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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 199

O silêncio depois da última frase dele não foi imediato.

Ele se instalou devagar.

Como uma névoa densa que tomava o quarto sem pedir permissão.

— Falha mecânica.

— Aquaplanagem por chuva intensa.

— Airbag do passageiro não abriu.

As palavras ainda ecoavam.

Não no ar.

Na mente de Valentina.

O mundo pareceu desacelerar dentro dela por um segundo inteiro.

Airbag.

Não abriu.

Chuva forte.

Acidente.

As imagens surgiram com brutal clareza.

O relatório técnico.

As fotos.

O carro dos pais.

O laudo simplificado.

A explicação fria.

Conveniente.

Ela franziu levemente a testa.

Não de dor.

De raciocínio.

Um detalhe pequeno.

Mas persistente.

Incômodo.

Como um fio solto em uma tapeçaria que, até então, parecia perfeita demais.

Um carro importado.

Sistema avançado de segurança.

Tecnologia de ponta.

E o airbag… não abre?

Uma vez… poderia ser acaso.

Duas… já não soa como coincidência.

Mas ela não disse nada.

Ainda não.

Porque Rafael continuava ali.

Sentado na beira da cama.

Com os ombros mais baixos do que ela jamais tinha visto.

Como se cada palavra dita tivesse arrancado um pedaço invisível dele.

— Há dez anos… — disse ele, mais baixo agora — eu não tenho respostas reais. Apenas versões convenientes.

A voz dele não tremia.

Mas carregava cansaço.

Cansaço antigo.

Cansaço acumulado.

— Essa era Sara.

Silêncio.

Respirado.

Pesado.

Honesto.

Ele passou a mão pelo rosto devagar, evitando olhar diretamente para Valentina.

Como se encarar a reação dela fosse mais difícil do que reviver a própria memória.

— Me desculpa se falei o nome dela… — murmurou. — Mas essa culpa… ela não vai embora. Não importa quantos anos passem.

Uma pausa.

Curta.

Dolorosa.

— Eu deveria ter protegido ela.

Algo dentro de Valentina quebrou naquele exato instante.

Não de forma dramática.

Não ruidosa.

Mas profunda.

Silenciosa.

Ela não pensou como advogada.

Não analisou como estrategista.

Não calculou como esposa de contrato.

Ela apenas se levantou.

De repente.

Como se o corpo tivesse decidido antes da razão.

Deu dois passos até ele.

E o abraçou.

Forte.

Sem aviso.

Sem discurso.

Sem distância calculada.

Os braços envolveram Rafael com firmeza, apertando como se ela estivesse tentando segurar não só o homem à sua frente…

mas o peso que ele carregava sozinho por uma década inteira.

Rafael congelou.

Literalmente.

O corpo inteiro ficou imóvel por um segundo inteiro.

Porque aquilo… ele não esperava.

Ele esperava frieza.

Distância.

Ou silêncio educado.

Mas não acolhimento.

Muito menos vindo dela.

Valentina encostou o rosto contra o peito dele.

E chorou.

Primeiro em silêncio.

Depois com a respiração tremida, descompassada, como se as emoções dos últimos dias finalmente encontrassem uma saída.

— Você não teve culpa… — murmurou, com a voz embargada.

Ele não respondeu de imediato.

Porque os braços dele demoraram um instante inteiro para reagir.

Como se tivesse esquecido como era ser tocado sem julgamento.

Sem interesse.

Sem estratégia.

Sem medo.

Então, devagar…

quase com cuidado excessivo…

Ele a envolveu de volta.

Cauteloso.

Contido.

Quase reverente.

— Eu sei como sua família é. — continuou ela, ainda abraçada a ele. — Eu sei do que eles são capazes.

As palavras foram baixas.

Mas firmes.

E carregadas de uma compreensão que não era superficial.

Era real.

Rafael fechou os olhos por um breve instante.

E, pela primeira vez desde que ela o conhecia…

Ele não parecia um Montenegro.

Não parecia o homem do controle absoluto.

Nem o estrategista frio.

Nem o CEO impenetrável.

Parecia apenas um homem cansado.

Cansado de culpas.

De perdas.

De silêncio.

CAPÍTULO 199 — NÃO FOI SUA CULPA 1

CAPÍTULO 199 — NÃO FOI SUA CULPA 2

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