenegro.

— Como marido.

— Como líder desta família.

Lucas abriu a boca, chocado.

— Rafael… isso vai destruir a Isabella socialmente.

— Não só a Isabella. — Rafael murmurou. — Vai destruir a minha mãe. No único lugar onde ela realmente sente dor: no status.

Silêncio.

Dessa vez, não de medo.

De admiração.

De reconhecimento sobre o tipo de homem que estava diante deles.

O silêncio entre eles não era vazio.

Era carregado.

Lucas cruzou os braços e soltou o ar devagar.

— Rafa… — chamou, com uma sinceridade rara. — Você está se apaixonando por ela?

O ar na sala mudou.

Rafael ficou completamente imóvel.

Um músculo na mandíbula se contraiu.

Ele não respondeu.

Não negou imediatamente.

Não atacou.

Apenas respirou fundo, virou as costas e caminhou até o bar de cristal no canto da sala.

Pegou a garrafa de uísque.

Serviu num copo baixo.

O som do líquido soou alto demais.

Ele tomou o primeiro gole como se precisasse anestesiar alguma coisa por dentro.

Só então respondeu, com a voz baixa, profunda e carregada de algo que não era ódio — mas também não era amor.

— Não.

Outro gole.

— Eu tenho uma dívida com ela.

Lucas estreitou os olhos.

— Uma dívida?

Rafael pousou o copo na mesa com um toque firme, quase contido demais.

— Tudo que aconteceu na vida de Valentina… é culpa minha.

— Direta ou indiretamente.

— E por isso é minha obrigação mantê-la viva.

— Até o fim do contrato.

Lucas franziu o cenho.

— Rafael… isso não é só obrigação. Você…

— Chega. — Rafael cortou, a voz dura como aço. — Eu não vou perder tempo analisando sentimentos que não mudam os fatos.

Ele pegou o casaco, vestindo com movimentos controlados demais.

— O que importa é que alguém tentou tirar Valentina de mim ontem.

— E essa pessoa não vai tentar de novo.

Lucas o observou em silêncio.

Rafael abriu a porta.

Antes de sair, disse:

— Prepare o baile.

— E prepare-se para a guerra.

E então ele sumiu pelo corredor.

Um homem que não sabia amar…

Mas que, sem perceber, já estava movendo o mundo inteiro por uma única mulher.

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