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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 264

Valentina voltou ao salão com passos controlados.

Externamente, nada tinha mudado.

O vestido impecável. A postura elegante. O sorriso no lugar.

Mas por dentro…

as palavras de Helena ainda ecoavam.

Ações na Montenegro.

Testamento.

Informações que ela não deveria saber.

Ou pior…

que alguém tinha escolhido não contar.

O som da orquestra parecia distante agora.

As conversas ao redor, irrelevantes.

Valentina percorreu o salão com o olhar por um instante.

E então encontrou Rafael.

No mesmo lugar.

Conversando.

Seguro.

Intocável.

Como se o mundo estivesse exatamente sob controle.

Como sempre.

Ela caminhou até ele.

E, quando ele a olhou…

sorriu.

Aquele sorriso que sempre funcionava.

Mas dessa vez…

não apagou o que estava na mente dela.

Os convidados começaram a se dispersar pelo salão conforme a noite avançava.

Alguns seguiam para a pista de dança.

Outros se agrupavam em pequenas rodas de conversa, trocando cartões, risos discretos e promessas de novos negócios.

Rafael apoiou a mão na lombar de Valentina, guiando-a entre as mesas com naturalidade.

— Vamos? — murmurou, próximo ao ouvido dela.

Valentina assentiu.

Antes que pudessem sair, Bianca apareceu novamente, puxando Lucas pelo braço.

— Ei, ei… vocês não vão fugir assim sem se despedir.

Lucas riu.

— Ela está emocionalmente abalada, releva.

— Eu não estou abalada — Bianca rebateu, cruzando os braços. — Eu estou investida na felicidade da minha amiga.

Valentina riu.

— Você vai sobreviver até amanhã.

— Não sei se vou — Bianca respondeu dramática. — Mas vou tentar.

Ela abraçou Valentina com força.

— Estou feliz por você. De verdade.

Valentina sorriu, retribuindo o abraço.

— Eu sei.

Bianca se afastou, então olhou para Rafael.

— Cuida dela.

Rafael sustentou o olhar, tranquilo.

— Sempre.

Lucas apertou a mão dele em seguida.

— Bom evento, Montenegro.

— Obrigado.

Mais alguns executivos se aproximaram, cumprimentando Rafael com formalidade.

— Excelente organização, Montenegro.

— Como sempre, impecável.

Ele respondeu com acenos discretos, poucas palavras, sem perder a atenção em Valentina ao seu lado.

Quando finalmente o fluxo diminuiu, Rafael voltou o olhar para ela.

— Agora sim.

Valentina entrelaçou os dedos nos dele.

— Agora sim.

Os dois caminharam juntos em direção à saída.

As portas se abriram.

E o ar da noite os envolveu, mais frio, mais silencioso.

O contraste com o salão era imediato.

Valentina respirou fundo.

Como se estivesse deixando algo para trás.

Ou talvez…

levando mais do que gostaria.

O caminho de volta foi silencioso.

Não desconfortável.

Mas diferente.

A cidade passava pelas janelas do carro em luzes borradas, enquanto Valentina mantinha o olhar perdido do lado de fora.

A cabeça dela não desacelerava.

Helena.

O testamento.

As ações.

E, principalmente…

Rafael.

Ela desviou o olhar discretamente para ele.

As mãos firmes no volante.

O rosto calmo.

Controlado como sempre.

Como se nada tivesse saído do lugar.

Como se o mundo fosse exatamente o que ele dizia ser.

E talvez fosse.

Ou talvez… ela só ainda não tivesse visto tudo.

O carro entrou pelos portões da mansão Montenegro.

Tudo iluminado.

Impecável.

Intocável.

Como o homem ao lado dela parecia ser.

Rafael desceu primeiro e abriu a porta para ela.

Valentina aceitou a mão dele.

Mas dessa vez…

não sorriu imediatamente.

Ele percebeu.

Claro que percebeu.

O quarto estava silencioso quando entraram.

Valentina caminhou até a janela.

Tirou os brincos devagar.

Colocou sobre a mesa.

Rafael tirou o paletó.

Afrouxou a gravata.

Observando.

Sempre observando.

— Você ficou quieta — disse ele, por fim.

Valentina demorou um segundo a mais do que o normal.

Olhava a própria imagem refletida no vidro escuro.

— Só cansada.

Mentira.

Pequena.

Mas ainda assim, mentira.

Rafael não rebateu.

Aproximou-se.

Mais próxima.

Mais… perigosa.

Valentina não recuou.

— Inclusive entre nós?

Rafael segurou o queixo dela com delicadeza.

O polegar roçando levemente a pele.

— Principalmente entre nós.

E antes que ela pudesse continuar…

ele a beijou.

Sem aviso.

Sem espaço.

O beijo começou firme.

Seguro.

Como uma decisão.

A mão dele deslizou pela cintura dela, puxando para mais perto.

Valentina tentou manter o foco.

Por um segundo.

Dois.

Mas o corpo dela não cooperava.

Nunca cooperava quando ele fazia isso.

O beijo aprofundou.

Mais lento.

Mais envolvente.

Como se ele soubesse exatamente o que estava fazendo.

E sabia.

Sempre soube.

A pergunta ainda estava ali.

Viva.

Aberta.

Mas ficando distante.

Perdendo força.

Rafael afastou os lábios apenas o suficiente para encostar a testa na dela.

— Você pensa demais.

A voz saiu baixa.

Quase um sussurro.

Valentina ainda respirava mais rápido.

— E você responde de menos.

— Talvez.

A mão dele subiu pelos cabelos dela.

Segurando.

Mantendo.

— Mas eu compenso.

E voltou a beijá-la.

Dessa vez mais lento.

Mais profundo.

Mais difícil de resistir.

Valentina fechou os olhos.

Por um momento…

apenas sentiu.

Mas lá no fundo…

uma pequena parte dela continuava acordada.

Observando.

Guardando.

Porque, por mais que ele a fizesse esquecer…

a dúvida não tinha ido embora.

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