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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 200

O quarto permanecia envolto em um silêncio diferente.

Não era pesado como antes.

Nem carregado de tensão crua.

Era um silêncio mais denso… mais íntimo. Como se algo entre eles tivesse mudado de lugar sem que nenhuma palavra tivesse oficialmente anunciado isso.

Valentina respirou fundo.

Depois suspirou.

E, pela primeira vez desde o abraço, permitiu-se sorrir de leve.

Sem pressa, caminhou até a mesinha lateral onde estavam os remédios organizados na bandeja que Clara acabará de entregar.

Rafael a observava em silêncio.

O olhar mais atento do que cansado.

Mais presente do que febril.

Ela estendeu a mão na direção dele.

— Toma. — disse, firme, mas suave. — Você precisa ficar forte.

O canto da boca dele se moveu minimamente.

Ele aceitou o remédio da mão dela sem discutir, algo raro demais para um homem que discutia até relatórios médicos se julgasse necessário. Colocou o comprimido na boca, bebeu a água devagar e devolveu o copo para ela.

Os olhos dele não saíram do rosto dela nem por um segundo.

— Pensei que você iria fugir ao ouvir essa história. — murmurou, a voz ainda rouca, mas mais estável.

Valentina arqueou levemente uma sobrancelha.

Depois sorriu.

Não um sorriso frágil.

Mas aquele sorriso pequeno, contido, que carregava cansaço… e decisão.

— Já passamos dessa fase. — respondeu com calma. — Foi no início.

Rafael inclinou a cabeça, observando cada microexpressão dela como fazia em reuniões importantes. Como se ela fosse, naquele momento, a única variável relevante do mundo.

— Você pensou em fugir no início? — perguntou.

Ela soltou uma pequena risada nasal.

— Sim. — admitiu, sem rodeios. — Eram tantas regras… e você nem me dava bola.

Ele quase sorriu.

Quase.

Valentina continuou, com leve ironia suave: — Agora, como diz a Bianca… você vai ter que me aturar.

Dessa vez, o sorriso dele veio de verdade. Pequeno. Discreto. Mas real.

Sem aviso, ele estendeu a mão e a puxou suavemente pela cintura.

O movimento não foi brusco.

Nem possessivo.

Foi lento. Cauteloso. Como se ainda estivesse medindo os limites daquele novo território entre eles.

Ela não resistiu.

Apenas parou mais perto.

Muito perto.

O olhar dele desceu para os lábios dela por um segundo breve demais para ser ignorado. Depois voltou aos olhos.

E então ele a beijou.

Lento.

Calmo.

Sem urgência.

Sem exigência.

Sem aquela tensão elétrica que costumava existir entre eles desde o início.

Era um beijo diferente.

Mais silencioso.

Mais profundo.

Mais… consciente.

Como se não fosse sobre desejo.

Mas sobre permanência.

Valentina fechou os olhos por um instante, sentindo o calor daquele gesto que não tinha espetáculo, não tinha intensidade exagerada — mas tinha peso.

Quando se afastaram, nenhum dos dois falou por alguns segundos.

A respiração ainda próxima.

O silêncio carregado de algo que nenhum contrato previa.

Ela foi a primeira a se recompor.

— Você precisa descansar. — disse, recuperando a postura prática. — Ordem médica. E fui instruída a não deixar você trabalhar.

Rafael passou o polegar suavemente pela bochecha dela, como se aquele gesto tivesse surgido sem planejamento.

— Tenho uma empresa que precisa de mim.

Ela o interrompeu na mesma hora.

— Moreira está cuidando de tudo. — respondeu, direta. — Você vai deitar e descansar.

Ele abriu a boca para argumentar.

Ela colocou a mão no ombro dele e o empurrou de volta para a cama.

Com firmeza.

Com naturalidade.

— Vamos. Vamos. — murmurou. — Tenho que cuidar de você, anda logo.

Rafael a encarou por meio segundo.

Depois… obedeceu.

Algo que, definitivamente, o conselho administrativo da Montenegro jamais acreditaria se visse.

Ele se deitou novamente enquanto ela puxava o cobertor com cuidado, ajeitando-o sobre o peito dele com gestos quase automáticos, como se estivesse repetindo uma memória antiga.

Ela parou ao lado da cama.

— Você está com fome? — perguntou.

Ele a observou.

— Vou mandar fazer uma canja de galinha. — continuou ela. — Não sei se você já tomou algum dia… mas lembro que minha mãe fazia. E falava que uma canja bem quente cura até dor de dente.

O quarto ficou em silêncio por um segundo.

Não por falta de assunto.

Mas porque aquela frase carregava algo doméstico demais para o universo Montenegro.

Humano demais.

Ela virou o corpo para sair.

Mas antes que desse dois passos, sentiu os dedos dele segurarem sua mão.

Ela parou.

Virou-se lentamente.

— O que foi? — perguntou, observando a mão dele entrelaçada na dela. — Não acredita?

Ele não sorriu dessa vez.

O olhar ficou sério. Mais atento.

Mais penetrante.

— Por que você teve aquele colapso ontem?

CAPÍTULO 200 — O LEVE AROMA DO AMOR 1

CAPÍTULO 200 — O LEVE AROMA DO AMOR 2

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