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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 225

O centro de São Paulo ainda pulsava quando Valentina saiu da cafeteria.

O tipo de lugar onde gente rica não toma café: investe em café.

Ela desceu os dois degraus da entrada com o envelope preso contra o peito como se fosse uma coisa viva. Porque era. Era o passado dela voltando com selo oficial. Era o nome dela escrito do jeito certo, com a dignidade que a dor tentou arrancar.

O ar da rua estava quente, carregado de fumaça e pressa. Mas dentro dela havia uma calma estranha. Não paz — calma. Aquela calma de quem sabe que algo grande acabou de acontecer e ainda não teve tempo de doer.

Ela entrou no carro e, antes que o motorista perguntasse qualquer coisa, puxou o celular.

A tela ainda mostrava o último nome que ela queria ver e, ao mesmo tempo, o único que fazia sentido agora.

Rafael.

Valentina respirou fundo e digitou.

Valentina: Que horas você chega em casa?

A resposta veio rápida. Direta. Como ele.

Rafael: 19h.

Ela encarou os três caracteres como se fossem uma promessa.

Valentina: Ok.

Só isso.

Mas o coração dela respondeu com muito mais.

Ela guardou o celular, apoiou a cabeça no banco e fechou os olhos por um segundo. A imagem de Natasha voltava na mente como uma lâmina elegante.

“Está pronta para voltar a ser quem você sempre foi?”

Valentina abriu os olhos.

— Sim.

E hoje ela ia contar isso para o homem que, do jeito dele, tinha virado abrigo.

A mansão Montenegro a recebeu com mesmo tom de sempre.

Clara estava no hall, impecável como um relógio, mãos cruzadas à frente do corpo, postura reta demais para alguém que se dizia apenas uma assistente.

Valentina passou por ela com calma, como se o mundo não tivesse acabado e recomeçado no mesmo dia.

— Clara.

A mulher ergueu o olhar imediatamente.

— Sim, senhora.

Valentina respirou. Sem pressa.

— Hoje eu quero o jantar fora. Na área do jardim. Velas. Mesa posta.

Clara piscou.

A pausa foi pequena, mas existiu.

— Hoje… senhora?

— Hoje.

Clara assentiu.

— Alguma preferência no menu?

Valentina sustentou o olhar como quem já tinha decidido desde o primeiro segundo.

— Faisão.

O maxilar de Clara travou por um instante mínimo, quase invisível.

— O senhor Montenegro gosta. — completou, com voz tranquila.

Clara assentiu, o rosto neutro tentando parecer obediente, mas os olhos denunciando o incômodo.

— Sim, senhora.

Valentina passou por ela sem dizer mais nada.

Subiu.

Tomou banho.

Se prendeu no reflexo do espelho por tempo demais.

E pela primeira vez em muito tempo não se viu como “a órfã”, “a mulher que perdeu tudo”, “a esposa por contrato”.

Se viu como ela.

Valentina Diniz.

A mulher que tinha sido arrancada do próprio futuro e estava, agora, pegando ele de volta com as mãos.

Ela escolheu um vestido leve — elegante, sim, mas sem cara de gala. Um tecido fluido, cintura marcada, decote discreto, e aquela cor que fazia a pele dela parecer ainda mais quente sob luz amarela.

Cabelo solto, ondas naturais. Perfume na medida certa.

Não era pra impressionar o mundo.

Era pra comemorar com alguém.

E, pela primeira vez, ela queria receber Rafael não como “esposa Montenegro”.

Mas como mulher.

O relógio marcou 18h58.

Ouviu o som do carro entrando.

Portões.

Motor.

A precisão do mundo Montenegro funcionando.

O carro parou.

A porta abriu.

E Rafael desceu.

Terno escuro. Gravata afrouxada. Um cansaço controlado no olhar. E aquela presença… sempre como se o ar ficasse mais denso quando ele entrava em um espaço.

Valentina desceu as escadas. Quando ela chegou no último degrau o viu entrando pela porta.

Ele ergueu os olhos.

E parou.

O olhar dele ficou fixo nela como se algo tivesse enganchado por dentro.

Valentina sorriu de leve.

— Você chegou.

Rafael piscou devagar, como se estivesse voltando.

— Você… — a voz saiu baixa. Grave. — Está…

Ele não terminou.

Porque não precisava.

Ela terminou de descer, deu os últimos passos, parou diante dele.

— Tenho uma surpresa.

Rafael manteve o olhar nela por mais um segundo do que seria socialmente normal.

— Eu percebi.

Ela riu baixinho.

E puxou a mão dele.

Rafael deixou.

O jardim estava iluminado como um segredo.

Velas em castiçais, luzes baixas entre as árvores, a mesa posta com um cuidado que não era “chique”.

Rafael parou ao ver.

Olhou a mesa.

Olhou as velas.

Olhou ela.

— O que é isso?

Valentina ergueu os ombros, como se fosse simples.

— Um jantar.

— Eu vi. — ele respondeu, a ironia fina aparecendo no canto da voz. — A pergunta é por quê.

Ela chegou perto.

O vento mexeu os cabelos dela, e Rafael acompanhou o movimento com os olhos como se estivesse hipnotizado por uma coisa pequena.

Valentina falou baixo.

— Porque eu estou feliz.

Silêncio.

Rafael não tinha resposta automática para isso.

Ela continuou.

— E eu quero comemorar com você.

A forma como ela disse “com você” fez algo mudar no olhar dele.

Ele puxou a cadeira para ela.

Valentina sentou.

Rafael sentou do outro lado, mas a presença dele ocupava a mesa inteira.

O vinho foi servido.

Os primeiros minutos foram de conversa simples.

Como foi o dia.

Quais foram as reuniões.

Quem tentou demais.

Quem mentiu no meio do caminho.

Valentina contou do café sem citar o brilho nos olhos — ainda.

Rafael ouvia com atenção silenciosa, cortando a comida com o mesmo controle com que cortava o mundo.

Quando o faisão chegou, ele soltou um sopro baixo.

O jantar foi bom.

Quente.

Não pela comida.

Pela atmosfera.

Pela sensação rara de dois adultos cansados encontrando abrigo na presença um do outro.

Quando terminaram, Rafael serviu mais vinho para ela.

Valentina segurou a taça.

O vento soprou de leve, fazendo as velas tremeluzirem, fazendo o cabelo dela ondular de novo.

Rafael ficou olhando como se tivesse esquecido o resto do mundo.

Valentina percebeu.

E não desviou.

Ela pegou o envelope que estava na cadeira ao lado com cuidado.

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