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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 265

O escritório de Valentina estava calmo.

Organizado. Impecável.

Exatamente como ela gostava.

Pastas alinhadas. Processos abertos. Prazos sob controle.

Mas a mente dela… não estava.

Ela parou no meio da leitura.

Os olhos ainda fixos no documento.

Sem realmente ver.

Helena.

O testamento.

As ações.

E aquela frase…

Como um eco insistente.

“Se você chama um sanatório de Suíça…”

Valentina fechou o processo devagar.

Encostou-se na cadeira.

O olhar perdido por alguns segundos.

Não era mais dúvida.

Era incômodo.

E incômodo… ela resolvia.

Pegou o celular.

Discou.

Chamou duas vezes.

— Senhora.

— Senhor Andrade, tenho um novo serviço para você.

Um pequeno silêncio.

— Pode dizer.

Valentina não hesitou.

— Quero que encontre Vittória Montenegro.

Ela girou a cadeira lentamente.

— Última informação eu tenho é Londres.

Uma pausa curta.

— Mas tenho uma forte suspeita de que ela esteja no sanatório municipal.

Silêncio.

Mais longo dessa vez.

— Entendido, senhora.

— O pagamento será como sempre. Satisfatório.

— Obrigado, senhora.

Valentina já ia desligar…

quando ele voltou a falar.

— Senhora…

Ela parou.

— Diga.

— Tenho algumas pistas sobre o caso dos seus pais.

O corpo dela ficou rígido na hora.

— E vou seguir todas.

A voz dele estava diferente.

Mais pesada.

— Mas, se por acaso… eu ficar incomunicável por um tempo…

Valentina franziu a testa.

— O que isso quer dizer?

— Significa que alguém ligado a mim vai entrar em contato.

Silêncio.

Pesado.

Valentina apertou o celular com mais força.

— Senhor Andrade…

A voz saiu mais baixa.

— Esse caso é tão grave assim?

Do outro lado… mais silêncio.

E então:

— Seus pais mexeram com quem não deviam, senhora.

A frase caiu como um déjà-vu.

Valentina fechou os olhos por um segundo.

Ela lembrou de quando voltou para o Brasil, ela tinha ido ao escritório do tio, Rogério falou as mesmas palavras, mas tanta coisa foi acontecendo que ela acabou esquecendo.

O coração acelerou.

— Descubra quem foi.

A voz dela mudou.

Fria.

— Nem que eu fique sem nada.

Uma pausa.

— Eu quero justiça.

— Entendido, senhora.

A ligação foi encerrada.

O silêncio voltou ao escritório.

Valentina permaneceu imóvel por alguns segundos.

O celular ainda na mão.

— Pai… mãe…

Ela respirou fundo.

— Eu vou descobrir.

O olhar endureceu.

— E vou fazer justiça por vocês.

Uma batida leve na porta interrompeu o momento.

Valentina piscou, voltando para o presente.

— Pode entrar.

A porta se abriu.

Lurdes apareceu com o sorriso discreto de sempre.

— Com licença, doutora.

Valentina ajeitou a postura rapidamente.

— Pode entrar, Lu.

A assistente entrou segurando uma caixa grande, elegante, com um laço de fita.

Valentina franziu levemente a testa.

— O que é isso?

Lurdes sorriu.

— Acabaram de entregar para a senhora.

Valentina levantou-se, curiosa.

Pegou a caixa.

Abriu.

E parou.

Por um segundo.

Depois… sorriu.

Dentro havia uma cesta cuidadosamente montada.

Chocolates finos.

Alguns mais simples.

E, no meio…

pequenos bichinhos de pelúcia.

Discretos.

Mas claramente escolhidos.

Valentina soltou uma pequena risada.

Baixa.

Surpresa.

— Isso é tão… cafona.

Lurdes tentou conter o sorriso.

— Posso retirar depois, doutora?

Valentina balançou a cabeça.

Ainda olhando para a cesta.

— Não.

Ela pegou um dos bichinhos.

— Pode deixar.

Lurdes assentiu.

— Com licença.

E saiu.

Ela sorriu olhando a caixa, Rafael vinha se esforçando nessa coisa de ser namorado, ela estava atrás e precisava corrigir.

Valentina pegou o celular novamente.

Sem pensar muito.

Ligou.

Chamou uma vez.

Duas.

— Oi.

A voz dele veio firme.

Mas havia algo ali.

Sempre havia.

— Oi! Obrigada pelo presente.

a voz dele saiu firme.

— Já estou em contato direto com o presidente.

Alguns olhares se cruzaram.

Um dos diretores se inclinou para frente.

— Ainda assim, senhor Montenegro… temos um problema maior.

Rafael não interrompeu.

Apenas observou.

— Nossas tecnologias estão sendo ultrapassadas.

Outro completou:

— Recebi uma informação de uma fonte confiável.

Rafael apoiou o braço na mesa.

— Continue.

— Vai acontecer um leilão internacional no final do mês.

Uma pausa.

— E todos estão de olho em uma tecnologia chamada Viper.

O nome ficou no ar.

— Um sistema de espionagem militar — continuou o diretor. — Capaz de infiltrar qualquer rede tecnológica no mundo.

Outro homem falou:

— Se isso for real…

— Não é “se” — o primeiro cortou. — É.

O olhar dele voltou para Rafael.

— Estamos em risco.

Rafael não reagiu. Os dedos começaram a bater levemente sobre a mesa.

Pensando.

— Quando?

A pergunta saiu direta.

— Final do mês.

— Local?

— Genebra.

Silêncio.

Rafael bateu os dedos mais uma vez.

Depois virou o rosto lentamente.

— Moreira.

O homem ao lado dele se endireitou na cadeira.

— Sim, senhor.

— Consiga uma entrada para mim nesse leilão.

— Sim, senhor.

Moreira já anotava.

Os outros diretores começaram a falar novamente.

Sugestões.

Riscos.

Cenários.

Mas Rafael já não estava mais ouvindo.

Ele apoiou os dedos na ponte do nariz.

Pressionou levemente.

— Há centenas de anos empresas sobem… e caem.

A voz dele cortou o ambiente.

Todos se calaram.

— Não é com reuniões que vamos resolver isso.

O olhar dele percorreu cada um ali.

— Eu estou agindo.

Uma pausa.

— E em breve… terão uma resposta.

Ele se levantou. Saiu da sala.

A porta se fechou atrás dele.

O silêncio ficou.

Do lado de fora…

Rafael caminhou pelo corredor.

Os passos firmes.

Seguros.

Então parou.

Por um segundo.

A mão passou pela gravata.

Afrouxando levemente.

E, lentamente… um sorriso surgiu no canto dos lábios.

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